11 Maio, 2008
Ele dirige a toda velocidade com sua picape; dá farol alto. Tem em sua tez a melancolia da arrogância. Na sua infelicidade, o poder das ruas, o poder sem limites do seu farol. O provocador de acidentes, o desestabilizador do trânsito. Corre, corre, corre, não por amor a velocidade, mas por arrogância à sua miséria. A miséria de não saber que não é nada. Ele grita, em sua assustadora insignificância moral:
“Abrem as ruas, sou em quem está pasando. Saiam! Saiam! Eu sou esse ilustre insatisfeito. Preciso me sentir melhor, maior, completo. Saiam, deixe-me ser importante por alguns segundos”
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11 Maio, 2008
O filme Doces Poderes (1996) é um bom filme para jornalistas politicamente conscientes. Isso porque o filme, estrelado por Marisa Orth, Antônio Fagundes, Ségio Augusto, Tuca Andrada, Sérgio Mamberti e outros realmente não está fechado em busca de concepções ou orientações ideológicas. O filme parece, apesar de ser uma narrativa ficcional, uma bela reportagem sobre a consciência do jornalista de televisão que embarca em campanhas publicitárias. Uma bela reportagem porque parece querer apresentar uma versão fiel de uma realidade que não se pode ver na mídia.
É um bom filme para jornalistas politicamente conscientes justamente por sua liberdade narrativa e cinematógráfica. A melancolia dos perdedores do filme é algo que pode se tornar um apelo à falta de ética na profissão. No entanto, a diretora Lucia Murat parece buscar a profundidade e não o discurso ou a resignação. A melancolia dos perdedores é um alívio para a alma, um recomeçar.
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Escrito por glaucocortez
11 Maio, 2008
O Não Lugar de Ágada Tchainik, peça com Naomi Silman e dirigido por Sue Morrison, é o lugar do riso e de uma certa auto-ajuda para quem precisar. O público não é somente provocado e arrastado para a participação. Ele é provocado no riso e no aconchego das nossas pequenas neuroses cotidianas. “Estamos bem”, aquela palhaça nos garante. Estamos bem. Na verdade, ficamos bem; ficamos bem ao rir e aprecisar o rigoroso trabalho teatral da atriz, com a bagagem do Lume. Para mim, foi uma iniciação ao clown.
O trabalho escrito por Naomi e pela diretora canadense Sue Morrison, reflete a proposta exposta pela diretora: “Necessitamos construir um palhaço que fale aos nossos dias de hoje, não só uma coleção de gags, mas um arquétipo que revela a essência do performer/ator. Este é um clown que nos dá uma sensação maior do divino em cada um de nós. Que celebra nossa humanidade, nossa animalidade e os momentos em que podemos tocar um ao outro através do riso”.
Novas apresentações, após temporada em Israel. Acompanhe pelo site do grupo Lume.
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