PSDB: DEMOCRATA NO NOME, MAS ‘CORONÉ’ NA PRÁTICA

30 Junho, 2008

Durante um bom tempo imaginei que o PSDB e o PT poderiam ser os grandes partidos que disputariam as eleições nas próximas décadas. Mas estou me convencendo de que o PSDB não vai durar muito com políticos como José Serra, Fernando Henrique, Alckmin, Artur Virgílio e outros. O PSDB pode enganar durante mais algum tempo, mas com as políticas sociais do PT, apesar de todos os defeitos do Partidos dos Trabalhadores, vai ficar difícil.

Greve dos professores em São PauloVeja o caso de José Serra em São Paulo. Em vez de apoiar e melhorar as condições de vida do professor, ele decidiu piorar, dificultando a transferência de escola. Qualquer indivíduo de baixo rendimento escolar sabe porque uma pessoa pede transferência. Ela pede para ter melhores condições de trabalho, independente dos motivos. Pode ser por agressão, pressão, distância da residência etc. Em vez de facilitar o processo ou tentar melhorar as condições para evitar a transferência, o governo do PSDB prefere dificultar a transferência. Gênio! Na verdade, Serra mandou a seguinte mensagem para os professores paulistas: “você tem que sofrer ai nesta escola, quem manda ser professor!”. Claro que os professores, já sem reajuste há três anos, decidiram pela greve.

O PSDB é democrata no nome, mas tem uma prática de “coroné”. Por isso deu certa a parceria com o PFL, ou melhor, o Demos. Uma hora as grandes empresas de comunicação vão abandonar o barco. Isso vai ocorrer quando o prejuízo for maior que o possível lucro em uma vitória do partido. Nesse caso, o partido deverá rachar ou ir pelo mesmo caminho do PFL e do PDS:  mudar de nome na hora que o filme estiver bem queimado.

A pergunta que fica é: qual será o partido que dominará a política brasileira na próxima década para concorrer com o PT?


AZENHA: MINISTÉRIO PÚBLICO GAÚCHO E PAULO FREIRE

30 Junho, 2008

VIÚVA DE PAULO FREIRE “INDIGNADA” COM MACARTISMO GAÚCHO

Atualizado em 27 de junho de 2008 às 19:36 | Publicado em 27 de junho de 2008 às 19:32

Nita Freire, a viúva do educador brasileiro Paulo Freire, afirmou ao Viomundo que ficou indignada quando soube que os promotores gaúchos Luís Felipe de Aguiar Tesheiner e Benhur Biacon Júnior mencionaram a obra do marido dela como prova de que o MST estaria engajado em atividades ilegais. “No Brasil a elite tem raiva do povo”, disse ela na conversa. Freire passou mais de 15 anos exilado depois da quartelada de primeiro de abril de 1964. Nita disse que a ação do Ministério Público gaúcho faz lembrar o macartismo dos anos 50. Eu diria que é mais uma patetada de quem lê o Reinaldo Azevedo e leva a sério - sinal de dupla ignorância. (ouça em Vio o Mundo)


VIVO, OBRA-PRIMA DE LENINE E RENNÓ

28 Junho, 2008

Vivo é uma música para se ouvir sem estar atormentado, sem estar desmantelado. Uma música que traz a angústia e a poesia em um só movimento. É a poesia cotidiana que alimenta um Brasil imperfeito, um corpo pedido no espaço.  É lenta, mas intensa.

Essa é a primeira da série obra-prima da canção popular.

Vivo

Composição: Lenine/Carlos Rennó

Precário, provisório, perecível;
Falível, transitório, transitivo;
Efêmero, fugaz e passageiro
Eis aqui um vivo, eis aqui um vivo!

Impuro, imperfeito, impermanente;
Incerto, incompleto, inconstante;
Instável, variável, defectivo
Eis aqui um vivo, eis aqui…

E apesar…
Do tráfico, do tráfego equívoco;
Do tóxico, do trânsito nocivo;
Da droga, do indigesto digestivo;
Do câncer vil, do servo e do servil;
Da mente o mal doente coletivo;
Do sangue o mal do soro positivo;
E apesar dessas e outras…
O vivo afirma firme afirmativo
O que mais vale a pena é estar vivo!

É estar vivo
Vivo
É estar vivo

Não feito, não perfeito, não completo;
Não satisfeito nunca, não contente;
Não acabado, não definitivo
Eis aqui um vivo, eis-me aqui.

(ouça)


BRASIL PODE CRIAR UM ÍNDICE DO POLÍTICO OU GESTOR CORRUPTO (IPGC)

27 Junho, 2008

Há um caminho democrático que estamos seguindo e construindo ano a ano na política brasileira. Para aperfeiçoar essa caminhada, é necessário excluir da política e da administrção pública pessoas ineptas para os cargos. Sempre se corre o risco de injustiças, de julgamentos incorretos, mas com certeza esse risco é bem melhor para a sociedade do que permitir que pessoas com currículo totalmente descredenciado gerencie o dinheiro da sociedade. Se o administrador se sentir injustiçado, tem todo o direito de buscar na justiça uma reparação do dano, mas distante dos cofres públicos.

Uma boa idéia seria criar um índice do corrupto. Ele pode ser feito com o cruzamento de dados. O TCU (Tribunal de Contas da União) divulgou hoje uma lista com 3,1 mil gestores públicos cujas contas foram consideradas irregulares. A lista, com 339 páginas, inclui instituições públicas, como prefeituras, bancos, empresas estatais e outras. Além dessa, tem a lista de candidatos processados e condenados pelo Ministério Público, que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) elaborou.

Por meio da quantidade e gravidade dos processos pode-se criar um índice que elimina o político da vida pública. Dessa forma, a possiblidade de injustiça fica bastante reduzida.


RIO GRANDE DO SUL, CAOS TAMBÉM NA JUSTIÇA

26 Junho, 2008

A situação política no Rio Grande do Sul está realmente complicada. O governo de Yeda Crusius (PSDB) está em um caos não só administrativo e político na instância executiva do poder, mas também na instância jurídica. Em outras condições, e se tivesse vontade política, poderia atuar diante do que está acontecendo no poder judiciário. Veja notícia publicada pelo Brasil de Fato.

 

Documentos do MP gaúcho revelam plano para dissolver o MST

Miguel Stedile,
de Porto Alegre (RS)

 

Despejos de áreas cedidas, proibição de qualquer deslocamento de famílias acampadas, uso da violência para dispersar mobilizações, criminalização de lideranças e de movimentos sociais. Estes episódios, correntes no Rio Grande do Sul nos últimos dois anos, são parte de uma estratégia do Ministério Público Estadual e da Brigada Militar para dissolver o Movimento dos Sem Terra (MST). As denúncias foram divulgadas em audiência pública na terça-feira (24) e são baseadas em uma ata do Conselho Superior do MPE gaúcho (clique aqui para ler a íntegra do documento).

Em 3 de dezembro de 2007, o Conselho aprovou o relatório dos promotores Luciano de Faria Brasil e Fábio Roque Sbardelotto, que investigaram o MST durante um ano. O relatório utiliza textos do sociólogo Zander Navarro e do filósofo Denis Rosenfield, notórios opositores do movimento, e outro relatório da Brigada Militar, assinado pelo comandante Waldir João Reis Cerutti, ex-candidato à deputado estadual pelo PP.

Segundo os promotores, o MST é uma organização paramilitar, treinada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e representa uma ameaça à segurança nacional.

 

Criminalização do movimento

Por unanimidade, o Conselho do MP gaúcho decidiu iniciar uma série de medidas para “dissolução do MST e declaração de sua ilegalidade”.

Para cumprir com este objetivo, o Conselho Superior do MPE tomou uma série de medidas. Determinou a proibição de qualquer deslocamento de sem-terra, como marchas ou caminhadas. Passou a investigar acampamentos e lideranças por “práticas criminosas”, assim como assentamentos e o uso de verbas públicas. Tomou iniciativas no sentido de intervir nas escolas de assentamentos, inclusive no “aspecto pedagógico”. E orientou-se para “desativar” todos os acampamentos.

A decisão do MPE já vem sendo colocada em prática desde o ano passado, quando uma marcha de trabalhadores sem-terra foi impedida de se aproximar de todos os municípios da Comarca de Carazinho. Desde o início deste ano, a ação da Brigada Militar em manifestações tem sido mais agressiva, sem negociações com os movimentos, ferindo e prendendo inúmeras pessoas.

 

Ação inconstitucional

“Estamos diante da maior conspiração civil-militar realizada para aniquilar um movimento social desde o final da ditadura militar brasileira”, declarou o advogado Leandro Scalabrin, autor das denúncias. Para o advogado, a decisão do MP ofende o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e a Constituição Federal. (Leia Mais)


ECONOMIA CONTINUA EM RITMO FORTE

26 Junho, 2008
Deasemprego em maio tem a menor taxa para o mês desde 2002

Thais Leitão
Repórter da Agência Brasil

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Rio de Janeiro - A taxa de desemprego caiu para 7,9% no mês de maio nas seis principais regiões metropolitanas do país, depois de ter ficado em 8,5% em abril. O resultado foi o menor já registrado para o mês desde 2002 e o menor, entre todos os meses, desde dezembro de 2007 (7,4%). Na comparação com maio do ano passado (10,1%), o recuo foi maior: 2,2 pontos percentuais.

Os dados divulgados hoje (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam também que o rendimento médio dos trabalhadores, cujo valor é de R$ 1.208,20, caiu 1% em maio em relação a abril, mas subiu 1,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado.


EDUCAÇÃO POLÍTICA ATINGE 1.000 VISUALIZAÇÕES

25 Junho, 2008

 

É realmente empolgante e impressionante a comunicação na Internet. Só mesmo participando ativamente pode-se ter uma idéia da sua magnitude. Em menos de dois meses de existência, este blog já registrou, pelos dados do próprio wordpress, 1.000 visualizações. Veja abaixo dois comentários de internautas que ajudaram a construir este espaço. No comentário de Leonardo Betti, um link com uma inusitada entrevista da Fox News:

 

Educação Política é você quem faz - 2

Luís Mello:

Em uma aula de contabilidade que tive, em um daqueles momentos “lembrem-se, alunos, eu nunca disse isso”, o professor contava alguns “macetes” legais para enrolar a tributação ao longo de 15 anos, com direito a desconto (!), para pessoas jurídicas…

De COBRANÇA ÁGIL DE DEVEDORES EM LUGAR DA CSS, 2008/06/18 at 9:09 PM

 

Léo Betti:

Acho que pior que a Lucia mesmo só o Carlos Alberto Sardemberg, esse sim é o máximo da arrogância vestida de jornalismo republicano isento e imparcial. Todo dia de manhã preciso aguentar esse cara sem dicção falar os maiores absurdos da cartilha liberal… hoje de manhã ele mencionou que o “mercado” (fico pensando nessa expressão, seria a quitanda da esquina? porke ele não explica o que é “mercado?”)  estava esbravejando contra os impostos da conta poupança, já que estariam rendendo demais com o desconto da alíquota do IR. Coitado de quem não tem o mínimo de conhecimento sobre econômia, que nem se pergunta a quem o Sardemberg serve!
Agora, discordo sobre a falta de criatividade da CBN. Acho que dá pra salvar o André Trigueiro, esse sim um momento inovador e de reflexão no rádio. Gosto bastante!
Falando em jornalistas canaaaalhas, Glaucão dá uma olhada nesse vídeo da Fox:
http://blogdomello.blogspot.com/2008/01/1109-jornalistas-da-fox-agridem.html
Vale a pena! Que os deuses salvem a internet e a “esfera pública alternativa”!
Abraços, Léo Betti

De LÚCIA HIPÓLITO OU PORQUE A REDE GLOBO PERDE AUDIÊNCIA, 2008/06/18 at 8:37 PM


ANÁLISE SOBRE O GOVERNO LULA E A COMUNICAÇÃO

25 Junho, 2008

 

MÍDIA & PODER

Por que o governo Lula perdeu a batalha da comunicação

A mídia na era Lula deixou de funcionar como mediadora da política, passando a atuar diretamente como um partido político de oposição. Apesar de disputarem agressivamente o mercado entre si, há mais unidade programática hoje entre os veículos da mídia oligárquica do que no interior de qualquer partido político brasileiro, até mesmo partidos ideológicos como o PT e o PSOL. Todos os grandes veículos, sem exceção, apóiam as privatizações, a contenção dos gastos públicos, a redução de impostos; a obtenção de um maior superávit primário, a adesão do Brasil à ALCA; todos são críticos à criação de um fundo soberano, ao controle na entrada de capitais, ao Bolsa Família, à política de cotas nas universidades para negros, índios e alunos oriundos da escola pública, à entrada de Venezuela no Mercosul e ao próprio Mercosul. Todos criticam o governo sistematicamente, em todas as frentes da administração, faça o governo o que fizer ou deixar de fazer.

Na campanha da grande imprensa que levou Vargas ao suicídio, o governo ainda contava como apoio da poderosa cadeia nacional de jornais Última Hora. Hoje, não há exceção entre os grandes jornais. Outra diferença desta vez é a adesão ampla de jornalistas à postura de oposição, e sua disseminação por todos os gêneros jornalísticos tornando-se uma sub-cultura profissional. Emulada por editores, prestigiada por jornalistas bem sucedidos e comandada pelos intelectuais orgânicos das redações, os colunistas, essa sub-cultura é dotada de um modo narrativo e jargão próprios.

Em contraste com o jornalismo clássico, que trabalha com assertivas verazes para esclarecer fatos concretos, sua narrativa não tem o objetivo de esclarecer e sim o de convencer o leitor de determinada acusação, usando como fio condutores seqüências de ilações. É ao mesmo tempo grosseira na omissão inescrupulosa de fatos que poderiam criar outras narrativas , e sofisticada na forma maliciosa como manipula falas, datas e números. O enunciador dessa narrativa conhece os bastidores do poder e não precisar provar suas assertivas. VEJA acusou o PT de receber dinheiro de Cuba, admitindo na própria narrativa não ter provas de que isso tenha acontecido. Em outra ocasião, justificou a acusação alegando não haver nenhuma prova de que aquilo não havia acontecido.

Trata-se de uma sub- cultura agressiva. Chegam a atacar colegas jornalistas que a ela se recusaram a aderir , criando nas redações um ambiente adverso a nuances de interpretação ou divergências de análise. O meta-sentido construído por essa narrativa é o de que o governo Lula é o mais corrupto da história do Brasil, é incompetente, trapalhão, só tem alto índice de aprovação porque o povo é ignorante ou se deixa levar pelo bolso, não pela cabeça.

Levantam como principal bandeira o repúdio à corrupção. Mas como quase todo o moralismo em política, trata-se de mais uma modalidade de falso moralismo: é o “moralismo dirigido” que denuncia os “ mensaleiros do PT” e deixa pra lá o valerioduto dos tucanos, onde tudo de fato começou, e mais recentemente o escândalo do Detran de Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul onde tudo continua. É “ moralismo instrumental”, que visa menos o restabelecimento da ética e mais a destruição do PT e do petismo.

O que poucos sabem é que essa sub-cultura se tornou dominante graças a uma mãozinha da Globo. Quando foi revelada em fevereiro de 2004 a propina recebida dois anos antes por Waldomiro Diniz, sub-chefe da assessoria parlamentar da Casa Civil do governo Lula, a Globo vislumbrou a oportunidade de uma ofensiva de caráter estratégico: cortar o barato do petismo e de sua ameaça de governar o Brasil por 40 anos. Com esse objetivo, mudou o modus operandi do seu jornalismo político. Logo depois das denúncias de Roberto Jefferson, criou uma central de operações, em Brasília, unificando as coberturas de política da TV, CBN e jornal O Globo sob o comando de Ali Kamel, que para isso se deslocou para Brasília.

Em quase todas as campanhas eleitorais os grandes jornais criam uma instância adicional de decisão sob o comando de alguem de confiança da casa, que passa a centralizar toda a cobertura política. A central coordenada por Ali Kamel em Brasília reflete essa passagem de um jornalismo normal para um jornalismo de campanha, apesar de não estar em curso uma campanha eleitoral.

A central de Brasília, dizem jornalistas que trabalharam no sistema Globo, formou uma espécie de “gabinete de crise” com líderes da oposição do qual faziam parte ACM Neto e Paes de Andrade, pautando-os e por eles se pautando. Vários jornalistas faziam parte da operação, cada um encarregado de uma “fonte” da oposição. Tinham a ordem de repercutir junto àquela fonte, todos os dias, falas e acusações, matérias do dia anterior, entrevistando sempre os mesmos protagonistas: Heloísa Helena, ACM Neto, Gabeira , Onix Lorenzoni. No dia seguinte, os jornais davam essas falas em manchete, como se fosse fatos. Assim surgiu todo um processo de construção de um relato da crise destinado a se tornar a narrativa dominante e única.

A VEJA lançara sua própria operação de objetivos estratégicos muito antes. Entre 2003 e 2006, VEJA produziu 50 capas contra Lula , sendo 18 delas consecutivas.

Quando surgiu a fita de Waldomiro Diniz, a revista revelou esse objetivo em ato falho : “Os ares em torno do Palácio tinham na semana passada sabor de fim de governo.”
(Leia mais em Carta Maior)

 

 


CHEQUE, ESPECIAL PARA OS BANCOS

24 Junho, 2008

O cheque especial é especial somente para os bancos. Imagina uma taxa de juro de 157% ao ano. É o mesmo que pegar R$ 10 mil emprestado em Janeiro e pagar mais de R$ 25,7 mil em dezembro. Pode colocar especial nisso!

Juros do cheque especial sobem para 157,1% ao ano em maio

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Os juros cobrados pelo uso do cheque especial continuam em alta. Em maio chegaram a 157,1% ao ano, contra os 152,7% ao ano registrados no mês anterior. O aumento foi de 4,4 pontos percentuais de um mês para o outro e no ano foi de 19 pontos percentuais. Os dados foram divulgados hoje (24) pelo Banco Central.

A taxa média de juros (pessoas físicas e jurídicas) passou de 37,4% ao ano, em abril, para 37,6 % ao ano em maio. Nos 12 meses fechados em maio, a taxa média subiu 0,4%. No ano, a alta é de 3,8%.

Os juros anuais do crédito pessoal, que inclui operações com desconto em folha de pagamento, passaram de 50,6% em abril para 48,4% em maio. Na aquisição de veículos, a taxa subiu de 29,8% ao ano para 30,6% ao ano.

O spread, diferença entre o que os bancos pagam nos investimentos (captação) e o que cobram na concessão do empréstimo (financiamentos) ficou em 14,5 pontos percentuais para empresas, 33,5 pontos percentuais para pessoas físicas e 24,5 pontos percentuais no total. Boa parte do lucro dos bancos vem do spread. Em 12 meses encerrados em maio, o spread para as empresas subiu 1,7%, para as famílias houve redução de 4%, e no total foi registrada redução de 1,5%.


A JUSTIÇA NÃO PRECISA DE DINHEIRO, MAS DE INTELIGÊNCIA E VONTADE POLÍTICA

24 Junho, 2008

A vontade política não está faltando somente entre os políticos. É necessário ter vontade política também na Justiça. Veja na matéria abaixo como é possível desafogar a justiça do Brasil e deixar mais ágeis vários processos. O juiz Carlos Henrique de Oliveira já desenvolveu uma tecnologia que diminui os custos do Estado e faz a Justiça funcionar. Se houvesse um programa de treinamento e reciclagem de juizes com o intuito de expandir essas boas experiências, poderíamos melhorar muito a Justiça do Brasil.

É muito comum a choradeira e a desculpa de que as coisas não funcionam por falta de recursos, seja na Educação, na Política, na Justiça ou na Saúde, mas isso às vezes é realmente só desculpa.

Veja também:

Já sabemos como melhorar a educação no Brasil

Educação Política

Educação: nossa utopia

 

Com conciliação, pequena cidade do Paraná resolve quase 90% de ações trabalhistas

Lúcia Nórcio
Repórter da Agência Brasil

Curitiba - O município paranaense de Irati tem um dos mais altos índices de conciliação trabalhista, dentre os casos registrados nas Varas da Justiça do Trabalho do estado. Ali, o índice de acordos oscila entre 80% a 87%.

O Sistema Alternativo de Solução de Conflitos Trabalhistas, que prevê a conciliação como forma de resolver pendências, tem sido foco do trabalho do juiz Carlos Henrique de Oliveira Mendonça, em Irati.

Sob sua coordenação, foram realizados 300 acordos em um ano. “Uma ação trabalhista que poderia se estender por até dez anos, com recursos das partes, grande quantidade de documentos anexados, processos volumosos, é reduzida a um simples processo de, no máximo, seis folhas”, conta o juiz. As sentenças dadas por ele saem em até dez dias, a contar do início da ação.

Além das partes, ganha também o Estado. O juiz menciona que, no Brasil, tramitam, em média, 7 milhões de ações trabalhistas por ano. Cada uma delas tem um custo para os cofres da União em torno de R$ 1 mil. No sistema de conciliação adotado pelo juiz Carlos Henrique, as despesas não ultrapassam a quantia de R$ 0,30, valor correspondente apenas aos gastos com envelopes, correios e papéis, já que a estrutura utilizada é a da secretaria da Vara do Trabalho de Irati.

A jurisdição da Comarca de Irati abrange outros nove municípios do Sul do Paraná, Fernandes Pinheiro, Guamiranga, Imbituva, Inácio Martins, Mallet, Prudentópolis, Rebouças, Rio Azul e Teixeira Soares.

Todas as quartas-feiras, a população dessas cidades pode apelar ao programa criado pelo juiz Carlos Henrique, denominado “Converse com o Juiz”. Sem qualquer formalidade e desacompanhado de advogado, qualquer trabalhador tem oportunidade de apresentar sua queixa ou dúvida acerca da relação de trabalho diretamente ao magistrado e à sua equipe, de oito auxiliares.

A partir do recebimento da queixa, o empregador é imediatamente comunicado e convidado a comparecer à sede do juízo, com data e hora marcadas. Em geral, essa reunião de conciliação ocorre já na semana seguinte à do início do processo. Os patrões também são dispensados do acompanhamento de advogado, bastando que levem os documentos relativos ao contrato de trabalho do funcionário.

Numa audiência simplificada, o juiz relata os itens básicos da queixa trabalhista, analisa a documentação levada pelo empregador e dá início à conciliação.Para facilitar a negociação, Carlos Henrique defende que as partes sejam ouvidas em ambientes separados.

A prática que ele adota é ouvir as queixas de cada um e aplicar conhecimentos de psicologia. Para evitar o máximo possível o conflito, ele costuma explicar o que cada um tem a perder. Obtido o acordo, automaticamente a queixa inicial dá origem ao processo e, no mesmo ato, é lavrada a Ata de Audiência e formalizada a conciliação.

Nessa ata, são estabelecidas todas as condições do acordo: valores monetários, forma de pagamento, anotações da Carteira de Trabalho, discriminação da natureza jurídica das parcelas pagas e prazos para o cumprimento das obrigações fiscais e previdenciária.

Para a garantia do trabalhador, a homologação judicial da conciliação somente ocorre após o pagamento da última parcela acordada. “Assim, se um acordo não for honrado, o autor poderá se valer de um processo formal”, explicou.

O Sistema Alternativo de Solução de Conflitos Trabalhistas pode ser adotado em qualquer cidade, principalmente naquelas que têm um número grande de Varas do Trabalho.

O juiz Carlos Henrique sugere que em grandes centros sejam feitos contratos com estudantes de Direito para ampliar o atendimento. “As soluções estão aí, só falta boa vontade para que a Justiça do Trabalho resgate agilidade e credibilidade.”