O caminhoneiro filósofo

A estrada também nada sabe (foto: Andre Kenji/cc)
Estava em uma estrada longa e sonolenta, quando avistou aquela frase a despertar a razão. A rodovia se estendia em uma reta e se podia mirar ao longe o sobe e desce da pista ou o tempo sendo consumido pela distância.
Parece que não havia fim e já não se podia, pelo retrovisor, enxergar o início.
Na verdade, sempre se começa pelo meio, como a nossa vida. Entramos, percorremos um trajeto, e depois abandonamos.
Naquela estrada, uma das poucas distrações eram as frases de caminhão, hoje já raras e sem graça.
Mas uma frase espantou-me porque me colocou diante de um caminhoneiro filósofo. No meio do sol forte do meio dia, o caminhão lentamente seguia e dizia: “tudo o que sei é que nada sei”.
O caminhoneiro seguia assim como a estrada, que também nada sabe, e precisa de placa para se encontrar.






(Glauco Cortez)