O programa CQC, comandado por Marcelo Tas na Band, dá um show de humor e jornalismo. Melhor que muito jornal que se diz sério.
O programa CQC, comandado por Marcelo Tas na Band, dá um show de humor e jornalismo. Melhor que muito jornal que se diz sério.
O Supremo Tribunal Federal está para decidir sobre a necessidade do diploma para jornalistas. Se o jornalismo com diploma já está desse jeito (veja abaixo), imaginem sem o diploma. O que precisaria é de um Conselho Federal de Jornalismo para analisar esses casos abaixo.
DIREITO DE RESPOSTA
A imprensa de DantasPor Luiz Roberto Demarco em 12/8/2008
Há quase uma década travo uma disputa jurídica com Daniel Dantas. A iniciativa foi dele, e a vitória foi minha. O modus operandi de Dantas, revelado fartamente pela imprensa brasileira no bojo da Operação Satiagraha, não é novidade para mais de uma dezena de juízes britânicos que, em diversas instâncias, sentenciaram os irmãos Dantas e colaboradores do Opportunity como “mentirosos”, “defraudadores”, “desacatadores de ordem judicial” etc.
As sentenças são definitivas e inapeláveis. As de última instância estão disponíveis no site do Her Majesty Privy Council (Suprema Corte Britânica) e constituem jurisprudência [ver aqui (item 44) e aqui (item 16)].
Sou proprietário de empresas de tecnologia de software de internet. Comecei do zero, não tive herança, não tenho dívidas e nunca tive qualquer tipo de financiamento público, ajuda de bancos estatais ou de fundos de pensão. Minhas empresas atendem a mais de 400 clientes em 18 países, sendo que 98% desses clientes, com suas receitas respectivas, são provenientes do setor privado. Não tenho ligação com nenhum partido político, não possuo ONG, nem “Lojinha do PT”. Uma de minhas empresas é fornecedora de software de comércio eletrônico, utilizado por inúmeros clientes, avaliado em 2002 também pelo PSDB e pelo PFL, e o sistema é hoje modelo-base da disputa eleitoral americana na internet.
A introdução acima se faz necessária, para entender melhor as motivações da imprensa que opera a serviço dos interesses de Daniel Dantas. Entre um punhado de cunhados cúmplices e um exército de advogados milionários, a imprensa se tornou o principal baluarte de Dantas para operar suas estratégias pouco ortodoxas, visando manipular a opinião pública com o intuito de influenciar os poderes institucionais constituídos.
O trio ACM
A imprensa de Dantas é alicerçada no tripé ACM (Attuch, Chaer, Mainardi). Com seus estilos próprios, esses três jornalistas convergem de forma concatenada para atender aos desejos do banqueiro, há anos.
Leonardo Attuch é do inner circle de Dantas. Vai além de escrever centenas de notas e matérias alinhadas 100% com os interesses e as teses pirotécnicas do banqueiro. Tornou-se uma espécie de lobista junto a jornalistas, ligando para as redações ou colocando palavras na boca de seus entrevistados, como denunciou recentemente um italiano ao revelar suas trocas de e-mails com Attuch.
Em março de 2007, a Folha de S.Paulo noticiou que Daniel Dantas comprara 51% da Editora Três, onde trabalha Attuch. Na ocasião da compra os salários estavam atrasados e os jornalistas estavam em greve. Oficialmente a venda não ocorreu, nem para Dantas nem para outro comprador. Mas, ao que se sabe, desde então as contas da Editora Três estão em dia.
Diogo Mainardi sacrificou sua posição de colunista popular para escrever as teorias de Dantas sobre um inquérito italiano. São inúmeras colunas e podcasts sobre o assunto, enquanto seus próprios leitores o jogavam para o esquecimento na seção de Cartas da Veja. Ele me incluiu entre os seus alvos principais, com uma série de calúnias e difamações baseadas em ilações e insinuações falsas, cujo principal objetivo era ajudar Dantas a tentar se safar do Caso Kroll, do qual sou vítima e assistente da acusação.
Em 28/04/2005, Dantas fez um negócio com a Telecom Itália. Levou 50 milhões de euros a troco de nada. O negócio não saiu e o dinheiro nunca foi devolvido. Nem o principal, nem a comissão milionária paga ao seu amigo Naji Nahas. O assunto atinge em cheio um atual ministro de Estado. Mainardi tenta valer-se politicamente da questão italiana, mas nunca tocou no seu cerne – os 50 milhões de euros pagos a Dantas e sua relação com um ministro do governo que ele ataca.
O trio ACM (Attuch, Chaer, Mainardi) escreve as estórias em sincronismo. No dia 29/7/2008, Márcio Chaer escreveu neste Observatório um artigo ["A imprensa quer culpados"] que pretendia transformar em réus o delegado, o promotor e o juiz que prenderam Daniel Dantas. No mesmo dia, Mainardi ataca uma procuradora do MPF. Ambos usam a palavra “fascismo” nos seus textos. O artigo de Chaer teve 190 comentários, quase todos contrários ao articulista. Ao invés de debater seus pontos de vista, Chaer preferiu fazer o que faz quando monta notícias que interessam a Daniel Dantas. Atribuiu a autoria de comentários negativos sobre ele, como se tivessem sido feitos por mim. Claro que a verdade não o favorece. No passado, Leonardo Attuch forjou, junto com gente do Opportunity, o mesmo tipo de ataque, e a Justiça não lhes deu razão. Coincidentemente, a desqualificação é a principal linha de atuação de Dantas contra tudo e todos que contrariam seus interesses.
Jornalismo dublê
Dentro do trio ACM, sem dúvida aquele que mais se distancia de qualquer juramento do jornalismo é Márcio Chaer. Não se sabe se ele é jornalista, empresário ou assessor de imprensa. Ele mesmo assina ora como uma coisa, ora como outra. É proprietário da Dublê Editorial Ltda., que edita a revista eletrônica Consultor Jurídico. Em seu site a revista se define como “uma publicação independente sobre Direito e Justiça”, traz Márcio Chaer como Diretor e membro do Conselho Editorial, e avisa que a redação funciona na Rua Wisard 23, na Vila Madalena, em São Paulo.
No mesmo endereço funciona a assessoria de imprensa de Chaer, a Original123. O site mostra o próprio comandando a assessoria. Ou seja, o mesmo personagem que escreve artigos como jornalista, assessora os que são noticiados nos seus artigos, que lhe pagam como assessor de imprensa.
Em novembro de 2007, o site da Original trazia uma relação de seus clientes. Mais de 80% eram advogados, interessados obviamente na publicação ou omissão das notícias “independentes” do Consultor Jurídico de Márcio Chaer. Vários desses advogados aparecem em uma representação da Brasil Telecom à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por superfaturamento de honorários. Entre eles, conforme noticiado, José Luis Oliveira Lima, advogado de Chaer, que recebeu R$1,05 milhão da BrT para defesa de interesses de Daniel Dantas. Outro cliente, Wald Advogados, recebeu R$18,8 milhões em honorários da Brasil Telecom, por 15 meses de trabalho entre 2004 e 2005. No expediente do ConJur aparece ainda um outro advogado de Dantas – Alberto Zacharias Toron – como “colaborador”.
Em 05/08/2003, Chaer enviou proposta a Humberto Braz, braço direito de Daniel Dantas e preso por flagrante de suborno de um delegado da PF. Na proposta, intitulada “Serviço de Imprensa”, o jornalista se prontificava a desenvolver trabalho de acompanhamento do contencioso da Brasil Telecom “de forma a trabalhar as informações de interesse da imprensa e que possam influenciar não só o entendimento da Justiça como também desestimular ajuizamento de ações contra a Companhia” e a criar, na internet, um “canal de comunicação com a comunidade jurídica – em especial, com a Magistratura – para oferecer subsídios e argumentos técnicos que possam ser usados em favor da Brasil Telecom no meio judicial, seja em julgamentos, seja para formar o convencimento de juízes“.
No site atual da Original a lista de clientes desapareceu. Uma busca detalhada no ConJur, das notícias relacionadas aos advogados clientes da Original e dos clientes desses advogados, revela, na parcialidade e na omissão, onde estão os verdadeiros compromissos de Chaer. Se se juntar isto a uma análise detalhada das origens e destinos dos honorários superfaturados dos advogados de Daniel Dantas, evidencia-se uma boa oportunidade para a manifestação da Fenaj, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público Federal (MPF).
Estado de corrupção
Não vivemos em um “Estado Policial” como alguns querem fazer crer. O Brasil vive verdadeiramente um “Estado de Corrupção”. O país perde, por ano, 160 bilhões de reais com corrupção e fraude, puxados principalmente pelos crimes de colarinho branco. Isso daria para construir cerca de 2 mil hospitais, 4 mil escolas ou 5 milhões de casas populares. São recursos desviados ilegalmente de brasileiros pobres para criminosos inescrupulosos com dinheiro, formação acadêmica, terno e gravata. A Constituição prevê que todos os brasileiros sejam iguais perante a lei, não importando se eles são banqueiros, advogados, jornalistas ou dublês. (Observatório da Imprensa)
Paulo Henrique Amorim faz comentários sobre esse textos
Em 2005, a revista Carta Capital fez a seguinte publicidade com o título:
NADA CONTRA OS COELHOS, MAS ALGUÉM PRECISA FICAR DE OLHO NAS RAPOSAS

Acho que nunca a publicidade foi tão cruel com a grande mídia.
Quem diria, a publicidade ensinando jornalismo.
Ou melhor: durante anos os grandes conglomerados de mídia “acreditaram” (você acha que eles acreditaram?) em um grande empresário, Daniel Dantas. Na verdade, uma cria do PSDB durante as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso.
Para a grande mídia ficar babando no texto durante anos, só tem duas explicações: manipulação ou incompetência. Você Decide!
Leia também:
Por Luiz Nassif
De modo surpreendente, no seu podcast de hoje (29/07) Diogo Mainardi acabou entregando o jogo em que se meteu no caso Opportunity. leia aqui ou ouça aqui:
“Li que a procuradora Anamara Osório cuida do caso Kroll, a empresa contratada por Daniel Dantas para espionar a Telecom Italia. Nesse caso, antes de me acusar de maneira absurdamente leviana, ela deveria ter se informado a meu respeito com a antiga diretoria da Telecom Italia, aquela que combateu a Kroll. Isso teria evitado que ela quebrasse a cara de um jeito vexaminoso. Paolo dal Pino, o presidente da Telecom Italia na época da batalha contra Daniel Dantas, é meu amigo fraterno. Nossa amizade sempre me impediu de considerá-lo uma fonte. Mas ele acompanhou de perto meu trabalho. E me apresentou a uma penca de dirigentes da Telecom Italia. Com o tempo, esses dirigentes se tornaram minhas fontes, e me ajudaram a entender o que ocorria no setor de telefonia, fornecendo-me documentos e testemunhos diretos do envolvimento da companhia com o governo. Daniel Dantas? Daniel Dantas era o inimigo dessa gente toda. O inimigo de minhas fontes.”
O curioso é que, no ataque que fez contra mim na Veja, Mainardi me acusa de trabalhar para a Telecom Itália - o mesmo grupo que ele admite, no podcast, ser sua fonte através do seu fraterno amigo, dal Pino. Em todo esse período joga com a confusão para obter álibis. Chega a hora em que a esperteza acaba por comer o esperto - para usar um provérbio mineiro.
Em “O Caso de Veja”, no capítulo “O quarteto de Veja” (escrito meses e meses atrás) situo claramente o momento da adesão de Veja e Mainardi a Daniel Dantas.
Em meados de 2005, provavelmente entre maio e junho, a relação se amplia. 18 de maio de 2005 é a data do último ataque (de Veja) a Dantas; 15 de junho de 2005 o início ostensivo da mudança de rota.
No dia 28 de abril de 2005 foi anunciado o acordo entre a Telecom Itália e Daniel Dantas, amplamente noticiado na imprensa.
Leia aqui na “Folha”:
A paz entre o banco Opportunity e a Telecom Italia foi selada ontem. O acordo custou 341 milhões, cerca de R$ 1,2 bilhão, aos italianos e a renúncia do Opportunity ao controle da Brasil Telecom, operadora de telefonia fixa da região Centro-Oeste.
Ou seja, quando Mainardi entrou de cabeça no jogo, ao contrário do que ele tenta passar, Telecom Italia e Opportunity já tinham se tornado aliados. E o mentor da aliança, do lado italiano, foi justamente seu fraterno amigo Paolo dal Pino. Sua outra fonte, conforme ele próprio já admitiu, era Daniel Dantas.
Na época, Mainardi fazia o jogo de Dantas; e fazia o jogo da Telecom Italia. E fazia porque a Telecom Italia passou a fazer o jogo de Dantas.
No recente episódio do Inquérito italiano, e sua tentativa de influenciar o Inquérito da Kroll, no Brasil, o jogo só tinha um lado interessado, Daniel Dantas, já que a parceria com os italianos se encerrou há tempos e eles só estão envolvidos no inquérito que corre na Itália.
Não sei se por pânico ou o quê mais, por desespero atrás de um álibi qualquer, Mainardi acabou entregando-se de bandeja, jogando com datas e imaginando que o engodo passaria em branco.
Carta Capital publicou matéria sobre a cobertura da imprensa
Viva o Jornalismo Investigativo
O jornalismo “investigativo” brasileiro manifesta-se, em todo seu esplendor, nestes dias posteriores à Operação Satiagraha. Os bravos repórteres dedicam-se à estafante tarefa de recortar e colar partes do relatório parcial da Polícia Federal – ou reproduzir informações assopradas de afogdilho por alguma fonte com acesso privilegiado às investigações.
Análise, interpretação dos trechos truncados? Seria demais esperar isso, como seria demais que se dessem ao simples trabalho de checar se determinados “furos” já não são de conhecimento até do mundo mineral.
Algumas das tantas “reportagens” que brotam na extensa cobertura da chamada “grande imprensa” foram relatadas em várias edições de CartaCapital em passado não tão longíquo. Era o auge do escândalo do “mensalão” e o dito jornalismo investigativo andava mais preocupado com o dinheiro na cueca de um assessor parlamentar no Ceará e os supostos dólares de Cuba.
Para facilitar o trabalho deste time de investigadores da imprensa, agora heróis da liberdade e da apuração exaustiva, a revista lista a seguir as edições onde eles podem achar mais informações para enriquecer seu trabalho. Bom proveito.
Edição 348, de 29 de Junho de 2005 – A reportagem O orelhudo tá nessa, a partir da página 28, narra a participação de Daniel Dantas no Valerioduto e conta como petistas, entre eles Sílvio Pereira, Delúbio Soares e José Dirceu, defenderam interesses do Opportunity no governo. O nome do advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, vulgo Kakay, amigo de Dirceu, é apresentado como intermediário entre Dantas e o ex-ministro da Casa Civil. Atenção jornalistas investigativos, um executivo do Citibank contou a CartaCapital um diálogo com Dantas. O banqueiro brasileiro disse à turma do Citi que havia pagado 5 milhões (não disse se dólares ou reais) a Kakay para resolver seus problemas no governo.
Edição 354, de 10 de agosto de 2005 – Em A Conexão Lisboa, CartaCapital conta os objetivos da viagem do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza a Portugal. O resto da imprensa atribuiu a viagem, da qual também participou Emerson Palmieri, tesoureiro do PTB, como lobby pela privatização do IRB, a empresa de resseguros do governo. Marcos Valério teria se apresentado como “representante do governo” na ocasião. A revista revelou que o motivo da viagem foi discutir a venda da Telemig Celular à Portugal Telecom. O plano de Dantas era negociar a empresa de telefonia celular mineira com os portugueses e usar o dinheiro para comprar a Brasil Telecom dos demais sócios (Citi e Telecom Itália), mantendo os fundos de pensão como minoritários. O problema era a oposição destes fundos. O mais firme opositor era Sérgio Rosa, presidente da Previ (fundo dos funcionários do Banco do Brasil). A idéia era demover Rosa da presidência da fundação e agir para que Henrique Pizzolatto assumisse o posto. Pizzolatto recebeu dinheiro do Valerioduto e agiu a favor de DD neste episódio. Uma auditoria da Brasil Telecom apontou mais tarde que o Opportunity provocou prejuízos de 600 milhões de reais à operadora, ao usar a estrutura e dinheiro da companhia em proveito próprio.
Edição 363, de 12 de outubro de 2005 – A reportagem Segredos do Brasil conta a expectativa de autoridades quanto à abertura e o conteúdo do disco rígido dos computadores do Opportunity (os dados do HD são um dos sutentáculos da Operação Satiagraha). Relata-se ainda a pressão que o então ministro José Dirceu teria exercido sobre o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Polícia Federal a favor de Dantas. Conta-se, por fim, as tentativas de desqualificação de Edson Vidigal, então ministro do STJ, que deu decisões desfavoráveis ao Opportunity.
Edição 377, de 25 de janeiro de 2006 – Na quarta-feira, 16, a Folha de S. Paulo revela aos seus leitores ter tido acesso a um documento que CartaCapital publicou com detalhes mais de dois anos atrás. Em A agenda e a crise, descreve-se os encontros de Humberto Braz, à época presidente da Brasil Telecom Participações e atualmente preso por tentar corromper um delegado federal que atuou na Satiagraha, com figuras centrais do chamado “mensalão”. Estão lá, além de Marcos Valério, Ivan Guimarães, Duda Mendonça, Kakay, Cristiano Paes, entre outros. Braz também se reuniu 15 vezes com Eduardo Rascovisky, lobista carioca que tentou corromper o marido da juíza Márcia Cunha, segundo relato da própria magistrada. Titular da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Márcia Cunha tinha tomado decisões contrárias aos interesses do Opportunity na disputa pelo controle das empresas de telefonia. Como o suborno não funcionou, a juíza passou a ser alvo de ataques. Um dossiê contra ela foi parar na imprensa. Márcia Cunha respondeu a um processo administrativo no tribunal e a quatro pedidos de suspeição feitos por advogados de Dantas.
Edição 395, de 31 de maio de 2006 - Dantas e os petistas expõe as relações de próceres do PT com Dantas, a partir da estranha reunião na casa do senador Heráclito Fortes após a divulgação, por Veja, de contas falsas do presidente Lula, ministros e autoridades. A revista do grupo Abril atribuiu o dossiê a Dantas. Na casa de Fortes, e na presença do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e dos deputados petistas Simaringa Seixas e José Eduardo Cardozo, o banqueiro negou ter sido autor do dossiê (acabou indicado, no ano passado, por calúnia). CartaCapital contou como Cardozo havia defendido interesses do Opportunity ao solicitar uma investigação da venda da CRT, operadora do Rio Grande do Sul, à Brasil Telecom. Essa operação serviu para Dantas encobrir os reais motivos da contratação da Kroll para bisbilhotar desafetos e concorrentes.
Edição 396, de 7 de junho de 2006 - A Fábrica de Dossiês revelou há dois anos o que O Estado de S. Paulo acaba de descobrir: Dantas mandou espionar juízes. É uma longa lista de documentos apreendidos por conta da Operação Chacal, em 2004. Nos dossiês há referências a tucanos, petistas, policiais federais, magistrados e empresários nacionais e estrangeiros.
A grande imprensa do Brasil, praticamente sem exceção, fez serviço de assessoria de imprensa para o Consórcio Via Amarela, que foi responsabilizado em laudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) da USP e pelo Ministério Público de ser o responsável pela gigante cratera do Metrô. O acidente, ocorrido em Janeiro de 2007, causou a morte de sete pessoas, além de engolir automóveis e destruir casas.
A grande imprensa deu em destaque a notícia (?) de que o Consórcio Via Amarela contesta o laudo do IPT e do Ministério Público. Um dos princípios básicos da notícia é a sua improbabilidade. Ora, notícia seria se o Consórcio tivesse assumido a culpa. “Sim, nós somos o culpado!”. Que o Consórcio iria fazer um laudo para isentar sua culpa com consultores “independentes”, isso todo mundo já sabia. Não é notícia.
Veja matéria sobre laudo do IPT na Folha Online
Inocente, acusado e condenado.
Os jornalistas precisam estar atentos, caso desejem fazer um bom trabalho, aos conceitos de inocente, acusado (indiciado) e condenado. A defesa de criminosos tenta a todo custo igualar o acusado ao inocente, mas há aqui uma diferença muito grande e que precisa ser esclarecida.
É óbvio que o acusado pela justiça não pode ser considerado condenado, mas igualmente não pode ser considerado inocente. Não se pode colocar na mesma balança um indivíduo que tem dez acusações, que foi investigado durante anos pelo Ministério Público e pela Polícia e outro que nunca foi acusado de absolutamente nada, ainda que ambos não tenham sido condenados. Se sobre um indivíduo pesa uma ou uma série de acusações, ele deixa de ser inocente. Ele só será inocente novamente quando for inocentado pela justiça, assim como só será condenado quando for sentenciado pela justiça.
Inocentes são pessoas que nunca foram acusadas formalmente, isentos de malícia, singelos, cândidos, puros. Daí se diz que uma criança é inocente. Acusado já é algo bem diferente. O acusado é suspeito, denunciado, perdeu a inocência; é réu em um processo cível ou criminal. Obviamente, somente o acusado pode ser condenado. Se o jornalista trata o acusado como inocente, como fazem os advogados de criminosos, está colocando todo o trabalho, às vezes de anos da justiça, sob suspeição.
O relatório do delegado Protógenes Queiroz, encaminhado ao Juiz Fausto Martin de Sanctis - que serviu de base para o pedido de prisão de Daniel Dantas e outros réus – acusa diretamente as revistas IstoÉ Dinheiro e Veja e os jornalistas Leonardo Attuch, Lauro Jardim e Diogo Mainardi de colaborarem com uma organização criminosa. Mainardi é explicitamente apontado como “jornalista colaborador da organização criminosa”.
O nome do documento é “Relatório Encaminhado ao Juiz Federal Fausto Martin de Sanctis”. É o Inquérito Policial 12-0233/2008. Nele consta Procedimento Criminal Diverso no. 2007.61.81.010.20817.
Foi preparado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros do Departamento da Polícia Federal
Um texto sensacional, Veja e o meu pai, está publicado no site do Luiz Carlos Azenha.
Há uma grande repercussão. Um dos comentaristas faz um novo slogan para a revista:
VEJA, a indefensável.
Veja abaixo:
Uma verdadeira aula de jornalismo:
“A AUDIÊNCIA CAI DEVIDO A PESSOAS PRECONCEITUOSAS”
Atualizado em 17 de junho de 2008 às 21:42 |
Publicado em 16 de junho de 2008 às 21:16
por Emerson Luis, no Nas Retinas, em 16 de junho de 2008Vejam, ou melhor ouçam, a classe da colunista (?) Lucia Hippolito na CBN. Quem merece acordar pela manhã, ligar o rádio, e ouvir coisas tão absurdas nas análises desta “especialista”?
Os proprietários dos veículos conservadores não entendem porque a cada dia perdem audiência para a Internet e outros veículos alternativos. Eu explico: a audiência cai devido a pessoas preconceituosas como Lucia Hippolito.
Em seu comentário pela manhã na CBN ela simplesmente conseguiu aliar a derrota da seleção brasileira ao presidente Lula, desqualificando-o para exercer o cargo de presidente da república. Ou seja, se a seleção perdeu, a culpa é do despreparado do Lula.
É a fina flor do jornalismo de caserna. Ao acordar de mau humor numa segunda-feira, Lucia usa o microfone para exercer o preconceito de classe, como pessoa culta e preparada que é. Obviamente, não admite que um cidadão com histórico político ganhe as eleições e assuma o cargo de chefe máximo da nação.
Lucia, uma dica: 2010 está ai. Pq vc, que é uma pessoa preparada, equilibrada, culta, que tem faculdade, doutorado e mestrado não se candidata para o cargo?
Indo mais além na sua forma sabotadora de comunicação, aliada a apatia de uma das rádios mais sem criatividade que já surgiram no Brasil, Lucia ainda chama a ministra Dilma, que nem é candidata a nada, de despreparada, a roldão do presidente Lula.
Leiam o trecho citado, literalmente: “Uma das coisas que talvez o presidente Lula tenha feito mal para o país, porque as pessoas acham que podem, de repente, se candidatar presidência da República sem nunca ter feito nada. Olhe o Dunga, nunca foi técnico nem do time da esquina da rua dele. Agora já virou técnico da seleção brasileira e acha que sabe tudo. Olhe a ministra Dilma [Roussef], nunca administrou nada a não ser a Casa Civil, com esses problemas todos que ela está tendo, já acha que pode ser presidente da República. Dureza, hein?”
Literalmente foi isso que se ouviu hoje pela manhã em uma das principais redes de rádio do país, que administra uma concessão pública de radiodifusão, ou seja, do Estado. Fiquei pensando no trecho “nunca ter feito nada”, que ela usou para se referir as atividades do presidente.
Se Lucia fosse algo mais ou menos parecido com um jornalista, ela definiria exatamente o que quis dizer nestas entrelinhas. Defender direitos trabalhistas durante uma ditadura é fazer nada? Ser preso pela ditadura é fazer nada? Percorrer o país em caravana para ter base sólida e conhecimento do país é nada? Ter sido deputado constituinte é nada? Ter disputado cinco eleições com sabotagem da imprensa é nada? Ter colaborado pela redemocratização do país é nada?
Lucia, com todo o respeito que uma dama merece, quem precisa fazer alguma coisa é você, talvez um curso de cidadania em programas públicos, visitas em assentamentos de terra, a projetos de inclusão digital, aos albergues, programas de alfabetização, enfim, uma visitinha a qualquer periferia que está ai bem perto de você, para aprender que propagar preconceito de classe usando os meios de comunicação é péssimo para o país.