Há tempos, Jô Soares leva ao programa Rogério Skylab. É algo surpreendente para quem o assiste pela primeira vez. Vale a pena ver Matador de Passarinho.
Skylab é inclassificável na poesia e na músicalidade.
O filme Jean Charles tinha tudo para ser exclusivamente comercial se não tivesse caído em boas mãos. O filme se propôs a contar a história do emigrante brasileiro que em 2005 foi morto pela polícia britânica, uma história abusivamente explorada pela grande mídia.
Há no filme as atuações monstruosas de Selton Mello e Luís Miranda. Selton Mello carrega o filme, por ser o protagonista, mas também pelo retorno nos excessos dramáticos de Miranda.
Mas o segredo do filme, que não deixa de ser uma história para ter grande público, é a direção. Henrique Goldman parece estabelecer uma alternância de modulação nas interpretações.
A narrativa que muitas vezes parece filme caseiro, com interpretações quase que naturais, como se fosse um documentário, cresce de repente em uma sequência de dramaticidade. O melhor é que pega o público de surpresa, mesmo se tratando de uma história tantas vezes já contata pelo jornalismo.
Na série obra-prima do blog Educação Política, Zeca Baleiro pode ter várias músicas, mas Boi de Haxixe é uma das melhores. No entanto, o que tornou essa música uma beleza indescritível foi o arranjo e a voz na gravação de Ceumar. Não achei um link de fácil acesso com a Ceumar. Então escutem na versão do próprio autor.
Flores de todas as cores Vermelho-sangue Verde-oliva Azul-colonial (celestial) Me dá vontade de voar sobre o planeta Sem ter medo da careta na cara do temporal
Desembainho a minha espada cintilante Cravejada de brilhantes Peixe espada, vou pro mar O amor me veste com o terno da beleza E o salun da natureza Abre as portas preu dançar
Diz o que tu quer que eu dou Se tu quer que eu vá, eu vou
Meu bem, meu bem-me-quer Te dou meu pé, meu não Um céu cheio de estrelas Feitas com caneta bic num papel de pão
Em um aumento frenético e alarmante dessa ladainha, novas horripilantes acusações são despejadas das mentes paranóicas dos Charlatões da Cultura. As acusações são lançadas em direção ao Ministro da Cultura, comparando o Ministro Juca Ferreira com “Hilter, Stalin e Bush” de forma boçal, abrindo as janelas para a mente deturpada e infantil dos acusadores. (Veja em Cultura e Mercado http://www.culturaemercado.com.br/post/o-juca-e-a-propria-lei/)
É ferino e irônico que a iniciativa honrosa do Minc de democratizar e evidenciar a transparência e que incentiva a discussão aberta para transformar uma política que favorece uma minúscula minoria pode ser comparada com os atos destes ditadores assassinos. A política cultural atual do Brasil precisa ser mudada pois ela é antidemocrática e injusta, beneficiando o vulgar, o comercial. A arte e o artista são escravos do capitalismo selvagem.
Este último golpe revela o que está na mesa para os Charlatões da Cultura: pregando suas crenças bem articuladas como uma seita visionária, libertadora, quase-religiosa, publicando livros teóricos (e em breve inúteis) eles na verdade protegem com toda veemência a posição privilegiada e lucrativa, de contatos corporativos corruptos e o abuso sem remorso da inexperiência jurídica do ingênuo artista Brasileiro que não vê opções.
Acredito que os Charlatões da Cultura sofrem de outro fenômeno psíquico, a chamada ‘Neromania’, a compulsão incontrolável de queimar a capital (exterminado a oposição).
O próprio Hilter (já que o nome dele está sendo utilizado de forma tão inconseqüente) nos últimos dias da segunda guerra mundial impôs a política chamada “Verbrannte Erde” (“Terra Abrasada”, também chamado “decreto Nero”), decretando as tropas em processo de recuo a queima total da civilização. É graças ao renuncio corajoso de soldados ainda existe esperança. O ciclo incansável da história mundial se repete ad infinitum.
As comparações com “Hilter, Stalin e Bush” são altamente difamatórias e sinalizam o desejo ditatório se mascarando como “salvador da cultura” do país. Bravo! Que os Charlatãs da Cultura continuem suas estratégias, discursos, reuniões e cursinhos, pois todo império um dia acaba.
O grupo Magma Cênica, formado por ex-alunos do Curso Livre de Teatro de Campinas, apresenta neste final de semana, sexta e sábado (30 e 31 às 21h) e domingo (01 às 20h) a peça A Terceira Margem do Rio, a partir da obra de Guimarães Rosa.
A peça foi encenada como conclusão do curso no final de 2007 e, em 2008, o grupo resolveu continuar o trabalho, readaptando para esta apresentação com a colaboração cênica de Robson Haderchpek, Eduardo Brasil e Ana Clara Amaral.
A peça será apresentada no Barracão Teatro, que fica na rua Eduardo Modesto, 128, Vila Santa Isabel, Barão Geraldo, em Campinas. Ingresso no Chapéu, isto é, você paga quanto pode ao final da peça.
O Curso Livre de Teatro é mais um movimento da capacidade criativa que existe no grande universo dramatúrgico que existe em Campinas, especialmente em Barão Geraldo, e que é fomentado pela presença do curso de Artes Cênicas da Unicamp. Campinas tem um grande potencial de popularização do teatro, é centro de referência nas artes cênicas, mas que ainda não foi absorvido por políticas públicas específicas.
Teatro Rá Tim Bum consegue unir a liguagem do teatro com a da TV
A televisão começou nos anos 50 tentando adaptar o teatro para a TV. Logo se viu que as linguagens eram muito diferentes. Não dava para simplesmente transpor. Durante muito tempo se tentou levar o teatro à televisão sem sucesso e sem uma confluência capaz de evitar os abismos entre as duas linguagens.
A experiência do Teatro Rá Tim Bum, da TV Cultura, parece ter encontrado uma fórmula mágica para esse conflito. A fórmula mágica não é transpor teatro para a TV, mas tentar unir recursos do teatro e da TV em uma nova linguagem. Esse parecer ter sido o caminho descoberto pelo Teatro Rá Tim Bum.
O fato de trabalhar especificamente com teatro infantil foi decisivo para o sucesso da empreitada. O teatro infantil parece absorver com facilidade os recursos inimagináveis e absurdos do desenho animado e que também se encaixam com os recursos eletrônicos da TV. É assim o Teatro Rá Tim Bum. Parece se inspirar na animação para poder ficar à vontade na TV.
Outro destaque são os textos reformulados e atualizados a partir de clássicos infantis. Assim, o humor, a qualidade dos atores, cenários, luzes e cores criam um universo com o estilo das Histórias em Quadrinhos. O Teatro Rá Tim Bum é, com certeza, um programa de qualidade da TV Brasileira.
Salvador – Ao participar da solenidade de abertura do seminário que discute o Plano Nacional de Cultura (PNC) em Salvador, na noite de ontem (21), o ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, fez críticas ao principal instrumento de financiamento cultural existente hoje no país, a Lei Rouanet. O ministro disse também que pretende rever a Lei do Direito Autoral, discussão que, segundo ele, “vai ferver”.
Juca Ferreira afirmou que nesta manhã (22) tem o último compromisso com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de tomar a posse como ministro efetivo da pasta e sinalizou que isso deve ocorrer na semana que vem, mas não confirmou uma data oficial. Ele disse que, no encontro com Lula, vai pedir “uma estrutura melhor no ministério, para que possa qualificar o serviço à população”. Depois de fazer a declaração, o ministro interino brincou: “acabei vindo fazer o meu discurso de posse hoje, aqui”.
A exposição Ver de Perto (mas também pode ser Verde Perto), de Neander Heringer, é belíssima por construir sentido em uma fotografia que extrapola o real. O fotógrafo nos faz enxergar o que não se pode ver no cotidiano; trabalha para que a câmera seja capaz de nos fazer ver além das nossas limitações visuais. A lente do fotógrafo às vezes nos coloca do tamanho de uma formiga ou cria uma capacidade de cores impensável em outros tempos não tecnológicos.
Para ver as fotografias na internet ou informações sobre exposição, clique no site Verdeperto.net
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Aprender política é um trabalho consistente e cotidiano
Todos os dias, todas as horas
Não se faz com a consciência obstinada, mas sim ativa
É como construir um castelo de areia, que sempre precisa de retoques
Às vezes vem uma onda ou uma ditadura e destrói tudo
Às vezes chegam os autoritários e tentam chutá-lo
O mesmo fazem os fascistas, os nazistas, os stalinistas
Mas também quase sempre são impedidos
Quem aprende política sabe dar os braços e agüentar o tranco
Quem aprende política sabe formar uma roda e girar com força
Mas se alguém fica distraído, abobalhado ou anestesiado frente a uma TV
As águas dos apolíticos começam a minar toda construção
Eles chegam com suas quinquilharias de consumo e produção de lixo
Eles pisam no castelo e dizem que foi sem querer, sempre sem querer
O apolítico não tem culpa de nada; é uma consciência vazia
Mas o seu grande estrago é não diferenciar as ondas políticas
Pode ser a chuva, pode ser o som, pode ser o vento.
Estão todos aí, como uma natureza indomável, prontos para derrubar o castelo
Mas não há desânimo, não há resignação, não há desamparo
Construir um castelo democrático é o desejo de quem quer aprender política
É uma necessidade para quem sonha e vive a liberdade
É uma honra para quem se orgulha das lutas passadas, dos homens e mulheres que conquistaram o que temos hoje
Aprender política não se faz só com acertos; muitas vezes se erra
Mas se isso ocorre, é só recomeçar e trilhar novos caminhos
Aprender é a nossa educação política