BRASIL PRECISA INVESTIR PESADO EM PESQUISA SOBRE A BIODIVERSIDADE PARA SE TRANSFORMAR EM POTENCIAL AMBIENTAL

14 Julho, 2009

Brasil pode ser a primeira potência ambiental

Por Juarez Tosi/SBPC Ecoagência

O Brasil tem condições de se tornar a primeira e, por um longo tempo, a única potência ambiental do mundo, devido a sua grande biodiversidade e por já possuir um sistema de ciência e tecnologia maduro. Para tanto, é preciso aplicar esse conhecimento científico adquirido para utilizar os recursos naturais do País com vistas à geração de trabalho e riqueza, na intensidade correta e sem permitir que eles se esgotem. A avaliação foi feita pelo presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antônio Raupp, na abertura da 61ª Reunião Anual da Sociedade, ontem (12/07), em Manaus (AM).

“Com essa condição de potência ambiental, resolveríamos, ao mesmo tempo, duas importantes questões. A primeira diz respeito às populações da Amazônia, que é sua independência econômica. E também poderíamos responder ao mundo que conhecemos, convivemos e cuidamos da Amazônia”, indicou Raupp.

Raupp afirmou que a SBPC propõe a conservação da Amazônia, possibilitando uma interação dinâmica e sustentada com os diversos biomas da floresta. “No nosso entendimento e da comunidade científica brasileira, o modelo de desenvolvimento para a Amazônia terá de ser construído com base no conhecimento científico e tecnológico, de preferência, produzido na região”, ressaltou.
Há três semanas, Raupp entregou ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, um documento elaborado com a participação de 25 sociedades científicas associadas à SBPC, com sugestões para desatravancar a ciência no Brasil. Uma delas é permitir o acesso à pesquisa e ao uso da biodiversidade brasileira.

Presente na sessão de abertura do evento, o ministro da Ciência e Tecnologia afirmou que o documento já foi apresentado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou que as ações propostas sejam executadas. “Estamos fazendo avanços e vamos mostrar alguns deles nas próximas semanas. Alguns são mais complicados e envolvem até mudanças na Constituição. Mas vamos resolver essa questão do acesso à biodiversidade, que é fundamental para o País como um todo e muito importante para a Amazônia”, antecipou Rezende. (Texto integral na Ecoagência)

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CRIA PAPEL PLÁSTICO COM EMBALAGEM DE MATERIAL DE LIMPEZA



LEI DE INOVAÇÃO E NÚCLEOS DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA FAZEM BRASIL DAR UM SALTO NA PARCEIRIA ENTRE UNIVERSIDADE E EMPRESA

23 Maio, 2009

 

Expansão de núcleos de universidades e institutos que são porta de entrada para empresa faz disparar receita vinda de parcerias

Do Inovação Unicamp

Em 2006, o licenciamento de tecnologias, as parcerias em projetos de pesquisa, a inovação e a prestação de serviços geraram receitas de R$ 810 mil para universidades e institutos públicos e privados no Brasil. Em 2008, o número pulou para R$ 13,1 milhões. Para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a razão do aumento está na expansão dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), de 19 em 2006, para 75 em 2008. Os NITs são estruturas que a Lei de Inovação (10.973/2004) obriga as instituições de ensino e pesquisa públicas a criar, como porta de entrada para a empresa. É de responsabilidade do NIT atuar na política de propriedade intelectual das instituições científicas e tecnológicas (ICTs) do setor público e na realização das parcerias destas com a iniciativa privada. Esses números se referem às 43 instituições que enviaram seus relatórios para o ministério em 2006 e às 101 que fizeram o mesmo em 2008, em um universo de 300 existentes no País. Nem todas as ICTs que enviaram relatórios (outra obrigação estabelecida pela Lei de Inovação) já formaram seus núcleos de inovação. Os dados foram apresentados por Reinaldo Danna, coordenador geral de inovação tecnológica do MCT, no segundo dia do III Encontro do Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec), que aconteceu na última semana de abril em Campinas (SP). O encontro discutiu os cinco anos da existência da Lei de Inovação. O Fortec reúne os profissionais das ICTs responsáveis pelas políticas de inovação e as iniciativas relacionadas a propriedade intelectual e transferência de tecnologia. Conta com 120 associados nas cinco regiões brasileiras. A previsão da Lei de Inovação Segundo o artigo 17 da Lei de Inovação, as ICTs devem preencher e enviar um relatório que traga informações sobre sua política de propriedade industrial, criações desenvolvidas, proteções adquiridas e concedidas e contratos de licenciamento ou transferência tecnológica firmados. O balanço apresentado tem base nesses relatórios. Dana apresentou dados que discriminam o tipo de licenciamento e o recurso obtido em cada um. Com os licenciamentos feitos com exclusividade, ou seja, em que a empresa parceira é a única que pode explorar a tecnologia licenciada, as ICTs conseguiram R$ 595 mil em 2006; e R$ 4,5 milhões em 2008. Os licenciamentos sem exclusividade mobilizaram menos recursos: R$ 100 mil em 2006 e R$ 933 mil em 2008. No balanço, há também a categoria “outras formas de licenciamento”, que trata de projetos feitos em parceria com as empresas e da prestação de serviços. Essa categoria ganhou maior importância ao longo dos anos. Em 2006, as ICTs conseguiram R$ 115 milhões com essas formas de cooperação. Em 2008, foram R$ 7,7 milhões. “Essa informação mostra que as empresas não dão tanta prioridade ao licenciamento exclusivo como se imagina”, destacou ele. As patentes das ICTs Danna também mostrou o número de patentes pedidas e concedidas às ICTs em 2008. Das 101 ICTs que informaram sobre suas atividades em 2008 ao MCT, 67 pediram proteção intelectual para suas tecnologias e 31 obtiveram patentes nesse ano. Foram feitos 1.035 depósitos de patentes no ano passado, 987 no Brasil e 88 no exterior. No mesmo período, 148 patentes foram concedidas às ICTs, 128 no País e 20 no exterior. (Texto integral no site Inovação Unicamp)

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UNIVERSDIDA DE SÃO CARLOS PESQUISA SISAL PARA PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEL

JUSTIÇA FAZ APREENSÃO NA MONSANTO; ACUSADA DE PIRATARIA, EMPRESA CAUSA PREJUÍZO PARA A UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA

SCIENCEBLOGS: PORTAL DE BLOGS DE CIÊNCIA É CRIADO NO BRASIL E REÚNE CIENTISTAS BLOGUEIROS

PEQUENA EMPRESA BRASILEIRA DESENVOLVE SUBSTÂNCIA QUE PODE ATUAR NO TRATAMENTO DA TUBERCULOSE

 


UNIVERSDIDA DE SÃO CARLOS PESQUISA SISAL PARA PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEL

13 Maio, 2009
Fibra de futuro
Sisal, já utilizado em polímeros, poderá ser usado na produção de etanol
sisal poderá produzir álcool combustível

Sisal poderá produzir álcool combustível

Líder mundial no segmento de biocombustíveis, com a produção de bilhões de litros de etanol da cana-de-açúcar e biodiesel, o Brasil terá uma possível opção, dentro de alguns anos, de produzir etanol a partir do sisal, uma fibra vegetal abundante no país, muito resistente e usada para confecção de cordas, tapetes e peças artesanais. Além disso, móveis, estantes, peças para barcos e componentes automotivos, como painéis e revestimentos internos, podem utilizar como matéria-prima essa mesma fibra. Estudos nesse sentido são conduzidos pela química Elisabete Frollini, professora do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), no interior paulista. A equipe que ela coordena desenvolve placas poliméricas com fibras vegetais e está conquistando bons resultados na hidrólise do sisal, processo relativo à primeira etapa da produção de etanol, quando a glicose e outros açúcares fermentáveis usados na fabricação de álcool são obtidos a partir da celulose e de outros componentes das fibras vegetais.

O trabalho da pesquisadora está centrado na valorização das chamadas fibras lignocelulósicas e de seus três principais macrocomponentes: lignina, celulose e hemicelulose. Sisal e cana-­-de-açúcar são exemplos desse tipo de fibra. O interesse pelo sisal, segundo a pesquisadora, se deu porque o Brasil é o maior produtor e exportador global da fibra. Em 2007, a produção mundial atingiu 240,7 mil toneladas, das quais quase metade (113,3 mil toneladas) foi cultivada no país, que pode facilmente dobrar sua produção em curto espaço de tempo. Originária do México, o sisal (Agave sisalana) é uma planta cultivada em países em desenvolvimento e no Brasil as plantações estão concentradas nos estados da Paraíba e da Bahia. Depois de beneficiado, o sisal é exportado principalmente para os Estados Unidos, Canadá, Europa, Irã e países do Leste Europeu. China e México são os principais compradores da fibra virgem. A cultura do sisal tem uma área plantada de 154 mil hectares no país, com produtividade próxima a 800 quilos por hectare.

Outros dois aspectos vantajosos da fibra do sisal são o fato de ela não ser usada como fonte de alimento e, ao mesmo tempo, apresentar alto teor de celulose, cerca de 10% a mais do que o bagaço de cana. Considerando também a hemicelulose, a fibra de sisal tem cerca de 90% de material gerador de açúcares fermentáveis, que formam etanol a partir do processo de fermentação. “Esses açúcares são gerados a partir da hidrólise, que de forma simplificada pode ser considerada como uma reação em que são rompidas as ligações que unem muitas unidades de glicose na celulose e também unidades de outros açúcares na hemicelulose”, explica Elisabete. “No Brasil, os processos de hidrólise visando à produção de etanol estão centrados na utilização de cana-de-açúcar. Nosso trabalho está demonstrando que é possível usar o sisal para esse fim. Queremos contribuir para que o Brasil continue se destacando no setor de biocombustíveis e acreditamos que o sisal possa ser também uma matéria-prima importante.” (Texto Integral na Revista Fapesp)

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SCIENCEBLOGS: PORTAL DE BLOGS DE CIÊNCIA É CRIADO NO BRASIL E REÚNE CIENTISTAS BLOGUEIROS

11 Abril, 2009
Condomínio de 24 blogs de ciência vira braço nacional do portal americano ScienceBlogs

Em agosto do ano passado, dois jovens biólogos formados pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), Carlos Hotta e Atila Iamarino, resolveram montar um pequeno portal reunindo blogs sobre ciência. Nascia o Lablogatórios, que rapidamente chegou à marca de 24 blogs abrigados debaixo de seu guarda-chuva. No último dia 17,  o condomínio de blogs, para usar um termo apreciado pela dupla, mudou de nome e ganhou um empurrão internacional em sua recente trajetória: virou o braço brasileiro do ScienceBlogs, uma rede com mais de 60 blogs de ciência em inglês criada nos Estados Unidos em 2006 que faz parte do Seed Media Group, também dono da revista Seed, de divulgação científica. “Passamos a ser uma franquia deles”, diz Hotta, 29 anos, que estuda a biologia da cana-de-açúcar em seu pós-doutorado na USP e escreve no blog Brontossauros em meu Jardim. “Ninguém vive dos blogs, mas queremos ser mais profissionais”, afirma Iamarino, que faz doutorado na USP sobre a genética evolutiva do vírus da Aids e mantém o blog Rainha Vermelha.

Banner do Scienceblogs Brasil

Banner do Scienceblogs Brasil


A dupla diz que os blogueiros do portal trocam muita informação e que um ajuda o outro a dirimir dúvidas sobre temas espinhosos da ciência. Eles acreditam que esse intercâmbio de ideias diminui a possibilidade de haver erros grosseiros em textos publicados pelos blogs, embora frisem que não há censura a ninguém. O objetivo do ScienceBlogs Brasil é difundir a ciência no país. Não é preciso ser pesquisador para montar um site pessoal e pleitear seu ingresso por portal, mas boa parte dos donos de blogs é formada por jovens cientistas ou pessoas que têm ao menos uma boa formação na área em que escrevem. O blog Geófagos, por exemplo, é tocado pelo engenheiro agrônomo Ítalo Moraes Rocha Guedes, pesquisador da Embrapa Hortaliças, do Distrito Federal, e abordas temas da área de ciências agrárias. O RNAm é escrito por Rafael Soares, biólogo formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) que faz doutorado em biotecnologia na USP.  O Ciência à Bessa – Pensamentos científicos e clichês pessoais é uma criação do zoólogo Eduardo Bessa, professor da Universidade do Estado de Mato Grosso e especialista em comportamento animal.”Tentamos selecionar blogs de qualidade, com um alto apuro científico e que publiquem textos ao menos uma vez por semana”, diz Hotta. “De uns 60 blogs de ciência que encontramos na internet, selecionamos cerca de 20 que eram mais confiáveis”, explica Iamarino.

Há também blogs mantidos por entusiastas das ciências que não podem ser rotulados de pesquisadores. O blog 42 é mantido por Igor Santos, um engenheiro que trabalha num cartório e mantém um blog “para compartilhar o amor pela ciência”.  O blog Universo Físico tem como autor o  físico de formação e jornalista de profissão Igor Zolnerkevic, que trabalha na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp. Paula Signorini, uma biológa que trabalha como editora e divulgadora de ciências, escreve sobre práticas sustentáveis no Rastro de Carbono – Por um futuro verde. Como se vê, há uma certa diversidade de tipos e temas por trás dos blogs. Mas as ciências humanas ainda não estão nem de leve cobertas pelo ScienceBlogs Brasil. “Precisamos ter blogs dessa área”, afirma Hotta.

A ascensão dos blogs - A audiência de todos os blogs do ScienceBlogs Brasil ainda é modesta, mas crescente, segundo seus administradores.  Está na casa dos 150 mil visitantes por mês, que navegam por cerca de 250 mil páginas. Frequentemente apontado como o blog feito por um cientista com maior influência no planeta, o Pharyngula – criado pelo biólogo Paul Myers, da Universidade de Minnesota,  que fala sobre evolução e desenvolvimento – exibe números colossais para a realidade brasileira.  Semanalmente, suas páginas são vistas meio milhão de vezes por milhares de internautas.

Para quem acha que manter um site pessoal sobre ciência, que mescla opinião e informação, é apenas um passatempo sem muita importância, é recomendável ler uma reportagemconteúdo restrito a assinantes) publicada na edição de 19/03 da revista científica Nature, uma das mais prestigiadas do mundo. O texto defende a ideia de que o jornalismo científico está em declínio, sobretudo depois da eclosão da crise econômica em setembro do ano passado, e que estão em ascensão os blogs de ciência e as ações de divulgação científica mantidas por universidades, institutos de pesquisa e agência de fomento a pesquisa. Uma  questão central abordada na reportagem é se os tais blogs de ciência, sejam eles mantidos por jornalistas, cientistas ou amantes da pesquisa, serão capazes de tomar o lugar do jornalismo científico produzido pelos meios de comunicação mais tradicionais.  A reportagem não esgota o assunto, tampouco dá uma reposta definitiva sobre a questão.

Seja qual for o desfecho desse embate, a Nature, em editorial (conteúdo restrito a assinantes) publicado na mesma edição, recomenda aos cientistas um olhar mais contemporâneo sobre o tradicional jornalismo científico e também sobre os novíssimos blogs de ciência. Depois de lembrar que a face gráfica da internet, o popular www, foi inventada por cientistas num dos templos da pesquisa mundial, o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), nos arredores de Genebra; depois de falar da crise mundial que se abate sobre a imprensa internacional e diminui os postos de trabalho nas editorias de ciência, deixando talvez um vazio no setor; depois de mencionar a pouca atenção (desprezo em alguns casos) que muitos pesquisadores mais velhos ainda dão à divulgação de seus trabalhos pela imprensa ou pelos blogs, preferindo apenas comunicar seus estudos em revistas científicas com peer-review (revisão por pares), a Nature conclui assim seu editorial: “Ainda que se mostrem relutantes eles mesmos em falar com a imprensa, (os cientistas) deveriam encorajar colegas que fazem isso de forma responsável. Os cientistas estão totalmente aptos a atingir mais pessoas do que nunca, mas apenas se eles abraçarem a mesma tecnologia que eles desenvolveram”.

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30 Março, 2009

Composto 227 é aposta para entrar no mercado de medicamentos para tuberculose; pedido de patente, com USP, está em preparação

Lívia Komar/ da Inovação Unicamp

Uma empresa pequena com potencial gigante. Assim o farmacêutico Fábio Cícero de Sá Galetti define a Farmacore Pesquisa & Desenvolvimento em Biotecnologia, de Ribeirão Preto (SP), fundada por ele e pela administradora de empresas Helena Faccioli Lopes em 2005. A declaração do jovem empresário, de 30 anos, não é ilusória. Com a ajuda do PIPE, o programa da Fapesp que apóia as pequenas inovadoras, a Farmacore descobriu uma substância que poderá revolucionar o tratamento da tuberculose: o composto 227, que já demonstrou alto potencial terapêutico em testes com camundongos. Embora a comercialização do composto dependa da realização de testes em seres humanos — o que pode levar anos para acontecer —, Galetti se diz esperançoso. “Trata-se de uma droga com boa eficácia, de fácil síntese, muito barata e de pouca toxicidade”, afirma. “Então, realmente é um produto em potencial.”

Se tudo der certo, a Farmacore terá um grande mercado diante de si. Reconhecida como emergência global em 1993 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a tuberculose ainda mata muita gente em todo o mundo — só no Brasil, que oscila da 13ª à 15ª colocação entre os países com maior incidência da doença, são pelo menos 6 mil pessoas por ano, a maior parte delas carentes e desnutridas — e seu tratamento é demorado. De acordo com Galetti, o paciente precisa tomar um coquetel de fortíssimos antibióticos, que não pode ser interrompido em hipótese alguma, durante seis meses no mínimo. “Uma das drogas no mercado atualmente foi descoberta em 1952″, conta. “Há mais de meio século se utiliza esse composto para o combate à doença. Existia a necessidade mais que urgente da descoberta de novas classes de compostos que pudessem auxiliar no processo de cura da doença com mais rapidez.”

A Farmacore já está se preparando para pedir a patente da ação antimicobacteriana do composto 227. O pedido será depositado juntamente com a Universidade de São Paulo (USP), que também participou da descoberta da substância. “A concorrência nesse setor existe com muita força”, enfatiza Galetti, justificando a necessidade do patenteamento. “Várias frentes de trabalho de grandes indústrias farmacêuticas também estão buscando novas moléculas para o mercado da tuberculose.” (Texto integral)

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14 Dezembro, 2008

Biodiesel feito de algas

Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro (RJ)

Microalgas podem produzir biodiesel

Microalgas podem produzir biodiesel

Agência FAPESP – Embora, entre as matrizes vegetais, a soja seja a principal base do biodiesel do Brasil, sua escala de produtividade é baixa – de 400 a 600 quilos de óleo por hectare – e tem apenas um ciclo anual. O girassol pode produzir um pouco mais, de 630 a 900 quilos. No entanto, pesquisa realizada no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) indica que microalgas encontradas no litoral brasileiro têm potencial energético para produzir 90 mil quilos de óleo por hectare.

E, segundo o estudo, elas têm diversas outras vantagens. Do ponto de vista ambiental, o biodiesel de microalgas libera menos gás carbônico na atmosfera do que os combustíveis fósseis, além de combater o efeito estufa e o superaquecimento.

A alternativa também não entra em conflito com a agricultura, pode ser cultivada no solo pobre e com a água salobra do semi-árido brasileiro – para onde a água do mar também pode ser canalizada – e abre possibilidades para que países tropicais (como a Polinésia e nações africanas) possam começar a produzir matriz energética. Além disso, as algas crescem mais rápido do que qualquer outra planta.

“O biodiesel de microalgas ainda não é viável, mas em cinco anos haverá empresas produzindo em larga escala”, estima o biólogo Sergio Lourenço, do Departamento de Biologia Marinha da UFF, responsável pelo estudo.

Lourenço identificou dezenas de espécies com potencial para produzir o biodiesel em larga escala. O problema é que a porcentagem de lipídios de cada alga não é alta – poucas espécies chegam a 20% de concentração. Mas a soja (18%) e o dendê (22%) também concentram baixas quantidades de lipídios. O amendoim concentra 40%.

“Se a matriz tem baixa concentração de lipídios, temos que acumular muito mais massa”, explica o biólogo. Por isso, ele e sua equipe trabalham em métodos para estimular a concentração de lipídios. “Por meio de técnicas de manipulação das condições de cultivo, conseguimos alterar a composição química nos meios de cultura, aumentando assim a concentração de lipídios. Em dez dias a biomassa está apta a ser colhida.”

Há pouco mais de um ano, o projeto vem sendo articulado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério da Agricultura, a Secretaria Especial de Água e Pesca e a Casa Civil, que conduz o Programa Nacional de Biodiesel.

Conversas têm sido feitas com a Petrobras para apoiar o projeto. O financiamento permitiria o cultivo em grande densidade, em tanques de 20 mil litros, primeiramente em uma unidade da UFF, antes de ser levada ao semi-árido. Há também, segundo Lourenço, outra vantagem ecológica nesse cultivo: para fazê-las crescer, é necessário tirar carbono da atmosfera.

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TECNOLOGIA EM TERAPIA GENÉTICA ABRE NOVA PERSPECTIVA PARA CURA DA AIDS

9 Novembro, 2008

A terapia genética pode ser um caminho importante no tratamento da Aids. Uma notícia do The Wall Street Journal, da última sexta-feira, assinada por Mark Shchoofs, dá conta de que um paciente com leucemia e HIV soropositivo foi submetido a transplante de medula óssea e desenvolveu resistência ao vírus.

Mas nada aconteceu por acaso. O médico Gero Hutter buscou entre os doadores da medula alguém que tivesse uma mutação genética chamada CCR5, que segundo estudos médicos conhecidos, está presente em pessoas que não desenvolvem a doença. Aparentemente, a terapia deu certo e abre novos caminhos para a pesquisa genética na cura da AIDS. O vírus HIV não é detectado no organismo do paciente há 600 dias, mesmo sem tomar o coquetel de medicamentos antiviral.

Notícia completa em inglês no The Wall Street Journal

Veja abaixo uma arte sobre a mutação CCR5.

O CCR5 funciona como uma fechadura que o HIV não conhece

O CCR5 funciona como uma barreira para o HIV

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2 Outubro, 2008

Hidrogênio biológico

Por Thiago Romero
Agência FAPESP

Um projeto de pesquisa que integra a geração de energia e o controle da poluição ambiental rendeu, a docentes e estudantes da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP), a primeira colocação na quinta edição do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, na categoria Integração.

O trabalho, apoiado pela FAPESP por meio de um Auxílio Regular a Pesquisa, foi conduzido por pesquisadores do Laboratório de Processos Biológicos da EESC, em parceria com colegas da Universidade da República (Udelar), no Uruguai.

O estudo propõe a produção de hidrogênio como fonte de energia renovável, em alternativa aos combustíveis fósseis, a partir do tratamento de águas residuárias. Águas residuárias são águas utilizadas em algum processo, seja industrial ou residencial, e que são devolvidas ao ambiente. Um exemplo são os esgotos domésticos que, lançados nos rios sem o devido tratamento, podem causar impactos negativos ao meio ambiente.

Um dos coordenadores, Marcelo Zaiat, professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC, explica que a produção biológica de hidrogênio pode ocorrer por duas vias: fotossíntese e processo fermentativo.

“A produção fermentativa foi o tema abordado na pesquisa, que objetivou o desenvolvimento de biorreatores anaeróbios e o estudo das melhores condições para produção de hidrogênio. A fermentação é tecnicamente mais simples e, nesse caso, o hidrogênio pode ser obtido a partir da matéria orgânica presente em águas residuárias”, disse Zaiat.

Nesse contexto de associação entre a produção de hidrogênio com baixo custo e o controle da poluição ambiental, Zaiat aponta que os trabalhos de pesquisa na área começaram a ser desenvolvidos na década de 1990 e que, até hoje, mais de 200 estudos sobre bioprodução de hidrogênio já foram publicados no mundo.

Os grupos de pesquisa premiados da USP e da Udelar têm desenvolvido reatores biológicos inovadores, com a busca de parâmetros de engenharia para maximizar a produção de hidrogênio.

“Muitos problemas de engenharia ainda devem ser resolvidos antes de essa tecnologia poder ser aplicada em escala industrial, mas os dois grupos têm trabalhado com águas residuárias de várias origens, buscando aplicações em vários setores produtivos ligados à América Latina”, apontou o professor da USP.

“O nosso projeto propõe que, acoplado à estação de tratamento do esgoto doméstico, possa estar um reator acidogênico para produção do hidrogênio, um combustível limpo que gera, nas células, a água como único produto”, disse Zaiat.

Segundo o pesquisador, além de ser um combustível limpo, outra vantagem é que o hidrogênio é quase três vezes mais energético do que os hidrocarbonetos. “Essa conta é feita pela termodinâmica. O calor de combustão do hidrogênio é de 122 quilojoules por grama (kJ/g), cerca de 2,75 vezes maior do que o dos hidrocarbonetos”, calculou.(Texto integral na Agência Fapesp)


SATÉLITE CBERS-2B COMPLETOU UM ANO EM ÓRBITA

22 Setembro, 2008

Um ano em órbita

Agência FAPESP

Brasil mantém dois satélites e deve lançar CBERS-3 EM 2010

Brasil mantém dois satélites e deve lançar CBERS-3 EM 2010

O Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers-2B, na sigla em inglês) completou um ano em órbita na sexta-feira (19/9). Como ainda está em operação o Cbers-2, lançado em outubro de 2003, pela primeira vez o Brasil tem dois instrumentos próprios para vigiar o seu território com melhor capacidade e freqüência de observação.

O Cbers-2B é o terceiro lançado pelo Programa Cbers, em cooperação com a China. Até 2013, estão previstos os lançamentos dos satélites Cbers-3 e 4.

O satélite tem três câmeras imageadoras a bordo: CCD, WFI e HRC. Essa diversidade de câmeras atende a múltiplas necessidades – do planejamento urbano, que requer alta resolução espacial, a aplicações que precisam de dados freqüentes mas não tão detalhados, como monitorar desmatamentos.

Inovação do Cbers-2B, a HRC produz imagens de uma faixa de 27 quilômetros de largura com resolução espacial de 2,7 metros, em uma região espectral pancromática única. Suas imagens em alta resolução de todas as capitais brasileiras e de algumas áreas de países da América do Sul estão disponíveis na internet.

O Cbers fez do Brasil o maior distribuidor de imagens de satélite do mundo. Além dos usuários brasileiros, as imagens são fornecidas gratuitamente para países da América do Sul que estão na abrangência das antenas de recepção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Cuiabá. O download gratuito das imagens é feito a partir do site www.obt.inpe.br/catalogo.

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CÂMERAS BRASILEIRAS VÃO EQUIPAR SATÉLITE EM PARCERIA COM A CHINA

22 Setembro, 2008

CBERS-3
Satélite que o Brasil desenvolve com a China entra em testes no solo; previsão para lançamento é 2010, dois anos atrasado

Da Unicamp

Nesta segunda-feira, dia 22 de setembro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) deve embarcar para a China duas das câmeras que vão equipar o CBERS-3, satélite da série para observação da Terra que Brasil e China desenvolvem desde julho de 1988. No CBERS-3, o desenvolvimento e fabricação das câmeras couberam a empresas brasileiras, a Opto Eletrônica e a Equatorial Sistemas. É a primeira vez no programa espacial brasileiro que câmeras de satélite são inteiramente desenvolvidas no País, com tecnologia, em sua maior parte, nacional. Além das câmeras, o INPE envia na semana outros dois subsistemas para a China: o de telemetria e telecomando do satélite (TTCS) e um transmissor de dados. A construção do CBERS-3 está em sua primeira fase de testes. Os equipamentos embarcados para a China serão postos para funcionar integradamente, no solo, em um protótipo — no jargão técnico, em um “modelo de engenharia”.

As duas câmeras construídas aqui vão gerar imagens dos territórios brasileiro e chinês para monitoramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais. A diferença entre ambas está no nível de detalhe que cada uma poderá captar da superfície terrestre. A câmera multiespectral (MUX) foi projetada pela Opto para “ver”, com qualidade, quadrados da superfície da Terra com 20 metros de lado. A outra câmera que segue para a China tem o título de “câmera imageadora de amplo campo de visada” — e foi desenvolvida em conjunto pela Opto e pela Equatorial Sistemas. Como o nome diz, a câmera gerará imagens de extensões territoriais maiores do que as cobertas pela MUX — quadrados de 82 metros de aresta.