O TEATRO ESTÁ PRESENTE EM ASSENTAMENTO DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TERRA (MST) E SERVE DE INSTRUMENTO PEDAGÓGICO

17 Agosto, 2009

Teatro desenvolvido pelo MST busca conscientizar sobre temas além da reforma agrária

Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil

Agostinho Reis produz teatro no MST

Agostinho Reis produz teatro no MST

Brasília – É por meio do teatro que Agostinho Reis, 34 anos, dá sua principal parcela de contribuição para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Casado e pai de dois filhos, desenvolve oficinas de teatro em acampamentos e assentamentos, onde estimula, por meio de peças, discussões sobre temas considerados relevantes para – e por – a comunidade.

“Um dos temas mais importantes entre os que abordamos é o da criminalização dos movimentos sociais no Brasil”, disse. “O que nos motivou a fazer isso é o fato de muitas vezes termos sido classificados como terroristas por outros setores da sociedade”, afirmou.

A violência doméstica é outro tema que já fez parte das peças, geralmente apresentadas na rua ou em palcos improvisados nos acampamentos do MST. “Mas não ficamos restritos ao público interno. Usamos as peças para estimular o debate com a sociedade e com pessoas não ligadas ao movimento”, disse.

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LEI ROUANET: GOVERNO DEVE EXIGIR CONTRAPARTIDA DAS EMPRESAS, DIZ PRODUTOR CULTURAL JORGE NUNES

13 Abril, 2009
Exigir contrapartidas dos grandes captadores é a mudança primordial na área cultural

Escrito por Gabriel Brito / Correio da Cidadania

Com a discussão de reformas na Lei Rouanet, de produção cultural, o governo diz estar buscando um equilíbrio na participação no fomento à cultura, que privilegia excessivamente determinados grupos de iniciativa privada com isenções e direito de escolher o que deve ser promovido.

Para Jorge Nunes, produtor cultural entrevistado pelo Correio da Cidadania, com experiência na coordenação do CNPq, o governo deve tomar cuidado para não radicalizar nas mudanças, para assim não excluir as empresas totalmente do processo e colocar em risco o que já existe de estrutura para a área da cultura.

Nunes diz ser premente a destinação de maiores recursos ao Fundo Nacional de Cultura, pois assim o governo teria condições de promover uma maior difusão de todo tipo de espetáculo, levando-os a todos os cantos do país, inclusive até os não contemplados pelo mercado. Ele ainda mostra como a atual política só beneficia as empresas e grandes produções, explicando que o governo abusa em garantir seus ganhos financeiros, sem receber quase nenhuma contrapartida.

Por fim, Nunes ressalta a necessidade em se promover e oferecer mais cultura ao povo, que é o verdadeiro financiador dos projetos – cerca de 90% da verba destinada às empresas, anunciadas como renúncia fiscal, provêm do contribuinte.

Correio da Cidadania: Qual a sua opinião sobre a lei Rouanet tal qual funciona hoje em nosso país? Em outras palavras, como encara o fato de o fomento da cultura depender de grandes instituições que buscam lucro, lembrando os tempos dos mecenas aristocráticos?

Jorge Nunes: Bom, na verdade, o que move as empresas no fomento aos projetos, em primeiríssimo lugar, é o retorno institucional, ou seja, a associação do produto e da marca da empresa a um evento de categoria, que tenha importância e desperte interesse da população.

A escolha nem sempre é a mais acertada do ponto de vista cultural, mas a intenção é justamente essa, pois existe uma concentração da aplicação de recursos no eixo Rio-São Paulo. O governo quer, agora, uma maior descentralização de tais recursos, fazendo-os chegar ao interior e ao resto do país também.

CC: Essa dependência não vai na direção contrária da liberdade de criação, pensamento, idéias?

JN: Como os eventos são aprovados pelo Ministério da Cultura (MinC), há uma grande liberdade de escolha, ao menos em tese, dos caminhos que cada um quer seguir, sobre o que oferecer a todos em termos culturais. Porém, acontece que o governo delega a escolha final às empresas; quem decide o quanto será aplicado nos projetos apresentados é o governo, mas quem decide onde colocar esse dinheiro é a empresa, e trata-se de dinheiro do governo, não delas.

Na maioria dos casos, o retorno fiscal é de no mínimo 64% para as empresas. Portanto, quem na verdade paga a conta é o governo. E essa é minha grande crítica à Lei Rouanet, porque essa escolha de certa forma alija a participação da população de modo geral. A inclusão social dos projetos financiados pela lei está um tanto distorcida eu diria, pois são muitos os grandes projetos de artes cênicas, música, nos quais o povão de maneira nenhuma participa. E o governo aplica recursos que em última análise pertencem ao povo. Dessa forma, acho que deve haver um meio termo entre a situação atual e a nova que se pretende. Não precisa radicalizar, mas sim equilibrar as duas coisas. Não há duas Hollywoods, duas Broadways, duas Londres, duas Paris, duas Vienas, então não se pode ter dois eixos Rio-São Paulo produzindo cultura nesse ritmo.

Os emergentes, os produtores culturais da periferia, não são beneficiados pela lei, pois a escolha sempre recai sobre os grandes. Acho que eles, os grandes, devem continuar recebendo sim, até para mostrar nossa cara lá fora com coisas de qualidade. O cinema brasileiro está sendo recuperado graças a isso; os investimentos no setor aumentaram muito depois da era Collor, onde realmente houve um período largo de tempo de muito obscurantismo.

E aí vai outra crítica: o governo dá o dinheiro, a empresa compra o certificado da concessão com essa verba, recebe um prêmio de 25% do investido e ainda participa do lucro do filme. Acho que, para dar uma reformada geral sem mexer tanto no sistema atual, temos uma em duas: ou se obriga os grandes captadores de recursos a destinar uma parcela do dinheiro ganho para o Fundo Nacional de Cultura, para que o governo, de forma mais paternalista, possa escolher os projetos que serão incentivados na periferia, de modo a realmente incluir os produtores de outros estados e lugares distantes; ou, senão, que o governo não exija nada dos patrocinados. Assim, ele daria o dinheiro, com ou sem previsão de lucro, tenha ou não inclusão social prevista, promovendo temporadas populares que incluam pessoas alijadas do mercado. O Teatro Municipal do Rio faz isso esporadicamente, com entradas a 1, 5, 10 reais. Deveria ser obrigatório o governo dar dinheiro e exigir das empresas uma contrapartida de inclusão social.

Por exemplo, a peça mais recente da Marília Pêra, Mademoiselle Chanel: bom, eu, que me considero uma pessoa de classe média alta, achei caríssima a entrada, de 180 reais. Não sei se nesse caso houve Lei Rouanet, mas, como os projetos do Jorge Takla costumam ser patrocinados por essa via, acredito que sim. Não que não valha, creio que essa grande atriz vale muito mais e deve ser ultra bem remunerada. Mas deve existir uma contrapartida para que pessoas menos favorecidas possam ver os espetáculos também.

O Cirque du Soleil é o grande exemplo dessa distorção: o governo concede um incentivo que chega a 8, 10 milhões de reais a cada edição do evento, o Bradesco Seguros adianta o dinheiro, deduz tudo, integralmente, de seu imposto de renda (e o Bradesco tem IR suficiente para bancar projeto de tal porte) e as entradas são absurdamente caras – e olha que me considero um cidadão privilegiado. Porém, há quem faça o sacrifício e pague 300, 500 reais para comparecer ao espetáculo, por sua vez financiado com o nosso dinheiro, recursos do povo.

Portanto, acho que o meio termo está aí: não se deve acabar com o que funciona, mas devemos aperfeiçoar algumas coisas no sentido de resultado. O cinema é o que tem mais recursos do governo, um projeto desse segmento implica investimentos de grandes empresas que são movidas pelo retorno institucional ou por uma temática que corresponda ao seu marketing e o absurdo é o seguinte: o governo, além de permitir uma isenção de 100% no imposto, dá um extra de 25% em cima do que a empresa está comprando.

Em última análise, o governo dá dinheiro para um Bradesco investir num filme, um prêmio de 25% sobre o desembolso inicial do banco e ainda assim o Bradesco participa do lucro. O governo e o Fundo Nacional de Cultura não vêem nada! As empresas até podem fazer uma aplicação extra para aumentar a divulgação do produto, como faz o Bradesco mesmo, que começa a propagandear o Cirque du Soleil meses antes de começar, mas aí é outra coisa. E o patrocinado, a empresa que faz a produção, cobra entradas de 200 reais, servindo champagne na área vip do evento e por aí afora. Tal distorção deve ser corrigida, não extinta. A lei deu novo impulso ao setor cultural, com grandes espetáculos, mas, como grande aplicador de recursos, o governo deve exigir retorno, por que não? Por exemplo, o filme do Daniel filho, com cerca de 5 milhões de espectadores, não teve nenhuma participação do Fundo de Cultura. Isso é que deve ser repensado.

Insisto, portanto, em que não se deve radicalizar, acabando com a possibilidade de as empresas participarem da escolha, pois isso tornaria o processo uma caixa preta, como no tempo da Embrafilmes, com diversas acusações de privilégios a amigos do governo. Para evitar o risco de escolhas personalizadas, deve-se manter esse tipo de participação, mas com exigências de maior retorno ao Fundo de Cultura, justamente para atender de forma direta projetos localizados em regiões menos favorecidas. (Texto integral no Correio da Cidadania)


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FUGA DE DÓLARES: POLÍTICA CULTURAL DE JOSÉ SERRA É MANDAR DINHEIRO PARA A SUÍÇA

12 Março, 2009
Em nome da arte, dinheiro dos brasileiros voam para a suíça /cc dougphotos

Em nome da arte, dinheiro dos brasileiros voam para a suíça (cc/dougphotos)

Veja a política cultural de José Serra. Construção de um teatro de R$ 300 milhões e contratação de um escritório suíço sem licitação por R$ 3 milhões. Já pensou a festa que vai ser no palácio do planalto, a partir de 2010 em Brasília. Veja abaixo trecho da notícia do Estadão:

TCE investiga contrato de suíços

Eles ganharam R$ 3 milhões para estudos do novo teatro, mas a ausência de licitação é questionada

Um contrato de R$ 3.171.432,88 que a Secretaria de Estado da Cultura assinou em janeiro com o escritório suíço Herzog & De Meuron Architekten AG está sob investigação do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Desde o dia 11 de fevereiro, o tribunal examina a atitude do governo de dispensar de licitação a contratação do escritório.

A secretaria de Estado da Cultura contratou os suíços no dia 31 de dezembro para, durante seis meses, trabalhar na elaboração de estudos preliminares da concepção do novo Teatro de Dança de São Paulo, que deverá ser concluído em 2010 e terá um investimento total de R$ 300 milhões. No dia 21 de janeiro, saiu a verba para os estudos iniciais, de R$ 3 milhões.

No ano passado, ao tomar conhecimento do projeto, o Instituto Brasileiro de Arquitetos do Brasil (IAB) pediu uma audiência com o secretário de Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad, para pedir explicações sobre o processo de escolha de Herzog & De Meuron, ganhadores do Prêmio Pritzker de arquitetura (o mais prestigioso do mundo na área). O mais conhecido projeto dos suíços é o Estádio Olímpico de Pequim (conhecido como Ninho do Pássaro).

Em nota, a Secretaria de Estado da Cultura considerou que é habitual o Tribunal de Contas analisar e fazer questionamentos sobre os contratos e que, no caso específico do escritório Herzog & De Meuron, trata-se de um “processo de rotina”, já que a secretaria é obrigada a encaminhar cópia de todos os contratos com valores acima de R$ 1,5 milhão.

O IAB considerou, no ano passado, que o contrato não teria ocorrido de “forma transparente”. Nenhum arquiteto brasileiro participou da seleção (dois brasileiros, Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha, também ganharam o Pritzker). O secretário Sayad aposta que o novo edifício, instalado em região degradada, vai ajudar a revitalizar o Centro de São Paulo. (Texto de Jotabê Medeiros na íntegra)

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CURSO LIVRE DE TEATRO É UMA EXPERIÊNCIA PARA ALÉM DA DRAMATURGIA

11 Março, 2009

Imagem creative commom por Tostoini

Imagem creative commom por Tostoini

O Curso Livre de Teatro, que é realizado atualmente no Barracão Teatro em Campinas, foi uma das experiências mais apaixonantes que já vivi. Não só pela experiência dramatúrgica, não só pelas pessoas que conheci e nem pelos professores-atores que tratam o curso de uma forma séria e profissional, ao mesmo tempo em que tratam os alunos com respeito e afeto.  O Curso Livre de Teatro, turma 2008,  permitiu a mim, mas também a todos os outros alunos, descobrir o que estava na nossa cara, na frente do nosso nariz, sob os nossos pés. A poesia da vida. E é muito bom.

As inscrições para a Turma 2009 estão abertas. Se houver algum leitor interessado, o e-mail do curso livrre é: cursolivredeteatro@yahoo.com.br

E segue abaixo um texto que escrevi e que a idéia dele ajudou, junto com os textos de outros atores e de grandes escritores, a construir o trabalho que resultou na peça Sob meus pés, apresentada no final do ano passado.

 

Vim para dizer apenas que eu sou ator. Sim, um ator.
Mas não me venhas com julgamentos estéticos,
Não me venhas com comentários sobre minha performance
Não adianta falar que sou um canastrão, que faço apenas clichês da representação
Não adianta falar que ajo como na televisão: caras, bocas e expressões repetidas ao infinito.
Não falo disso, não falo da arte. Falo que sou um ator. Minha condição, ator

Por isso estou aqui a vos narrar esta história.
Sempre quis ser ator. Sempre sonhei com isso.
Mas esperem… Não pensem nos motivos que me fizeram ser ator
Vocês nunca descobrirão, podem tentar, chutar, palpitar
Não…. Nunca pensei em ser galã de telenovela Nem estrelar um grande filme
Está certo, vou abrir uma exceção, posso ter imaginado beijar uma bela atriz, contracenar, seduzir.
Mas são todos pensamentos fugazes, pequenos, fantasiosos
Eu sou ator…não porque dramatizo falas banais, nem porque faço rir pela falta de criatividade cênica, pelo erro.
Não é o avesso da arte.

Acho que vocês querem os fatos, vejo que estão ansiosos.
Sou ator porque posso abrir meus braços, fazer movimentos, correr, brincar, pular
Ah, como era bom brincar o Carnaval na infância.
Ah, como era bom jogar futebol naquele campinho de várzea.
São esses momentos que me fazem lembrar porque sou hoje um ator.
Vocês não me entendem. Sei que não expliquei completamente
Desculpem, mas eu precisava falar, ator também precisa se expressar, não basta representar.

Mas não se angustiem, eu vou revelar agora:
Olhem para mim! Vejam! meus braços, meu corpo. Sim, meu corpo está vivo!
Sou ator porque resgatei um corpo morto no porão da sala de televisão
Resgatei um corpo morto em frente a um computador
Resgatei um corpo morto dentro de quatro paredes de um escritório
Estava lá, imóvel, entravado, prensado, domesticado
Sendo chicoteado e maltratado por um cérebro narcisista que mal sabe pensar,
Mas se acha a obra-prima na natureza, um privilegiado conhecedor, filósofo, pensador.
Mas um pensador sôfrego se tens o corpo enjaulado, atrofiado.
Sou ator porque ressuscitei meu corpo que estava entregue, desfalecido
Eu precisava da natureza, da natureza do meu corpo, da natureza do ator. Acorda!

 

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26 Janeiro, 2009
Cartaz da peça Terceira Margem do Rio

Cartaz da peça Terceira Margem do Rio

O grupo Magma Cênica, formado por ex-alunos do Curso Livre de Teatro de Campinas, apresenta neste final de semana, sexta e sábado (30 e 31 às 21h) e domingo (01 às 20h) a peça A Terceira Margem do Rio, a partir da obra de Guimarães Rosa.

A peça foi encenada como conclusão do curso no final de 2007 e, em 2008, o grupo resolveu continuar o trabalho, readaptando para esta apresentação com a colaboração cênica de Robson Haderchpek, Eduardo Brasil e Ana Clara Amaral.

A peça será apresentada no Barracão Teatro, que fica na rua Eduardo Modesto, 128, Vila Santa Isabel, Barão Geraldo, em Campinas. Ingresso no Chapéu, isto é, você paga quanto pode ao final da peça.

O Curso Livre de Teatro é mais um movimento da capacidade criativa que existe no grande universo dramatúrgico que existe em Campinas, especialmente em Barão Geraldo, e que é fomentado pela presença do curso de Artes Cênicas da Unicamp. Campinas tem um grande potencial de popularização do teatro, é centro de referência nas artes cênicas, mas que ainda não foi absorvido por políticas públicas específicas.

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16 Dezembro, 2008

 

Uma obra-prima da teledramaturgia

Uma obra-prima da teledramaturgia

A série Capitu, exibida semana passada pela Rede Globo, colocou novamente a emissora como vanguarda e revolucionária na teledramaturgia. A série, assim como outras produções do núcleo de Luiz Fernando Carvalho, recriam a televisão. O trabalho dos atores, a direção, os efeitos teatrais e plásticos fizeram da série mais um momento histórico da televisão brasileira, assim como a série Hoje é dia de Maria, do mesmo diretor. O texto de Machado de Assis e a estética da minissérie formaram um par arrebatador.
Alguns rasos burocratas da emissora podem ficar abalados por uma possível queda de audiência na minissérie. Eles não percebem que é essa queda de audiência que faz a Rede Globo se recompor ainda mais forte na dramaturgia. A inovação e a criatividade podem ter um preço inicial, mas recebe um lucro grande com o tempo. São essas inovações que recompõem a audiência e a credibilidade da capacidade dramática da emissora.
No lado do jornalismo, a emissora continua a mesmice da doutrina Ali Kamel, que prega a inexistência de racismo no Brasil, a versão enviesada dos fatos, a omissão e o faturamento de acontecimentos que seriam possivelmente bons para a emissora. O jornal da Globo, por exemplo, que poderia apresentar uma visão mais honesta e digna da realidade, é enfadonho nas expressões dramáticas de William Wack, versão assessoria de imprensa de Wall Street. 

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28 Novembro, 2008
Carteira de identidade, a melhor forma para meia-entrada

Carteira de identidade, a melhor forma para meia-entrada

O ministro da Educação, Fernando Haddad, está certo. Para acabar com essa celeuma, o correto seria ingresso por idade. Leia matéria abaixo.

Como o ideal é que os jovens devam estudar até os 22 anos (idade em que normalmente se termina a faculdade), a meia-entrada deveria ser livre, independente de apresentação de carteirinha, até essa idade, mesmo que o jovem não esteja estudando. Para isso, bastaria apresentar a carteira de identidade antes do espetáculo. Da mesma forma, pode-se estender o benefício para quem tem mais de 60 anos. O restante da população, entre 23 e 59 anos, pagam inteira.

Uma lei em forma de cota de 40% é uma lei criada para acabar com a meia-entrada. Mesmo porque ninguém vai fiscalizar se isso está sendo cumprido.

Para Haddad, projeto que regulamenta a meia-entrada precisa ser reformulado

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse hoje (27) que o projeto de lei que regulamenta a cobrança da meia-entrada em shows e espetáculos teatrais precisa de reparos. Segundo ele, o texto, da forma como está, não assegura o direito dos estudantes. O ministro participou hoje de debate de encerramento da Caravana da União Nacional dos Estudantes (UNE), na Universidade de Brasília (UnB).

O PL aprovado essa semana pela Comissão de Educação e Cultura do Senado determina, entre outros pontos, uma cota de 40% para ingressos vendidos como meia-entrada.

“Eu entendo que o PL está um pouco confuso, é preciso aprofundar um pouco mais o debate. Está muito pouco claro como ele vai funcionar e se o direito dos estudantes será resguardado. Da maneira como ele foi construído fica um pouco difícil visualizar que o estudante não será prejudicado”, argumentou.

A questão da centralização da emissão de carteiras estudantis e da fiscalização de documentos falsos, na opinião de Haddad, ficou “mal desenhada no projeto”. Segundo ele, a Medida Provisória 2208 de 2001, que hoje regula a meia-entrada estudantil, restringe o acesso à cultura pois permite um excesso de carteirinhas, o que puxa o preço dos ingressos para cima. A MP desobrigou o estudante a apresentar a carteira nacional da UNE e tornou válido qualquer documento que comprove que a pessoa é estudante.

“Acho que o Congresso fez bem em avançar o debate e tentar resolver um problema que não foi criado agora, mas em 2001 pela MP 2208. Foi ela que desorganizou todo o setor, vamos ser francos. O passo que foi dado contempla um lado da questão, que são os produtores que querem ver uma regra estabelecida. Do meu ponto de vista, agora a questão do direito dos estudantes precisa de aperfeiçoamento” avaliou.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, que defende que o “derrame de carteirinhas” inviabiliza a produção cultural do país, também participou do debate. “É preciso dar uma solução para a questão das carteiras falsas no Brasil, é preciso revogar essa MP que possibilitou que entidades fossem criadas só para fazer carteirinhas”, criticou.

Ferreira defendeu a idéia de que pessoas até 18 anos deveriam ter direito à meia-entrada porque estão na idade escolar, bastando a apresentação da carteira de identidade. “E se não está na escola deveria estar. Se por algum motivo esse jovem foi cerceado do direito à educação, isso não deveria ser justificativa para uma outra punição”, afirmou Juca, ressaltando que esta é uma opinião pessoal dele e não do Ministério da Cultura.

A presidente da UNE, Lúcia Stumpf, reafirmou que a configuração atual do projeto é “absolutamente nociva” aos estudantes. “Ele nasceu de forma positiva, com pontos que nós ajudamos a propor e elaborar, mas na formulação final retirou o problema central que é o grande número de falsificações de carteiras estudantis. Tudo que havia registrado nele que tratava da regulamentação foi retirado e só sobrou a limitação do nosso direito.”

Lúcia afirmou que o projeto foi aprovado na Comissão do Senado em função da pressão do “lobby da cultura”, incluindo “atores globais” e empresários do setor.

“Nós estamos atuando dentro da política, queremos que os senadores da Comissão de Educação consigam alterar esse projeto e melhorá-lo, colocando de volta o que diz respeito à unificação das carteiras e retirando as cotas. Caso sejamos derrotados, continuaremos nossa luta na Câmara”, prometeu.

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9 Novembro, 2008
Aos 50, Oficina continua encenando o novo

ÁLVARO KASSAB

Oficina é manchete do Jornal da Unicamp

Oficina é manchete do Jornal da Unicamp

O Oficina, um dos grupos teatrais mais importantes do país, es­tá completando 50 anos. Para comemorar a data, o Arquivo Edgard Leuenroth (AEL) vai promover, no dia 5 de novembro, uma homenagem que reunirá o diretor, dramaturgo e a­tor José Celso Martinez Corrêa, criador e líder da companhia, e os professores Marcelo Ridenti (IFCH/Unicamp) e Armando Sérgio da Silva (ECA/USP). O encontro, que começa às 15 horas, acontecerá no Auditório I do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. O AEL é depositário de boa parte da memória do grupo paulistano. Em 1987, a Universidade adquiriu toda a documentação reunida pelo Oficina até então. O material havia sido retirado do país depois da invasão da companhia pela Polícia Federal, durante o regime militar. Com a abertura política, seus integrantes trouxeram os documentos de volta para o Brasil.

“O conjunto documental registra a trajetória do grupo e permite conhecer suas montagens, ao mesmo tempo em que serve como testemunho de momentos im­portantes da vida político-cultural brasileira. Reúne milhares de fotos, roteiros, escritos diversos, diários de direção, textos teatrais, convites, cartazes, agendas, material de imprensa, recortes de jornais, filmes e vídeos”, atesta a socióloga e professora Elaine Marques Zanatta, uma das supervisoras do Arquivo Edgard Leuenroth desde 1991.

O Fundo Teatro Oficina, observa Elaine, é um dos mais procurados do AEL, constituindo-se em fonte de pesquisa de docentes, estudantes e pesquisadores de todo o país e do exterior. Parte do material fotográfico do Fundo poderá ser visitada em exposição virtual que o Arquivo vai colocar no ar em sua página (veja no quadro de serviço), em homenagem ao cinqüentenário da companhia. A mostra foi organizada pela própria Elaine e pelas funcionárias Maria Dutra e Marilza Aparecida da Silva. (Texto integral no Jornal da Unicamp)



TEATRO RÁ TIM BUM, DA TV CULTURA, CONSEGUE UNIR LINGUAGEM DO TEATRO E DA TELEVISÃO

28 Setembro, 2008
Teatro Rá Tim Bum consegue unir a liguagem do teatro com a da TV

Teatro Rá Tim Bum consegue unir a liguagem do teatro com a da TV

A televisão começou nos anos 50 tentando adaptar o teatro para a TV. Logo se viu que as linguagens eram muito diferentes. Não dava para simplesmente transpor. Durante muito tempo se tentou levar o teatro à televisão sem sucesso e sem uma confluência capaz de evitar os abismos entre as duas linguagens.

A experiência do Teatro Rá Tim Bum, da TV Cultura, parece ter encontrado uma fórmula mágica para esse conflito. A fórmula mágica não é transpor teatro para a TV, mas tentar unir recursos do teatro e da TV em uma nova linguagem. Esse parecer ter sido o caminho descoberto pelo Teatro Rá Tim Bum.

O fato de trabalhar especificamente com teatro infantil foi decisivo para o sucesso da empreitada. O teatro infantil parece absorver com facilidade os recursos inimagináveis e absurdos do desenho animado e que também se encaixam com os recursos eletrônicos da TV. É assim o Teatro Rá Tim Bum. Parece se inspirar na animação para poder ficar à vontade na TV.

Outro destaque são os textos reformulados e atualizados a partir de clássicos infantis. Assim, o humor, a qualidade dos atores, cenários, luzes e cores criam um universo com o estilo das Histórias em Quadrinhos. O Teatro Rá Tim Bum é, com certeza, um programa de qualidade da TV Brasileira.

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EU QUERO VER A RAINHA É BELEZA, INTELIGÊNCIA E SENSIBILIDADE SOCIAL NUM ÚNICO ATO

12 Agosto, 2008

A peça Eu Quero Ver a Rainha, de Fabiana Fonseca, é algo que vira do avesso o universo feminino. A atriz, que idealizou o projeto, conseguiu unir pesquisa e dramaturgia de uma forma intensa. Poderia ser um espetáculo para mulheres, mas fala também diretamente aos homens.
Ao ver a peça, gerada em uma sociedade tão determinada pelo vazio da produtividade e do lucro que se constrói sobre o universo feminino, vive-se um extasiamento. E nos faz pensar como foi possível chegar a tal resultado e a imaginar questões para além do campo teatral.
Fabiana Fonseca é uma mulher absolutamente linda, com seu belo corpo e delicado rosto, mas se constrói na peça como uma mulher competente e sensível às questões sociais e ao mundo desigual em que vivemos. Fabiana foge do esterótipo da beleza burra e contrói uma beleza sensível e competente. Fabiana é a Rainha, ou melhor, Totalmente Demais (Ouça).

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