BRASIL PRECISA INVESTIR PESADO EM PESQUISA SOBRE A BIODIVERSIDADE PARA SE TRANSFORMAR EM POTENCIAL AMBIENTAL

14 Julho, 2009

Brasil pode ser a primeira potência ambiental

Por Juarez Tosi/SBPC Ecoagência

O Brasil tem condições de se tornar a primeira e, por um longo tempo, a única potência ambiental do mundo, devido a sua grande biodiversidade e por já possuir um sistema de ciência e tecnologia maduro. Para tanto, é preciso aplicar esse conhecimento científico adquirido para utilizar os recursos naturais do País com vistas à geração de trabalho e riqueza, na intensidade correta e sem permitir que eles se esgotem. A avaliação foi feita pelo presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antônio Raupp, na abertura da 61ª Reunião Anual da Sociedade, ontem (12/07), em Manaus (AM).

“Com essa condição de potência ambiental, resolveríamos, ao mesmo tempo, duas importantes questões. A primeira diz respeito às populações da Amazônia, que é sua independência econômica. E também poderíamos responder ao mundo que conhecemos, convivemos e cuidamos da Amazônia”, indicou Raupp.

Raupp afirmou que a SBPC propõe a conservação da Amazônia, possibilitando uma interação dinâmica e sustentada com os diversos biomas da floresta. “No nosso entendimento e da comunidade científica brasileira, o modelo de desenvolvimento para a Amazônia terá de ser construído com base no conhecimento científico e tecnológico, de preferência, produzido na região”, ressaltou.
Há três semanas, Raupp entregou ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, um documento elaborado com a participação de 25 sociedades científicas associadas à SBPC, com sugestões para desatravancar a ciência no Brasil. Uma delas é permitir o acesso à pesquisa e ao uso da biodiversidade brasileira.

Presente na sessão de abertura do evento, o ministro da Ciência e Tecnologia afirmou que o documento já foi apresentado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou que as ações propostas sejam executadas. “Estamos fazendo avanços e vamos mostrar alguns deles nas próximas semanas. Alguns são mais complicados e envolvem até mudanças na Constituição. Mas vamos resolver essa questão do acesso à biodiversidade, que é fundamental para o País como um todo e muito importante para a Amazônia”, antecipou Rezende. (Texto integral na Ecoagência)

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20 Junho, 2009

Ônibus montado no Brasil faz parte de experimentos mundial para reduzir poluição do ar

Marcos de Oliveira/Revista Fapesp

Modelo de ônibus movido a hidrogênio

Um ônibus movido a hidrogênio passará a rodar provavelmente ainda neste mês de junho numa linha convencional urbana entre os bairros do Jabaquara, na zona Sul de São Paulo, e São Mateus, na zona Leste, passando pelos municípios de São Bernardo do Campo, Diadema, Santo André e Mauá, dentro da Região Metropolitana de São Paulo. O feito é inédito no Brasil e traz muitas novidades. Veículos movidos por essa tecnologia são silenciosos e não emitem poluentes. Eles lançam no ambiente apenas vapor-d’água e trazem benefícios à saúde porque não contribuem para o surgimento de doenças respiratórias, além de umidificar o ar das grandes cidades.

Ao lado dos biocombustíveis e dos veículos elétricos, o hidrogênio é visto por especialistas como uma real alternativa para os derivados de petróleo que emitem poluentes e tendem a escassear no futuro porque as reservas de óleo e gás natural são finitas, tanto pelo esgotamento de anos de exploração como pelo aumento do consumo mundial. Assim, a experiência brasileira se enquadra dentro de uma série de experimentos que são realizados pelo mundo com carros e ônibus a hidrogênio no lugar da gasolina e do diesel com o objetivo de diminuir os gases nocivos às pessoas e ao planeta.

O ônibus foi montado no Brasil com financiamento do Global Environment Facility (GEF), ou Fundo Global para o Meio Ambiente, uma agência ligada ao Banco Mundial, que financia iniciativas de desenvolvimento sustentável em vários países. “Fizemos parcerias no Brasil e no exterior para montar o ônibus e transferir tecnologia para o país porque no início o projeto era para comprar os ônibus prontos na Europa. O argumento foi que o Brasil é o maior produtor de ônibus do mundo [em 2008 foram produzidos 44.111, sendo 27.948 exportados, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)] e temos uma longa tradição na indústria de carrocerias de ônibus”, diz Carlos Zündt, gerente de planejamento da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), ligada à Secretaria dos Transportes Urbanos do Estado de São Paulo, instituição que ficou responsável pelo desenvolvimento e gerenciamento do projeto e vai colocar o ônibus a hidrogênio no corredor metropolitano exclusivo de 33 quilômetros (km). O objetivo aqui é incorporar, integrar e desenvolver tecnologia de uso do hidrogênio como combustível e preparar as empresas para esse futuro mercado.

No Brasil, o projeto foi iniciado em 2004 e reuniu um consórcio internacional de empresas construtoras e fornecedoras. O ônibus possui nove cilindros de hidrogênio e aparelho de ar-condicionado no teto e todos os outros equipamentos ficam na parte de trás do veículo. No Citaro o design é diferente. Todos os equipamentos estão instalados no teto, o que o faz necessitar de uma suspensão eletrônica especial e muito cara. Mas ele é igualmente dependente da célula a combustível. É ela que transforma o hidrogênio em eletricidade e faz mover o ônibus por meio de dois motores elétricos. A célula é formada por um conjunto de placas de eletrodos, normalmente de grafite, que, em forma de sanduíche, agrupa também, entre as placas, uma membrana polimérica chamada de Membrana de Troca de Prótons (PEM, na sigla em inglês). Ao passar por ela, as moléculas de hidrogênio (H2) são quebradas e os elétrons são liberados, gerando eletricidade. Para realizar esse processo eletroquímico, o hidrogênio também se une ao oxigênio captado do ar formando vapor-d’ água no final. Essa tecnologia – componente-chave de todo o sistema – foi adquirida da Ballard, uma empresa canadense que começou a desenvolver células a combustível em 1983 e entre 1992 e 1994 apresentou os primeiros protótipos.

O Brasil já possui, pelo menos, três empresas, Electrocell, Unitech, (ver Pesquisa FAPESP edições 93 e 103) e NovoCell – todas paulistas e com financiamento do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da FAPESP –, que estão desenvolvendo células a combustível e peças para esse equipamento em projetos pontuais para geradores de energia elétrica estacionários, principalmente para empresas, e não automotivos. (Texto completo na Revista Fapesp)
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23 Maio, 2009

 

Expansão de núcleos de universidades e institutos que são porta de entrada para empresa faz disparar receita vinda de parcerias

Do Inovação Unicamp

Em 2006, o licenciamento de tecnologias, as parcerias em projetos de pesquisa, a inovação e a prestação de serviços geraram receitas de R$ 810 mil para universidades e institutos públicos e privados no Brasil. Em 2008, o número pulou para R$ 13,1 milhões. Para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a razão do aumento está na expansão dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), de 19 em 2006, para 75 em 2008. Os NITs são estruturas que a Lei de Inovação (10.973/2004) obriga as instituições de ensino e pesquisa públicas a criar, como porta de entrada para a empresa. É de responsabilidade do NIT atuar na política de propriedade intelectual das instituições científicas e tecnológicas (ICTs) do setor público e na realização das parcerias destas com a iniciativa privada. Esses números se referem às 43 instituições que enviaram seus relatórios para o ministério em 2006 e às 101 que fizeram o mesmo em 2008, em um universo de 300 existentes no País. Nem todas as ICTs que enviaram relatórios (outra obrigação estabelecida pela Lei de Inovação) já formaram seus núcleos de inovação. Os dados foram apresentados por Reinaldo Danna, coordenador geral de inovação tecnológica do MCT, no segundo dia do III Encontro do Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec), que aconteceu na última semana de abril em Campinas (SP). O encontro discutiu os cinco anos da existência da Lei de Inovação. O Fortec reúne os profissionais das ICTs responsáveis pelas políticas de inovação e as iniciativas relacionadas a propriedade intelectual e transferência de tecnologia. Conta com 120 associados nas cinco regiões brasileiras. A previsão da Lei de Inovação Segundo o artigo 17 da Lei de Inovação, as ICTs devem preencher e enviar um relatório que traga informações sobre sua política de propriedade industrial, criações desenvolvidas, proteções adquiridas e concedidas e contratos de licenciamento ou transferência tecnológica firmados. O balanço apresentado tem base nesses relatórios. Dana apresentou dados que discriminam o tipo de licenciamento e o recurso obtido em cada um. Com os licenciamentos feitos com exclusividade, ou seja, em que a empresa parceira é a única que pode explorar a tecnologia licenciada, as ICTs conseguiram R$ 595 mil em 2006; e R$ 4,5 milhões em 2008. Os licenciamentos sem exclusividade mobilizaram menos recursos: R$ 100 mil em 2006 e R$ 933 mil em 2008. No balanço, há também a categoria “outras formas de licenciamento”, que trata de projetos feitos em parceria com as empresas e da prestação de serviços. Essa categoria ganhou maior importância ao longo dos anos. Em 2006, as ICTs conseguiram R$ 115 milhões com essas formas de cooperação. Em 2008, foram R$ 7,7 milhões. “Essa informação mostra que as empresas não dão tanta prioridade ao licenciamento exclusivo como se imagina”, destacou ele. As patentes das ICTs Danna também mostrou o número de patentes pedidas e concedidas às ICTs em 2008. Das 101 ICTs que informaram sobre suas atividades em 2008 ao MCT, 67 pediram proteção intelectual para suas tecnologias e 31 obtiveram patentes nesse ano. Foram feitos 1.035 depósitos de patentes no ano passado, 987 no Brasil e 88 no exterior. No mesmo período, 148 patentes foram concedidas às ICTs, 128 no País e 20 no exterior. (Texto integral no site Inovação Unicamp)

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UNIVERSDIDA DE SÃO CARLOS PESQUISA SISAL PARA PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEL

13 Maio, 2009
Fibra de futuro
Sisal, já utilizado em polímeros, poderá ser usado na produção de etanol
sisal poderá produzir álcool combustível

Sisal poderá produzir álcool combustível

Líder mundial no segmento de biocombustíveis, com a produção de bilhões de litros de etanol da cana-de-açúcar e biodiesel, o Brasil terá uma possível opção, dentro de alguns anos, de produzir etanol a partir do sisal, uma fibra vegetal abundante no país, muito resistente e usada para confecção de cordas, tapetes e peças artesanais. Além disso, móveis, estantes, peças para barcos e componentes automotivos, como painéis e revestimentos internos, podem utilizar como matéria-prima essa mesma fibra. Estudos nesse sentido são conduzidos pela química Elisabete Frollini, professora do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), no interior paulista. A equipe que ela coordena desenvolve placas poliméricas com fibras vegetais e está conquistando bons resultados na hidrólise do sisal, processo relativo à primeira etapa da produção de etanol, quando a glicose e outros açúcares fermentáveis usados na fabricação de álcool são obtidos a partir da celulose e de outros componentes das fibras vegetais.

O trabalho da pesquisadora está centrado na valorização das chamadas fibras lignocelulósicas e de seus três principais macrocomponentes: lignina, celulose e hemicelulose. Sisal e cana-­-de-açúcar são exemplos desse tipo de fibra. O interesse pelo sisal, segundo a pesquisadora, se deu porque o Brasil é o maior produtor e exportador global da fibra. Em 2007, a produção mundial atingiu 240,7 mil toneladas, das quais quase metade (113,3 mil toneladas) foi cultivada no país, que pode facilmente dobrar sua produção em curto espaço de tempo. Originária do México, o sisal (Agave sisalana) é uma planta cultivada em países em desenvolvimento e no Brasil as plantações estão concentradas nos estados da Paraíba e da Bahia. Depois de beneficiado, o sisal é exportado principalmente para os Estados Unidos, Canadá, Europa, Irã e países do Leste Europeu. China e México são os principais compradores da fibra virgem. A cultura do sisal tem uma área plantada de 154 mil hectares no país, com produtividade próxima a 800 quilos por hectare.

Outros dois aspectos vantajosos da fibra do sisal são o fato de ela não ser usada como fonte de alimento e, ao mesmo tempo, apresentar alto teor de celulose, cerca de 10% a mais do que o bagaço de cana. Considerando também a hemicelulose, a fibra de sisal tem cerca de 90% de material gerador de açúcares fermentáveis, que formam etanol a partir do processo de fermentação. “Esses açúcares são gerados a partir da hidrólise, que de forma simplificada pode ser considerada como uma reação em que são rompidas as ligações que unem muitas unidades de glicose na celulose e também unidades de outros açúcares na hemicelulose”, explica Elisabete. “No Brasil, os processos de hidrólise visando à produção de etanol estão centrados na utilização de cana-de-açúcar. Nosso trabalho está demonstrando que é possível usar o sisal para esse fim. Queremos contribuir para que o Brasil continue se destacando no setor de biocombustíveis e acreditamos que o sisal possa ser também uma matéria-prima importante.” (Texto Integral na Revista Fapesp)

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29 Abril, 2009

Apreensão na CanaVialis
Acusação da Universidade de Viçosa é que empresa de Campinas
deve royalties por multiplicar mudas durante serviço de limpeza

Janaína Simões/ Agência Inovação/ unicamp

Imagine! Monsanto joga pesado com produtores e tem mão leve com pesquisa

Imagine! Monsanto joga pesado com produtores, mas parece que tem mão leve com pesquisa

As 3.888 mudas de cana-de-açúcar de clientes da CanaVialis/Monsanto apreendidas pela Justiça na sede da empresa, em Campinas (SP), estão sendo analisadas nos laboratórios do Centro de Experimento de Cana-de-Açúcar da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Ponte Nova (MG). A apreensão ocorreu no dia 25 de março, em cumprimento de mandado de busca e apreensão expedido pela 5ª Vara Federal de Belo Horizonte, resultado de ação movida pela universidade contra a empresa. As mudas, da variedade RB 857515, foram desenvolvidas na UFV pelo pesquisador Márcio Henrique Pereira Barbosa, professor da universidade. A instituição alega que a CanaVialis está desrespeitando a Lei de Mudas e Sementes (10.711, de 5 de agosto de 2003) e a Lei de Cultivares (9.456, de 25 de abril de 1997). A UFV integra a Rede Interuniversitária de Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa), que substituiu o Programa Nacional de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar (Planalsucar), criado no Proálcool e desativado pelo governo Collor.

Barbosa diz não poder dar mais detalhes sobre o processo quando questionado se o exame em andamento nos laboratórios da UFV comprovará que as mudas são da variedade desenvolvida pela universidade e se provará, ainda, que as plantas foram duplicadas. Todas as variedades RB, sigla que significa República do Brasil, são originárias da Ridesa. A variedade RB 857515 está registrada no Ministério da Agricultura, sob o certificado nº. 00271, e é considerada rústica e de alta produtividade. O registro obriga as empresas que utilizam essas variedades a pagar royalties à UFV, posteriormente revertidos para atividades de pesquisa. Procurada por Inovação, a Monsanto, explicou por intermédio de sua assessoria de imprensa que o presidente da CanaVialis, Ricardo Madureira, não poderia ser entrevistado sobre o assunto porque a ação ainda está em curso.

Em nota divulgada à imprensa, a Monsanto diz que a CanaVialis “atendeu ao mandado em seus estritos termos” e que a ação data de 2007, ano anterior à aquisição da empresa pela Monsanto, concretizada em novembro de 2008. A Monsanto não respondeu a Inovação se tinha conhecimento da ação antes da compra da CanaVialis.

Na nota, a Monsanto alega ainda que “as mudas apreendidas pertencem a clientes da CanaVialis e encontravam-se nas dependências da empresa para beneficiamento (limpeza de patógenos)”. Também garante “que demonstrará em juízo que cumpre rigorosamente o disposto na legislação aplicável aos serviços que presta a seus clientes, mormente em relação aos direitos de propriedade intelectual sobre as variedades de cana-de-açúcar de terceiros, cujas mudas lhe sejam confiadas para beneficiamento”.

O ponto de vista de Viçosa

Márcio Barbosa, da UFV, explica que, no entender dele, não é essa a situação. Segundo o professor, ao realizar o trabalho de limpeza de patógenos, a CanaVialis faz a multiplicação das mudas. “Existe uma técnica chamada da micropropagação, multiplicação vegetativa in vitro das mudas”, diz. Aplicando tratamento térmico a um explante, nome técnico para um pedaço de tecido vegetativo, e fazendo o cultivo desse explante, é possível obter mudas sem bactérias e vírus. O cultivo do explante, na prática, resulta na multiplicação das mudas que chegam das usinas para a limpeza de patógenos. E a CanaVialis, sempre de acordo com Barbosa, devolve para as usinas todas as mudas multiplicadas durante o processo de limpeza.

“O problema todo reside na violação da propriedade intelectual, pois ao limpar as mudas de vírus, eles [a CanaVialis] micropropagam variedades de propriedade intelectual da UFV e enviam para os clientes milhares de plantas”, afirma Barbosa. (Texto Integral)

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BRASIL TAMBÉM É LIDER EM DESIGUALDADE NO ACESSO À INTERNET

7 Abril, 2009

Um dia estaremos como na Europa...

Um dia estaremos como na Europa...

Brasileiros pobres têm o menor acesso à internet entre 14 países da América Latina e Caribe 

Isabela Vieira 
Repórter da Agência Brasil 

Rio de Janeiro – Em países da América Latina e do Caribe, o acesso à internet por parte da população mais rica pode ser até 30 vezes maior que o acesso pelos mais pobres. Em uma lista com 14 países (com dados mais recentes), o Brasil lidera a desigualdade. Entre os mais ricos o uso no país é de 52%, quanto entre os mais pobres, é de 1,7%. As informações são da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU). Para chegar a essas conclusões, o órgão criou um banco de dados com indicadores sobre tecnologia da informação e comunicação (TIC). A partir de hoje (7), o sistema está disponível gratuitamente na internet. O banco de dados cruza informações sobre uso de computadores, internet e telefones, por exemplo, com indicadores socioeconômicos, auxiliando na elaboração de políticas de inclusão digital. De acordo com a Cepal, por meio da tecnologia, serviços de saúde, educação e governo eletrônico podem ficar mais acessíveis aos cidadãos. “A ferramenta propicia um cenário sobre o uso dessas tecnologias na região. Com isso, os países podem desenhar ou pesquisar novos esforços, novas iniciativas e ampliar esse acesso”, explica a coordenadora do projeto, Mariana Balboni. A Cepal reuniu informações em inglês e espanhol de 17 países, colhidas por meio de pesquisas domiciliares feitas entre 2000 e 2007. São mais de 40 variáveis sobre TIC e 20 indicadores socioeconômicos, como renda e escolaridade. No sistema, o cruzamento pode ser feito de várias maneiras. A coordenadora do projeto, explica que os dados das pesquisas nacionais foram harmonizados com base em padrões estatísticos internacionais, mas que para inclusão de novas informações, um dos desafios é a padronização das pesquisas. Segundo Balboni, a avaliação dos resultados é feita por cientistas sociais, não pelos organizadores do sistema. Mas adianta, com base nos indicadores, que a renda influencia no acesso à tecnologia nos país latino-americanos. “Podemos dizer, da maneira geral, que a exclusão digital acompanha a exclusão social no país, nos países e entre os países.”

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CEARÁ SAI NA FRENTE DE OUTROS ESTADOS BRASILEIROS E IMPLANTA BANDA LARGA COM CAPACIDADE PARA ATINGIR 80% DA POPULAÇÃO

31 Janeiro, 2009


Mapa do cinturão digital cearense

Mapa do cinturão digital cearense

ETICE – Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará/ Helenira Cartaxo

Com investimentos do Banco Mundial e verba de emendas da bancada federal do Ceará para o orçamento (LDO) da União de 2008, o Governo do Estado garante a execução do projeto Cinturão Digital. “O Cinturão Digital do Ceará é a infra-estrutura necessária para dar aos cearenses, acesso em banda larga aos serviços digitais”, define Fernando de Carvalho Gomes, presidente da Empresa de Tecnologia da Informação (Etice), vinculada à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag).

O Governo do Ceará elegeu como um dos projetos estratégicos a criação de infra-estrutura própria de fibras ópticas, com o objetivo de prover acesso por banda larga nas principais cidades do Estado, com cobertura inicial de 82% da população. “O acesso da população a serviços digitais, como internet, videoconferência, TV Digital, telefonia celular, etc., é ferramenta indispensável para o desenvolvimento econômico do Estado”, disse Fernando Carvalho.

A Etice tem conduzido o projeto e já começa a licitar equipamentos e serviços do Cinturão Digital, informa Carvalho.”Apenas cinco cidades cearenses dispõem de internet numa velocidade razoável (512kbps). Para ter internet em casa o usuário paga, em média, R$ 130,00 mensais por 1Mbps, e, para o Governo, esse valor vai para R$ 1.200,00/mês. Com o projeto pretendemos levar a internet banda larga com a velocidade de 30Mbps, através da fibra óptica”, observa o presidente da Etice.

Conforme Fernando Carvalho, apenas 4% dos cearenses possuem acesso à rede, quantidade bem inferior à média brasileira: 11%. “O quadro demanda rápida ação do Governo, visando prover acesso de qualidade a todos, pois muito mais do que levar internet àqueles que não têm chance de acessá-la, o Projeto busca a inclusão digital e social dos indivíduos que não podem pagar pelo serviço. O que faltava era infra-estrutura no Estado, isso não será mais problema”, afirma. “Sabemos que a infra-estrutura é apenas o começo, o projeto é ambicioso.

Mais de 80% de população urbana do Estado deve estar coberta até o fim de 2009, conectando escolas, órgãos públicos e favorecendo o ambiente de negócios nas empresas”, disse Fernando Carvalho. Um anel de 3.000 Km de fibras ligará as cidades de Fortaleza, Milagres, Tauá e Sobral. A partir dessa infra-estrutura, 25 pontos serão conectados por meio de ramificações de fibras.

A distribuição do acesso se dará através da tecnologia Wimax, que fornece ligações de até 70 Mbps, em cada município. “Para efeito de comparação, todos os órgãos do Governo hoje compartilham conexão de apenas 16 Mbps”, ressalta Carvalho. A alta velocidade permitirá não só o acesso à internet, mas também vídeo-conferência, telefonia celular, telefonia IP (Skype) e até TV Digital (IPTV).

Em Fortaleza, o Cinturão Digital se integrará com a rede metropolitana Gigafor, utilizando infra-estrutura do MCT, já existente, permitindo o acesso dos órgãos do Governo com velocidade de até 2 Gbps. “A meta para 2008 é a ligação de todos os órgãos e escolas públicas, assim como de parte da população, notadamente aqueles que não podem pagar pelo acesso. A manutenção dessa estrutura será efetuada por empresas interessadas em prover serviços, garantindo assim sua continuidade”, afirma Carvalho. O Cinturão Digital do Estado integrará outros projetos do Governo.

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17 Janeiro, 2009

Papel de plástico reciclado
Embalagens descartadas servem para rótulos e livros

Novo papel plástico é usado para embalagens

Novo papel plástico pode ser usado até para fabricar dinheiro

Um papel sintético fabricado com plástico descartado pós–consumo foi desenvolvido na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e testado em uma planta piloto da empresa Vitopel, fabricante de filmes flexíveis com fábrica em Votorantim, no interior paulista. Produzido em forma de filmes, o material produzido a partir de garrafas de água, potes de alimentos e embalagens de material de limpeza pode ser empregado em rótulos de garrafas, outdoors, tabuleiros de jogos, etiquetas, livros escolares e cédulas de dinheiro. “Ele é indicado para aplicações que necessitam de propriedades como barreira à umidade e água, além de ser bastante resistente”, diz a professora Sati Manrich, do Departamento de Engenharia de Materiais da universidade e coordenadora do projeto que teve financiamento da FAPESP para o desenvolvimento da pesquisa e o depósito de patente. O papel sintético comercializado atualmente é produzido com derivados de petróleo. “Existem várias patentes e produtos comercializados com matéria-prima virgem, mas não encontramos nenhuma patente ou papel sintético feito a partir de material plástico reciclado”, diz Sati.

Os testes na planta piloto, também chamada de escala semi-industrial, foram conduzidos por Lorenzo Giacomazzi, coordenador de tecnologia de processos da Vitopel, que tem a cotitularidade da patente. “O grande diferencial desse processo é fabricar um papel sintético com material totalmente reciclado”, diz Giacomazzi. Foram usadas várias composições e misturas de plásticos da classe das poliolefinas. “O aspecto final é o mesmo do produto feito a partir da resina virgem, com a vantagem que se aproveita o material que iria para o aterro sanitário ou lixões.” A negociação da patente foi uma permuta entre as duas partes. Como a empresa precisava conhecer a composição do material para permitir o uso do equipamento, foi feita uma parceria. “Não pagamos nada para usar a máquina necessária para o experimento e, em troca, eles ficaram com um terço da propriedade intelectual”, explica Sati. Atualmente a empresa está à procura de fornecedores de material reciclado para continuar os testes em escala ampliada

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14 Janeiro, 2009

Brasil inicia em fevereiro produção de urânio enriquecido em escala industrial

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil

Urânio enriquecido vai abastecer usinas de Angra

Urânio enriquecido vai abastecer usinas de Angra

Brasília – A empresa estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) vai fabricar urânio enriquecido em Resende, no sudoeste fluminense, a partir do próximo mês. Até o final do ano a produção deve chegar a 12 toneladas da matéria-prima do combustível utilizado em usinas nucleares. A expectativa da INB é produzir, até 2012, todo urânio enriquecido utilizado na usina nuclear de Angra I e 20% do combustível para Angra II.

As informações são do diretor de Produção do Combustível Nuclear da INB, Samuel Fayad Filho, para quem o domínio nacional do processo de completo de enriquecimento de urânio significa “um salto”.

“O grande avanço é que no futuro nós não vamos depender de serviços externos para uma tecnologia importante. Não teremos nenhum problema de alguém fechar a válvula do gás”, disse Fayad Filho, se referindo ao episódio do corte de fornecimento de gás Gazprom da Rússia para a Ucrânia e demais países da Europa ocorrido na semana passada.

De acordo com ele, a produção nacional de urânio enriquecido vai trazer ao Brasil uma economia de US$ 25 milhões, o correspondente ao que o país gasta para enriquecer o mineral no exterior. Até agora, o Brasil tinha o minério, mas por não dominar o processo de enriquecimento exportava o material bruto e comprava de um consórcio de empresas européias o urânio enriquecido.

A tecnologia para o enriquecimento de urânio foi desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) e pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN). O Brasil será o nono país a dominar o processo de enriquecimento do mineral.

Para iniciar a produção industrial de urânio enriquecido, a fábrica de Resende já tem duas cascatas de ultracentrífugas em série (equipamento inventado pelos alemães durante a 2ª Guerra Mundial) utilizadas para separar as partículas de urânio que liberam energia. A previsão é que em três anos, dez cascatas de ultracentrífugas estejam em funcionamento.

Desde novembro de 2006, a INB tinha licença ambiental do Ibama para enriquecer o urânio mas a autorização de operação da fábrica, válida por um ano, só foi dada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) no último dia 5.

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24 Dezembro, 2008

Brasil e França criam instituto para explorar Amazônia

CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA
da Folha de S.Paulo
RAPHAEL GOMIDE
da Folha de S.Paulo, no Rio 

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy assinaram no Rio de Janeiro um ambicioso acordo para a exploração conjunta da Amazônia. O plano, que acabou ofuscado pela parceria militar e os olhos azuis da primeira-dama francesa, Carla Bruni, prevê atividades de pesquisa e exploração dos recursos genéticos do bioma amazônico, acesso aos conhecimentos tradicionais e o desenvolvimento de produtos “de interesse ambiental, econômico e social”, com a “repartição justa e eqüitativa dos benefícios” gerados.

Um protocolo adicional prevê a criação de um Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica, focado na pesquisa científica e tecnológica. O órgão será constituído de núcleos a serem instalados na região fronteiriça entre o Amapá e a Guiana Francesa.

Pelo acordo, as atividades de exploração dos recursos dependerão da anuência de cada governo.

Segundo a Folha apurou, será criado grupo de trabalho com a missão de fazer um levantamento, por sensoriamento remoto, da situação atual dos recursos naturais, tanto do lado francês como do brasileiro. Regularização fundiária, zoneamento ecológico e econômico também estão no alvo do estudo conjunto.  (Texto integral na Folha)

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