Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 25 junho, 2008

EDUCAÇÃO POLÍTICA ATINGE 1.000 VISUALIZAÇÕES

 

É realmente empolgante e impressionante a comunicação na Internet. Só mesmo participando ativamente pode-se ter uma idéia da sua magnitude. Em menos de dois meses de existência, este blog já registrou, pelos dados do próprio wordpress, 1.000 visualizações. Veja abaixo dois comentários de internautas que ajudaram a construir este espaço. No comentário de Leonardo Betti, um link com uma inusitada entrevista da Fox News:

 

Educação Política é você quem faz – 2

Luís Mello:

Em uma aula de contabilidade que tive, em um daqueles momentos “lembrem-se, alunos, eu nunca disse isso”, o professor contava alguns “macetes” legais para enrolar a tributação ao longo de 15 anos, com direito a desconto (!), para pessoas jurídicas…

De COBRANÇA ÁGIL DE DEVEDORES EM LUGAR DA CSS, 2008/06/18 at 9:09 PM

 

Léo Betti:

Acho que pior que a Lucia mesmo só o Carlos Alberto Sardemberg, esse sim é o máximo da arrogância vestida de jornalismo republicano isento e imparcial. Todo dia de manhã preciso aguentar esse cara sem dicção falar os maiores absurdos da cartilha liberal… hoje de manhã ele mencionou que o “mercado” (fico pensando nessa expressão, seria a quitanda da esquina? porke ele não explica o que é “mercado?”)  estava esbravejando contra os impostos da conta poupança, já que estariam rendendo demais com o desconto da alíquota do IR. Coitado de quem não tem o mínimo de conhecimento sobre econômia, que nem se pergunta a quem o Sardemberg serve!
Agora, discordo sobre a falta de criatividade da CBN. Acho que dá pra salvar o André Trigueiro, esse sim um momento inovador e de reflexão no rádio. Gosto bastante!
Falando em jornalistas canaaaalhas, Glaucão dá uma olhada nesse vídeo da Fox:
http://blogdomello.blogspot.com/2008/01/1109-jornalistas-da-fox-agridem.html
Vale a pena! Que os deuses salvem a internet e a “esfera pública alternativa”!
Abraços, Léo Betti

De LÚCIA HIPÓLITO OU PORQUE A REDE GLOBO PERDE AUDIÊNCIA, 2008/06/18 at 8:37 PM

ANÁLISE SOBRE O GOVERNO LULA E A COMUNICAÇÃO

 

MÍDIA & PODER

Por que o governo Lula perdeu a batalha da comunicação

A mídia na era Lula deixou de funcionar como mediadora da política, passando a atuar diretamente como um partido político de oposição. Apesar de disputarem agressivamente o mercado entre si, há mais unidade programática hoje entre os veículos da mídia oligárquica do que no interior de qualquer partido político brasileiro, até mesmo partidos ideológicos como o PT e o PSOL. Todos os grandes veículos, sem exceção, apóiam as privatizações, a contenção dos gastos públicos, a redução de impostos; a obtenção de um maior superávit primário, a adesão do Brasil à ALCA; todos são críticos à criação de um fundo soberano, ao controle na entrada de capitais, ao Bolsa Família, à política de cotas nas universidades para negros, índios e alunos oriundos da escola pública, à entrada de Venezuela no Mercosul e ao próprio Mercosul. Todos criticam o governo sistematicamente, em todas as frentes da administração, faça o governo o que fizer ou deixar de fazer.

Na campanha da grande imprensa que levou Vargas ao suicídio, o governo ainda contava como apoio da poderosa cadeia nacional de jornais Última Hora. Hoje, não há exceção entre os grandes jornais. Outra diferença desta vez é a adesão ampla de jornalistas à postura de oposição, e sua disseminação por todos os gêneros jornalísticos tornando-se uma sub-cultura profissional. Emulada por editores, prestigiada por jornalistas bem sucedidos e comandada pelos intelectuais orgânicos das redações, os colunistas, essa sub-cultura é dotada de um modo narrativo e jargão próprios.

Em contraste com o jornalismo clássico, que trabalha com assertivas verazes para esclarecer fatos concretos, sua narrativa não tem o objetivo de esclarecer e sim o de convencer o leitor de determinada acusação, usando como fio condutores seqüências de ilações. É ao mesmo tempo grosseira na omissão inescrupulosa de fatos que poderiam criar outras narrativas , e sofisticada na forma maliciosa como manipula falas, datas e números. O enunciador dessa narrativa conhece os bastidores do poder e não precisar provar suas assertivas. VEJA acusou o PT de receber dinheiro de Cuba, admitindo na própria narrativa não ter provas de que isso tenha acontecido. Em outra ocasião, justificou a acusação alegando não haver nenhuma prova de que aquilo não havia acontecido.

Trata-se de uma sub- cultura agressiva. Chegam a atacar colegas jornalistas que a ela se recusaram a aderir , criando nas redações um ambiente adverso a nuances de interpretação ou divergências de análise. O meta-sentido construído por essa narrativa é o de que o governo Lula é o mais corrupto da história do Brasil, é incompetente, trapalhão, só tem alto índice de aprovação porque o povo é ignorante ou se deixa levar pelo bolso, não pela cabeça.

Levantam como principal bandeira o repúdio à corrupção. Mas como quase todo o moralismo em política, trata-se de mais uma modalidade de falso moralismo: é o “moralismo dirigido” que denuncia os “ mensaleiros do PT” e deixa pra lá o valerioduto dos tucanos, onde tudo de fato começou, e mais recentemente o escândalo do Detran de Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul onde tudo continua. É “ moralismo instrumental”, que visa menos o restabelecimento da ética e mais a destruição do PT e do petismo.

O que poucos sabem é que essa sub-cultura se tornou dominante graças a uma mãozinha da Globo. Quando foi revelada em fevereiro de 2004 a propina recebida dois anos antes por Waldomiro Diniz, sub-chefe da assessoria parlamentar da Casa Civil do governo Lula, a Globo vislumbrou a oportunidade de uma ofensiva de caráter estratégico: cortar o barato do petismo e de sua ameaça de governar o Brasil por 40 anos. Com esse objetivo, mudou o modus operandi do seu jornalismo político. Logo depois das denúncias de Roberto Jefferson, criou uma central de operações, em Brasília, unificando as coberturas de política da TV, CBN e jornal O Globo sob o comando de Ali Kamel, que para isso se deslocou para Brasília.

Em quase todas as campanhas eleitorais os grandes jornais criam uma instância adicional de decisão sob o comando de alguem de confiança da casa, que passa a centralizar toda a cobertura política. A central coordenada por Ali Kamel em Brasília reflete essa passagem de um jornalismo normal para um jornalismo de campanha, apesar de não estar em curso uma campanha eleitoral.

A central de Brasília, dizem jornalistas que trabalharam no sistema Globo, formou uma espécie de “gabinete de crise” com líderes da oposição do qual faziam parte ACM Neto e Paes de Andrade, pautando-os e por eles se pautando. Vários jornalistas faziam parte da operação, cada um encarregado de uma “fonte” da oposição. Tinham a ordem de repercutir junto àquela fonte, todos os dias, falas e acusações, matérias do dia anterior, entrevistando sempre os mesmos protagonistas: Heloísa Helena, ACM Neto, Gabeira , Onix Lorenzoni. No dia seguinte, os jornais davam essas falas em manchete, como se fosse fatos. Assim surgiu todo um processo de construção de um relato da crise destinado a se tornar a narrativa dominante e única.

A VEJA lançara sua própria operação de objetivos estratégicos muito antes. Entre 2003 e 2006, VEJA produziu 50 capas contra Lula , sendo 18 delas consecutivas.

Quando surgiu a fita de Waldomiro Diniz, a revista revelou esse objetivo em ato falho : “Os ares em torno do Palácio tinham na semana passada sabor de fim de governo.”
(Leia mais em Carta Maior)

 

 

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