Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 21 agosto, 2008

A OUTRA FACE DOS HABEAS CORPUS DE DANIEL DANTAS

As milícias do Rio de Janeiro mostram como o crime organizado se infiltrou na sociedade em praticamente todas as esferas. Há no país uma certeza de impunidade, garantida pela advocacia e pelo jornalismo sem caráter. Bons advogados vendem a certeza da impunidade para empresas e criminosos; jornalistas vendem a pressão sobre juízes honestos com matérias plantadas na grande mídia.

Os habeas corpus dados a Daniel Dantas têm uma outra face: uma face que vai do abuso das empresas de serviço (principalmente na área de telefonia e internet) que impedem o fim do contrato com o cliente e, além disso, ligam para as residências impunemente para importunar, e vai até às milícias cariocas e suas práticas criminosas.

Esse é o Estado de Direito que o Supremo está construindo. Veja abaixo o Estado de Direito que não incomoda o Supremo.

Polícia identifica dez suspeitos de envolvimento em chacina no Rio

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A Polícia Civil do Rio identificou 10 dos 17 suspeitos de envolvimento na chacina da Favela do Barbante, na madrugada de ontem (20). Entre os suspeitos, há três policiais militares, dois policiais civis e um bombeiro, além do filho do vereador Jerônimo Guimarães, Luciano Guimarães.

As informações foram conformadas, há pouco, pelo delegado do bairro de Campo Grande, Marcus Neves, que investiga o caso. Ele participou, na manhã de hoje (21) de reunião na Assembléia Legislativa com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e com o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, deputado Marcelo Freixo.

De acordo com o delegado, Luciano Guimarães, que é o atual chefe da milícia da zona oeste, não só comandou os sete assassinatos na Favela do Barbante como também participou da execução aleatória dos moradores. Marcus Neves acrescentou que Luciano Guimarães estaria chefiando a milícia no lugar do pai, Jerônimo Guimarães, o Jerorminho, preso no Complexo Penitenciário de Gericinó (Bangu).

As investigações da Polícia Civil indicam também que há relação entre a chacina e campanhas eleitorais de candidatos envolvidos com as milícias da zona oeste. O delegado levantou, inclusive, a hipóteses de um dos beneficiados ser a candidata à Câmara de Vereadores Carminha Guimarães, também filha de Jerônimo Guimarães.

“Esse atentado teve como objetivo primeiro criar a idéia na comunidade de que a presença de milicianos é imprescindível. E alguns candidatos vinculados ao grupo de milicianos deveriam ser prestigiados pela comunidade no sentido de eleger essas pessoas para que a milícia permanecesse na comunidade”, afirmou o delegado.

“Trabalhamos com todas as possibilidades. Entre elas, a da Carmninha Jerônimo ser uma dessa referências”, acrescentou Marcus Neves, em entrevista coletiva ao final da reunião na Assembléia Legislativa.

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