Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 12 outubro, 2008

PSOL JÁ DEU A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A VITÓRIA DE KASSAB EM SÃO PAULO E DE SERRA EM 2010

lava as mãos na eleição de São Paulo

Psol: lava as mãos na eleição de São Paulo

O Psol já deu a sua contribuição para a vitória de Kassab. Em nota, o partido diz que os governos de Kassab e Marta, eleitos, não terão diferenças. O argumento do Psol é o mesmo do indivíduo que odeia política e diz: “todos os políticos são iguais”. O Psol lava as mãos. Veja trecho da nota do Psol. “Decidimos não apoiar nenhum dos dois candidatos, pois nenhuma das candidaturas representa uma mudança para São Paulo e ambas estão atreladas politicamente ao poder econômico sendo financiadas por grandes corporações”.

O Psol é o partido que tem tudo para herdar a energia utópica que sempre foi reivindicada pelo PT dos bons tempos. Mas é inegável pensar que o partido não faz análise política. Parece mais uma análise sentimental. É óbvio que os integrantes do Psol sabem diferenciar o possível governo Marta do governo Kassab, mas são levados a isso provavelmente por um sentimento de rancor com o PT. O sentimento humano provocado pela expulsão de vários integrantes do Psol do PT parece que estão acima da população de São Paulo e do Brasil, mesmo depois de tanto tempo.

É certo que o PT de hoje não é o PT de ontem, mas é inegável que existam importantes diferenças, tanto nos quadros, como na política, entre as duas legendas que disputam a prefeitura da capital. Não é necessário compactuar com o PT e nem participar do governo, mas é preciso se colocar para a população, clarear a política e as diferenças. O Psol está contribuindo também para a vitória de José Serra à presidência e para a volta ao poder de um partido que quebrou o país várias vezes nos anos 90 e quase quebra de novo agora, caso tivesse levado à frente naquele período a privatização de empresas como o Banco do Brasil e a Petrobrás.

Essa mistura nebulosa entre sentimentos pessoais e política são comuns. Veja Roberto Freire, presidente do PPS. Lembro-me dele nos debates das eleições de 1989. Era o discurso mais lúcido e mais contundente entre os candidatos. Era encantador vê-lo falar, mas o que sobrou daquilo? Nada. Hoje o PPS é um partido que tem Raul Julgmann nos seus quadros. É um partido perdido e nefasto.

Talvez o Psol ganhe alguma coisa politicamente mostrando essa postura (o que duvido), mas a população com certeza perde.

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Veja nota do Psol no site do Biscoito Fino.

PELA PRIMEIRA VEZ PREFEITOS DE ORIGEM INDÍGENA SÃO ELEITOS NO AMAZONAS

Amazonas elege seus primeiros prefeitos indígenas

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

Manaus – O resultado das eleições municipais de 2008 passará a ter um significado especial para os povos indígenas do Amazonas. É que, pela primeira vez na história das eleições brasileiras, uma cidade escolheu prefeito e vice-prefeito indígenas: São Gabriel da Cachoeira, no extremo norte do estado. Outro município, Barreirinha, no Baixo Amazonas, também vai ser administrado a partir de janeiro de 2009 por prefeito indígena.

São Gabriel da Cachoeira, que fica a 858 quilômetros da capital, Manaus, elegeu para prefeito Pedro Garcia, da etnia tariana, e para vice-prefeito, André Baniwa, da etnia Baniwa. Foram 12.319 votos válidos, e eles tiveram 51,68% da preferência do eleitorado. No município, nove de cada dez habitantes são comprovadamente indígenas. É o município com maior número de índios no país.

O vice-prefeito eleito André Baniwa disse que a vitória eleitoral é resultado do amadurecimento político do povo indígena. Segundo ele, saúde e educação serão prioridade na próxima administração.

“Há necessidade de reconhecimento e legalização das escolas indígenas, formação de professores e qualificação dessa categoria. Terão prioridade no município saúde, infra-estrutura e segurança, além de ações que busquem alternativas de renda para a população”, informou Baniwa.

Em Barreirinha, a 331quilômetros de Manaus, Mecias Satere Mawe, foi eleito prefeito com 33,1% dos votos válidos (3.666).

Para o diretor do Centro Amazônico de Formação Indígena e presidente do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena do Amazonas, Domingo Sávio Camico, o resultado das eleições nos dois municípios é uma conquista histórica para os povos indígenas. Ele disse que a participação das populações indígenas na política é coisa recente no Amazonas, onde, tradicionalmente, esse envolvimento se dava por meio das organizações que os representam e de movimentos sociais.

CONDENAÇÃO DE CORONEL ABRE PRECEDENTES CONTRA TORTURADORES DA DITADURA MILITAR

Família comemora condenação moral e política de coronel torturador

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – A decisão da Justiça de responsabilizar o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra por tortura durante a ditadura militar foi comemorada hoje (10) pela família Teles, em São Paulo. A sentença saiu ontem (9) e condena o coronel moral e politicamente pela tortura contra César Augusto Teles, Maria Amélia de Almeida Teles e Criméia Alice Schmidt de Almeida. A família não pede indenização financeira, mas o reconhecimento de que o Estado mantinha como torturadores membros do Exército.

A família falou com a imprensa durante evento em homenagem aos 40 anos do 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em Ibiúna, no interior paulista. A cerimônia ocorreu no Memorial da Resistência, na Estação Pinacoteca do Estado, e reuniu ex-presos políticos e pessoas que participaram da luta contra a ditadura e a favor da democracia.

Durante a cerimônia foram inaugurados dois painéis: um com as fotos dos 23 estudantes mortos na época da ditadura e outro com a lista dos 719 presos durante o Congresso. Na lista aparecem os nomes Jean Marc Von der Weid, Wladimir Palmeira, Franklin Martins e José Dirceu, entre outros. A cerimônia foi organizada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura e com a UNE.

Uma das autoras da ação judicial que resultou na declaração de Ulstra como torturador, Amélia afirmou que a decisão é extremamente importante não só para a família Teles, mas também para a sociedade brasileira em geral, porque resgata a cidadania, a ética e a justiça. “Abre possibilidades para o Brasil criar uma cultura de combate, de pôr fim à ditadura, à tortura, ao desmando. É um momento em que a democracia se reconstrói e se consolida”.

O marido de Amélia, César Augusto Teles, disse que desde a época em que a família foi presa, em 1972, eles tentam levar os torturadores o julgamento, mas até conseguir um advogado disposto a isso era complicado, devido ao clima de terror existente no país por causa da ditadura. “Hoje eu sinto que foi uma decisão ainda pequena, mas importante porque é um primeiro passo para que outros também recorram e peçam a punição desses torturadores, que são criminosos. Mas acho que eles não têm perdão, mas também não estou procurando vingança. Quero que o país viva dentro da lei e que as pessoas tenham o direito de ter o pensamento que quiserem, desde que não infrinjam a lei”.

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