Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 13 outubro, 2008

A MÍDIA VESTIU MODELITO CLÁUDIA KRISTINA PARA NINGUÉM VER GILMAR MENDES COMER CHOCOLATE

Veja como a grande mídia cobriu na semana passada as relações de Gilmar Mendes com o IBD (Instituto Brasiliense de Direito) e seus contratos sem licitação com os órgãos públicos, a compra de um terreno avaliado em R$ 2,2 milhões por R$ 400 mil, empréstimo do Banco do Brasil no programa de Fundo Constitucional do Centro Oeste e, pasmem,  professores do IDB entre magistrados e advogados com ações no Supremo Tribunal Federal.

A grande mídia continua usando o modelito Cláudia Kristina. Ele é ótimo para ocasiões de desconforto. É também conhecido como ocultação. “Coma chocolates, menina!!! Coma chocolates”, diria Fernando Pessoa.

Assista ao vídeo e veja se a grande mídia se parece com uma falsa porta! Ou seria com uma porta?!!

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ELEIÇÃO NO RIO DE JANEIRO ESTÁ DANDO A MAIOR CONFUSÃO IDEOLÓGICA NA CABEÇA DO ELEITOR

A Eleição da capital carioca está uma barafunda. De um lado um conservador fabricado com o apoio das frentes de esquerda e, de outro, um progressista apoiado pelas forças conservadoras. Isso está provocando um curto-circuito mental no eleitor. Rovai e Miguel do Rosário tentam nos ajudar a entender. Veja abaixo textos para clarear ou, talvez, confundir. Vai saber…

Blog do Rovai

Por que no Rio eu sou Gabeira

O estrabismo político histórico do PT carioca deixou o campo das esquerdas sem opção clara no segundo turno. Ao invés de apoiar Jandira Feghali, o que daria à candidata comunista musculatura partidária e tempo suficiente na TV para enfrentar o embate, a seção carioca do partido insistiu com a anêmica candidatura de Alessandro Molon, que morreu sem nem chegar à praia com menos do que 5% dos votos.

E como se não tivessem feito uma baita barbeiragem política, os petistas cariocas já estão todos risonhos nas fotos dos jornais aderindo ao new peemedebista Eduardo Paes.

Como o PT de São Paulo pretende comparar a biografia política de Marta com a de Kassab, vou fazer o mesmo com a de Gabeira e Eduardo Paes para explicar porque prefiro um ao outro. Mas antes, um detalhe, a de Eduardo Paes talvez seja pior do que a de Kassab.

Paes, para quem não se lembra, fazia dupla com Acminho Neto na CPI dos Correios. Era da turma jovem dos urubus do impeachment e vivia à procura de uma câmera de TV para acusar Lula de chefe da quadrilha do mensalão. Mas alguém pode dizer, mas o Gabeira fez diferente? Honestamente, o vi fazendo muita demagogia política e tabelando com gente do calibre de ACM, mas não me recordo de ataques pessoais seus. Ademais, certo ou errado Gabeira ainda mantém boa parte das suas opiniões a respeito daquele episódio. Ele não está rebolando para se justificar ou para pedir o apoio de Lula.

Mas Eduardo Paes não é só um dos urubuzinhos do impeachment. Ele nasceu para a política pelas mãos de César Maia, para o qual hoje faz aquele biquinho do tipo eu nem te conheço. Em 1992, Maia fez do então estudante de advocacia (ele tinha 23 anos) o subprefeito da Barra e de Jacarepaguá. Depois de quatro anos à frente do pelotão do prefeito maluquinho (era a época em que César Maia pedia picolé no açougue, lembram?), o moço saiu candidato a vereador e foi eleito. Em 1996, virou deputado federal e foi mudando de partido conforme o vento do conservadorismo carioca mudava. Hoje está no PMDB do governador Sérgio Cabral. Mas quando era urubu do impeachment pulava no galho tucano. Na época de Maia, foi do PFL e do PTB.

E Gabeira. Bem, Gabeira também não é um poço de coerência política. E hoje nem de longe lembra o político do final dos 80 e começo dos 90, que com seu discurso moderno empolgava a galera que sonhava com um novo jeito de fazer política. O verde que Gabeira hoje tenta representar está mais para a pasmaceira tucana do que para algo de fato inovador. De qualquer maneira, ele sempre esteve mais para cá do que para lá. Teve apenas dois partidos desde que voltou do exílio: PV e PT. E como deputado colocou seu mandato à disposição das lutas ambientais e das minorias. Falar isso hoje parece pouco. Mas lembro-me de que a mesma mídia que faz olas a Gabeira hoje, antes o achava exótico porque seu mandato estava sempre pautando a diversidade. Parecia coisa de doidão, algo engraçado. (Texto Integral no Blog do Rovai)

Óleo do Diabo

O Dilema do Gabeira

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Sobre o Gabeira, uma reviravolta. Apóio o Gabeira. Tenho razões ideológicas, partidárias, municipais e culturais. Gabeira está ligado às grandes demandas cariocas, ecologia, drogas, a loucura. É forte. Prefeito é um agente político, existe o aspecto universal. O Rio guarda relações profundas com Gabeira. Primeiro, o aspecto ecológico. Há um elo selvagem fundamental entre o carioca e a natureza. Mesmo com toda a destruição verificada nas últimas décadas, o Rio é uma das metrópoles que mais convive com o verde, a floresta, além da baía, os rios, as belíssimas montanhas cobertas de mata atlântica que rodeiam e atravessam o município. Cidade de índios guerreiros, quilombos, abolicionistas, republicanos radicais, o Rio tem vocação para metrópole cosmopolita artística vanguarda cultural política. Por isso também é elitista. No sentido cultural e espontâneo de elite, que é desvinculado diretamente (embora indiretamente, claro, está ligado à questão de classe) do financeiro. Tanto que Gabeira ganhou não só na Zona Sul, mas também Zona Norte, ou seja, mostra que Gabeira invadiu o lado mais intelectual do subúrbio, que é Vila Isabel, Tijuca, Andaraí, Méier, Madureira, etc. A Zona Norte é imensa. Se Gabeira ganhou na Zona Norte, ele rompeu com o estigma de ser elitista. (Texto integral no Óleo do Diabo)

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Admito: meu apoio à Fernando Gabeira foi intempestivo, inconsistente, leviano. Ainda não sei o que pensar sobre as eleições cariocas. Assistirei o debate entre os dois rivais, acompanharei o processo e aí poderei tomar uma decisão mais ponderada. Agradeço aos leitores e comentaristas que participam do blog e me ajudam a pensar. Volto amanhã. (Óleo do Diábo)

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