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ENQUANTO O PROFESSOR NÃO FOR VALORIZADO, O BRASIL NÃO MUDA

Ministro da Educação, Fernando Haddad
Ministro da Educação, Fernando Haddad

Mais de 80% dos professores se sentem desvalorizados

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Mais de 80% dos professores se sentem desvalorizados pela sociedade. O cenário não muda dentro da escola, onde 75% acha que a administração do colégio ou mesmo da secretaria de educação de sua cidade não reconhecem a importância da categoria. A constatação é da pesquisa A Qualidade da Educação sob o Olhar do Professor, da Fundação SM e da Organização dos Estados Ibero-americanos. Mais de 8 mil professores em 19 estados participaram do estudo.

“O fato de não serem valorizados [professores] como profissionais, sem perspectiva de bons salários ou de uma carreira, leva a um processo de desvalorização. Os jovens não procuram o magistério o que cria um efeito dominó”, comenta o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão.

Apesar da avaliação negativa sobre o reconhecimento da profissão, 67% dos professores disseram que não mudariam de profissão. “Esse percentual é muito bom. É mesmo uma profissão que envolve. Você está sempre em contato com o que tem de novo no mundo, que são as crianças e os jovens. Isso é importante, é gostoso”, conta Leão.

Outro tema avaliado pela pesquisa foi o grau de satisfação dos professores referente aos diferentes aspectos da escola, desde a infra-estrutura até o relacionamento com as famílias dos estudantes. Para 81,3% dos entrevistados, a relação do professor com seus alunos é o que traz mais satisfação.

Em todos os pontos avaliados, o nível de contentamento dos professores da rede particular é sempre maior do que os da pública. Sobre as instalações, equipamentos e materiais que a escola dispõe para otimizar as aulas, 84,1% dos professores da rede privada dizem estar satisfeitos, contra 47,3% da rede pública.

Reforma da carreira seria principal mudança para melhorar educação, avaliam professores

Amanda Cieglinski*
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Uma reforma da carreira para os profissionais da educação, incluindo melhorias salariais, é a principal mudança para melhorar o ensino no país. Esta é a opinião de 94% dos 8 mil professores entrevistados pela pesquisa A Qualidade da Educação sob o Olhar do Professor, da Fundação SM e a Organização dos Estados Ibero-Americanos.

“Hoje é muito difícil o professor ter uma carreira que o valorize e dê perspectivas para o futuro. Isso porque os planos de carreira sofrem, a cada mudança de governo, intervenções ao sabor da política que aquele governador ou prefeito acha que deve ser”, afirma o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão.

Para ele, o projeto de lei que estabelece diretrizes nacionais para a carreira docente, que hoje tramita no Congresso Nacional, pode ser decisivo para mudar o cenário. “É um debate importante. Precisamos de normas que passam, por exemplo, por ingresso na carreira por concurso público, um processo claro de progressão e a possibilidade de atualização constante desses profissionais.”

Outras quatro mudanças também foram bastante defendidas por mais de 80% dos professores: oferecer um ensino médio profissionalizante de qualidade no país, ampliar a oferta de educação infantil pública, incorporar ao currículo disciplinas sobre cidadania e direitos humanos e reformar o ensino médio, com a possibilidade de oferta de disciplinas comuns e optativas.

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Por glaucocortez

Blog Educação Política

1 resposta em “ENQUANTO O PROFESSOR NÃO FOR VALORIZADO, O BRASIL NÃO MUDA”

Preciso de ajuda quanto a esse assunto, alguém para ajudar ?

A que fatores você atribuiria a fim de explicar tal desvalorização do magistério e qual seria o caminho para reverter este quadro atual?

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