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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 7 novembro, 2008

DITADURA BRASILEIRA FAZIA ÀS ESCONDIDAS; ESTADO JURÍDICO-POLICIAL FAZ À REVELIA DA SOCIEDADE

Delegado da PF reclama de buscas e diz que ação atende interesses de Dantas

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

vitima do estado juridico-policial

Protógenes Queiroz: vítima do estado jurídico-policial

Brasília – O delegado da Polícia Federal (PF) Protógenes Queiroz, ex-coordenador da Operação Satiagraha – na qual o banqueiro Daniel Dantas foi preso duas vezes no mês de julho – queixou-se hoje (7) das buscas e apreensões realizadas pela Corregedoria-Geral da Polícia Federal nesta semana num quarto de hotel onde se hospedava em São Paulo, em sua casa de Brasília e na de seu filho no Rio de Janeiro. Ele vê ligação direta entre a ação e os interesses do banqueiro. A Corregedoria investiga vazamento de informações na Operação Satiagraha.

“Essa busca e apreensão é mais uma vez um estratagema sórdido implantado pelo senhor Daniel Dantas para poder confundir os trabalhos da Operação Satiagraha. Ele é o alvo principal, enquanto nós, investigadores, passamos a ser acusados de crime que não cometemos. A sociedade sabe disso, mas o vértice do aparelho estatal não está sabendo conduzir”, criticou Queiroz.

“O poder desse bandido Daniel Dantas já chegou ao extremo nesse país e dá demonstração muita clara de seus tentáculos, da força que ele tem, mas ninguém é cego, é surdo ou será mudo”, acrescentou.

Foram recolhidos pelos agentes da PF celulares, pen drives e chips de máquinas fotográficas de Queiroz. Em tom de indignação, o delegado disse ter cogitado pedir demissão, por solicitação da família e por se sentir perseguido internamente.

“Antes da deflagração da operação sofri uma vigilância ferrenha e identifiquei a presença de algumas viaturas e pessoas da PF. Durante e depois da operação também continuei a sofrer vigilância. Elas podem ser independentes ou não”, ressaltou.

“Cheguei a pensar nisso [pedir demissão], mas se eu fizesse estaria obedecendo ao que este poder corrupto avassalador que está instalado no país quer que eu faça.”

Apesar de estar afastado da Operação Satiagraha há mais de dois meses, Queiroz reiterou sua confiança de que Daniel Dantas sofrerá uma dura condenação pelo juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

“Eu, como autoridade policial que investiguei, sei que os dados coletados ali tem indícios e materialidade do crime de corrupção, de gestão fraudulenta já confessa em juízo pelo senhor Daniel Dantas. Tenho certeza que o doutor Fausto de Sanctis vai dar uma sentença à altura do que a sociedade está esperando”, assinalou.

O delegado manifestou ainda o temor de que os fatos ocorridos desde a deflagração da Operação Satiagraha gerem um desestímulo para profissionais que trabalham no combate à corrupção no Brasil.

“A parte mais frágil do sistema foi atingida. A atividade policial se sente, neste momento, no país, muito enfraquecida porque esse ato parte contra um delegado que tem quase 10 anos de sua vida dedicada a grandes operações de combate ao crime organizado e à corrupção. Com pureza d’alma, qual a vontade que vai ter hoje um delegado de estar à frente de um caso de repercussão nacional? “, questionou.

BRASIL VIVE DEMOCRACIA JUDICIAL-POLICIAL QUE INVERTE O ÔNUS DA PROVA E DO CRIME

Uma das características mais marcantes dos estados totalitários é a inversão da realidade. Os inocentes tornam-se suspeitos, quem trabalha é acusado de vagabundo, quem investiga a corrupção é acusado de corrupto. A realidade fica de ponta cabeça e ninguém mais consegue distinguir o que é realidade e o que é fantasia. Provas são fabricadas e os usurpadores dizem que estão sendo perseguidos ou são vítimas.

É assim que o Brasil se apresenta na investigação sobre a investigação do delegado Protógenes Queiroz, no caso Satiagraha.

Veja os fatos:

A unanimidade da votação do Habeas Corpus de Dantas no Supremo.

A busca e apreensão na residência do delegado Protógenes Queiroz e as críticas ao Juiz Fausto De Sanctis.

As relações pessoais e os currículos das pessoas envolvidas na justiça com a investigação da investigação do caso Satiagraha.

Uma sociedade civil acomodada e paralisada.

Isso tudo me fez lembrar aquele famoso poema: “Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada. Na Segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada…..”

Veja também:

Estadão mostra que Ministério Público foi contra apreensão em casa de delegado Protógenes:

A autorização para a inspeção no apartamento de Protógenes foi dada sem concordância do Ministério Público Federal. O procurador da República Roberto Diana, que cuida do controle externo das atividades da PF, manifestou-se contra a medida. Está sob responsabilidade de Diana investigação sobre denúncia do delegado, que, em julho, após ser afastado da Satiagraha, denunciou boicote de superiores à operação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autorização para busca no apartamento foi dado pelo Juiz Ali Mazloum

Folha de S. Paulo mostra que Polícia Federal usa método ilegal para investigar acusado de usar este mesmo método ilegal. Veja que loucura é o estado judicial-policial, que inverte o ônus da prova e usa ilegalidade para provar que acusado usava de tal ilegalidade.

LILIAN CHRISTOFOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL
Na investigação aberta para apurar o vazamento de informação da Satiagraha, a Polícia Federal conseguiu, sem autorização judicial, a quebra do sigilo telefônico de dezenas de aparelhos da Nextel utilizados na madrugada em que a operação foi deflagrada. O objetivo foi identificar os aparelhos usados por jornalistas da TV Globo.
Segundo a Folha apurou, a PF queria descobrir se o delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha, ou algum dos seus subordinados avisou os repórteres sobre a operação.

Veja mais:

Leia no Blog do Nassif: A devassa da devassa

Leia no Conversa Afiada sobre a Unanimidade do Supremo

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