Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 27 novembro, 2008

LEITORA RELATA SITUAÇÃO DEPLORÁVEL DA EDUCAÇÃO NO INTERIOR DE SÃO PAULO

Ana Claudia Camargo

O texto a seguir é a “cereja do bolo”. Trata-se de uma das inúmeras mensagens que recebemos sobre o esquema de corrupção nas escolas estaduais de Araraquara, SP. História veeeelha e muito, muito suja! A mensagem é assinada e o conteúdo é público, pois a denunciante sofreu processo, no entanto preservamos seu nome, como sempre fazemos quando percebemos que a corda vai arrebentar do lado mais fraco.

Vamos lá:

“O esquema consistia no seguinte: a verba chegava às escolas e a dirigente de ensino, na certeza da impunidade, mandava pegar notas fiscais frias, fazer a prestação de contas e repassar uma quantia em dinheiro para ela. E ninguém denunciava. Eu sou diretora de escola afastada porque me cansei desse esquema, fiquei completamente exausta, comecei a falar “não” e quem falava “não” para ela ia para o cativeiro, ou seja, ficava afastado até à exoneração. Antes de mim dois foram exonerados pelos mesmos motivos, mas os dois fecharam o bico, não denunciaram.Quando me removi para uma outra escola, a dirigente e os supervisores acabaram com a minha reputação, mandaram os alunos fazer quebra-quebra e manifestações contra mim, juntaram-se aos professores que participavam do esquema e tinham regalias na escola, ou seja, não davam aulas, havia no período noturno alunos-fantasmas, classes inexistentes e mesmo assim recebiam por essas aulas. No papel era uma coisa e na real uma outra bem diferente. A escola estava completamente esvaziada e a assistente de planejamento era obrigada a fazer o quadro com informações montadas, fictícias. Houve um escândalo, abafado pela secretaria da educação, e a dirigente se aposentou como supervisora de ensino, respondendo hoje ao processo nº 95/2006 na 3ª unidade processante, mas ela possui forte proteção política e ameaça todos que se atrevem a atravessar seu caminho. Teve o envolvimento de um escritório de contabilidade que fornecia os talões de notas frias, uma funcionária desse escritório foi atropelada em um suposto acidente, ela estava de moto e o motorista fugiu. A funcionária, de apenas 24 anos, sabia demais e pagou com a morte.Outra funcionária está ameaçada de morte e tem muito medo.Lutamos agora para que a dirigente, com toda a sua influencia política, não saia isenta, livre, impune, que ela seja responsabilizada por seus atos pensados,muito bem planejados, pois durou 10 anos.O esquema é enorme, até a FDE é suspeita, pois só apurou 22 escolas e só diretores foram processados, nenhum supervisor, sendo que todos eram coniventes e paus mandados da dirigente. A FDE fez uma média e encerrou a apuração alegando dificuldades de checar todos os diretores de escola.Os supervisores de ensino sabiam do esquema e obedeciam à dirigente quando ela ordenava que desse cabo de um diretor, difamando-o na cidade como ladrão e corrupto, ordenando o fim da carreira e orquestrando sua exoneração.Muito dinheiro da educação foi para o bolso de muita gente, tem que ser devolvido e os culpados punidos. Não é possível que só prejudiquem os pequenos, os mais fracos, como sempre foi”.

Qual o seu palpite para o fim dessa história?…

A propósito: algum paralelo com a EE Amadeu Amaral, outra escola “esvaziada” onde foi promovido um quebra-quebra?…

SÔNIA, TAMBÉM TENHO VERGONHA DE SER BRASILEIRO

O Brasil criou um sistema de impunidade das elites, que se expressa de forma clara e material com o fórum privilegiado, recursos infinitos (veja o caso Daniel Dantas, alguém sabe quantos entradas os advogados do banqueiro deram na justiça) e, mais recentemente, na articulação entre o Judiciário, parte mídia e o poder legislativo, como no caso da operação Satiagraha. A impunidade do promotor Thales Schoedl é a nossa real situação jurídica. Sônia, também tenho vergonha de ser brasileiro.

Veja abaixo o belo texto de Cláudio Dias, do Estadão.

‘Tenho vergonha de ser brasileira’, diz mãe de jovem morto

Cláudio Dias, de O Estado de S.Paulo

“Eu queria dormir e nunca mais acordar. Se eu pudesse embarcaria para fora do País e nunca mais voltaria porque as leis são vergonhosas”, diz Sônia afirmando que Thales Schoedl ganhou da Justiça um presente de Natal. E ela, por outro lado, desde que o filho morreu nunca mais comemorou a data

Indignada e emocionada com a decisão judicial, a mãe do jovem assassinado há quatro anos critica a Justiça: “O Estado está dando a chance de poder matar, mas, é claro, só pode se for rico. Se for rico, você pode sair alegando legitima defesa. Se for rico pode se esconder e, depois, se apresentar alegando legítima defesa. Parece que esqueceram que ele (promotor) deu 14 tiros e o meu filho nem uma pedra na mão tinha.” Segundo o laudo, Diego foi baleado no antebraço e no peito.

Sônia afirma que acreditava na Justiça e tinha convicção de que o promotor fosse condenado pelo crime de homicídio. “Agora tive uma certeza. Você já viu lobo comer carne de lobo? Eu nunca vi”, diz a mãe do jovem assassinado afirmando que os desembargadores nunca iriam punir um promotor. “Eles (desembargadores) estão colocando um assassino de volta para os quadros da promotoria. E quem irá pagar o salário dele será nós.”

A quarta-feira foi de indignação e vergonha dentro de uma casa em São Carlos, a 232 quilômetros de São Paulo. Lá, morava o estudante Diego Mendes Modanez, 20 anos, morto com dois tiros pelo promotor Thales Schoedl, em 30 de dezembro de 2004, no litoral paulista. A absolvição do promotor deixou a família indignada. A mãe do ex-jogador de basquete, Sônia Mendes Modanez, 50, disse ter vergonha de ser brasileira e ironizou a decisão dos 23 desembargadores do Tribunal de Justiça.

“Eu fiquei com muita vergonha de ser brasileira. Sabíamos que seria uma briga muito difícil porque ele é promotor, é influente. Eu e principalmente meu filho somos peixe pequeno neste oceano. Mas, independente disso, o que me deixa mais magoada é eles (desembargadores) aceitarem que foi legítima defesa. Foi provado pelo legista que esse infeliz (promotor) não tinha marca nenhuma de agressão. Foi provado que meu filho quando sofreu o segundo tiro mortal estava no chão deitado ou ajoelhado e isso parece que esqueceram”, diz a mãe. (texto integral no Estadão)

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