Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

EMPRESA BRASILEIRA DE TECNOLOGIA TRANSFORMA BAGAÇO EM CARVÃO, ÓLEO E GÁS

Empresa Bioware, instalada na Unicamp, transfrorma resíduos agrícolas

Da Unicamp/Inovação

Óleo vegetal é obtido com a pirólise

Óleo vegetal é obtido com a pirólise

Palha de cana-de-açúcar, serragem e bagaço de laranja são alguns dos materiais que a Bioware (link da empresa) processa em sua planta experimental da Unicamp para produzir carvão, óleo vegetal e gases. A empresa, que vive há seis anos dos recursos que recebe de agências de fomento e da prestação de serviços para empresas que querem reaproveitar resíduos de origem vegetal, pode dar um grande salto em 2009,  quando pretende ser  também fornecedora de tecnologia.

A lista de potenciais clientes inclui companhias como as brasileiras Petrobras e Votorantim e a norte-americana Georgia-Pacific, que já estudam a possibilidade de encomendar à empresa uma planta de pirólise. Na pirólise, resíduos agrícolas são queimados e transformados, a cada passo do processo, em carvão, em bioóleo  que pode ser usado em caldeiras industriais e na produção de plástico, entre outras aplicações como líquido inseticida.

“Quando tivermos só um caso de sucesso com um desses clientes grandes, todo mundo vai querer instalar uma planta”, acredita o engenheiro químico com doutorado em engenharia agrícola Juan Miguel Mesa Pérez, um dos donos da Bioware. “Esse momento já está aí na porta.” O sócio de Juan, José Dilcio Rocha, engenheiro químico com doutorado em engenharia mecânica e pós-doutorado pelo Laboratório Nacional de Energia Renovável dos Estados Unidos, está de acordo: “Em 2009, a Bioware vai colocar de duas a três plantas de duas toneladas de biomassa por hora”, opina.

Se a previsão de José Dilcio para 2009 se confirmar, o faturamento da empresa vai passar para a casa dos milhões. Uma planta de pirólise capaz de processar meia tonelada de biomassa por hora custa mais ou menos R$ 500 mil; uma de uma tonelada, em torno de R$ 800 mil; e uma de duas toneladas, o máximo oferecido pela empresa, entre R$ 1,3 milhão e R$ 1,5 milhão.

“As plantas se pagam em um ano, um ano e pouco; economicamente, são muito viáveis”, afirma Juan. Apesar disso, a Bioware só montou uma planta de pirólise além da sua própria. Foi em Conceição de Macabu (RJ), em um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com recursos da prefeitura, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e da Caixa Econômica Federal. A planta da empresa processa 200 toneladas de biomassa por hora e está instalada no Campo Experimental da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp.

“Existe um interesse muito grande pela tecnologia, porém o mercado não está totalmente pronto para assimilar os produtos gerados por ela”, justifica Juan. Para diminuir a desconfiança dos potenciais clientes, a Bioware fornece-lhes amostras para testes e ajuda-os a adequar os produtos da pirólise a condições e necessidades específicas. A Petrobras, por exemplo, está preparando o bioóleo para ser misturado ao gasóleo (um derivado do petróleo). Já a Votorantim quer usá-lo como combustível industrial, enquanto a Georgia-Pacific, de Atlanta (EUA), pensa em empregá-lo na fabricação de resina fenólica. A Georgia-Pacific é uma das líderes em produção de celulose, papel, embalagens, tecidos e alguns tipos de produtos químicos, como as resinas fenólicas, as primeiras resinas sintéticas produzidas no mundo, que apresentam vantagens como rápida secagem, resistência a agentes químicos e à umidade.

Mas a Bioware não se resume à tecnologia de pirólise. Com financiamento do PIPE, o programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que apóia as pequenas firmas inovadoras, a empresa montou uma planta que transforma 120 quilos de biomassa de baixa densidade em pequenos “tijolos” chamados briquetes, que podem ser queimados em churrasqueiras, fornos de pizza e até caldeiras industriais. Juan explica que a densidade dos briquetes é de 1,2 tonelada por metro cúbico, superior à da madeira. “Ao invés de transportar dez caminhões de palha, pode-se transportar um de briquetes de biomassa compactada”, ressalta. Segundo José Dilcio, o outro sócio da empresa, o custo de uma planta de briquetagem é de até R$ 500 mil.  Em 2007, a prestação de serviços para o reaproveitamento de resíduos rendeu R$ 450 mil à Bioware; os contratos fechados até outubro de 2008 chegam a R$ 350 mil. (Texto integral e original de Raquel Bueno no site da Unicamp)

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