Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

PROJETO DE SERRA PARA A EDUCAÇÃO ISENTA O ESTADO, JOGA A RESPONSABILIDADE EM CIMA DO PROFESSOR E CRIA O PROFESSOR-VESTIBULANDO

PSDB: 16 anos e a herança do pedágio mais caro do país

PSDB: 16 anos no governo reproduzindo a desigualdade

O projeto do governador José Serra para melhorar a educação de São Paulo isenta o Estado de responsabilidade e joga todo a ônus da educação nas costas dos professores.

Veja, o governo deveria usar uma prova para verificar a qualidade e a eficiência de suas políticas públicas, mas no governo do PSDB de Serra a própria prova é a política pública. A política pública é dar prova para professores.

O projeto de Serra esquece a violência escolar, a pedagogia, a didática e a desigualdade social. O projeto cria o professor-vestibulando e tem, em seus pilares, uma cultura autoritária e meritocrática-positivista.

Mérito

Claro que é importante o mérito e o conhecimento. Mas veja, supondo na melhor das hipóteses que um professor dedicado faça uma boa prova e melhore seu salário, não há garantia de que seus alunos vão se beneficiar diretamente, ainda que realmente possam ter algum benefício. O mais importante é que esse professor não compartilha o conhecimento com os outros professores. A política pedagógica da prova não permite o compartilhamento de experiências e de conhecimento. Paulo Renato de Souza faz uma política educacional do século XIX. É incrível. Parece haver um certo limite intelectual ou realmente falta de competência política para gerir o Estado.

Autoritarismo

Outro problema sério é a obrigação de permanência do professor na escola. Ela pode criar sérios problemas de relacionamento dentro da instituição porque obriga o professor a ficar num mesmo lugar em que não mais deseja, seja por qualquer motivo, por exemplo, mudança da família, ameaça de alunos, constrangimento dentro da escola etc.

Outra coisa horrenda. O que vai acontecer com os professores – e serão muitos porque há cotas e limites orçamentários – que não atingirem a pontuação 0u não tiverem capacidade para atingir sua pontuação por uma série de problemas da própria formação? O Estado vai os abandoná-los com baixos salários? Vai demiti-los? Não há plano de recuperação e formação do professor.

O professor também não poderá mais ficar doente. Se quiser participar e receber aumento salarial terá de comparecer à escola, mesmo transmitindo doenças e com a saúde debilitada.

Investimento

O óbvio seria o governo primeiro investir no professorado para depois medir resultados, estabelecer um grande plano de formação interna e externa, rever conceitos e problemas administrativos, estabelecer vínculos mais efetivos com a comunidade da escola, conhecer a comunidade e estabelecer planos de combate às condições de desigualdade e à corrupção.

O governo de José Serra e Paulo Renato de Souza vão contra a tendência presente no Brasil de acabar com a cultura do vestibular. Eles estabeleceram um vestibular do conhecimento para o professor como se só isso fosse suficiente para resolver os problemas da educação. Na verdade, o governo de José Serra não quer resolver o problema da educação, mas sim melhorar de forma atropelada os índices de avaliação da educação.

Dar prova para professores pode até ajudar e ter alguma melhora imediata, mas é um sistema perverso. Se o plano der certo, o professor vai ficar especialista em fazer as provas, em prestar vestibular e não em refletir e pensar por meio de práticas e diálogos a sua própria formação.

Outro ponto importante é a desigualdade e a violência que, sabemos, não são problemas da escola, mas da sociedade. A escola acaba sofrendo intensamente com isso.

Mas o que o governo de José Serra fez para diminuir a desigualdade social em bairros de escolas violentas? Qual o grande programa de distribuição de renda do governo Serra para que o tráfico não seja mais sedutor do que a escola e o aprendizado? Que transformação pedagógica o governo fez para transformar a educação no grande motor do desenvolvimento do estado?

O PSDB e Paulo Renato de Souza ficaram 8 anos no governo federal. Entregaram o governo pior do que encontraram. Basta ver os dados oficiais.  O PSDB está há quase 16 anos no governo de São Paulo e não há mudança alguma na reprodução da desigualdade. É lamentável!

Veja projeto (pdf)

Veja queda do investimento em educação em São Paulo (Blog do Azenha)

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13 Respostas para “PROJETO DE SERRA PARA A EDUCAÇÃO ISENTA O ESTADO, JOGA A RESPONSABILIDADE EM CIMA DO PROFESSOR E CRIA O PROFESSOR-VESTIBULANDO

  1. jose fernando 3 novembro, 2009 às 1:27 pm

    sou professor a 3 anos e me sinto humilhado com a minha condiçao. As pessoas que traçam as politicas para a educaçao no nosso pais parecem desconhecer palavras como etica e descencia moral.
    O sistema de atribuiçoes de aulas é humilhante e não oferece qualquer estabilidade ao professor.
    eu me sentiria mais aliviado se a politica educacional fosse dirigida por crianças, com no maximo cinco anos de idade, por que assim como o governador serra e o secretario paulo renato elas nao estao capacitadas para fezer isso, mas pelomenos o coraçao das crianças desconhece a maldade.

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  2. Mara Rocha Aguiar 8 janeiro, 2010 às 10:23 pm

    Precisamos fazer campanha contra esse monumento de cinismo.Ele só quer ser presidente da república,por isso vamos dar o troco,não fazendo greve,pois ele não se preocupa com isso,vamos dar o troco nas urnas!!!!Todo professor,diretor,ou profissional da educação precisa conversar com seu colega,aproveitar qualquer momento para acabar com essa falsidade!!!Fora Serra!!

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  3. LÉO ROBERTO SILVA CAMARGO 22 janeiro, 2010 às 4:20 pm

    Do que necessitamos, na realidade, é difundir com rapidez este site esclarecedor. Grande parte dos professores da rede pública do estado de São Paulo está anestesiada, numa letargia incrível. Dentre aqueles com quem convivo, grande parte está calada, num conformismo criado pelas derrotas consecutivas diante dos governos estaduais do psdb. E os demais… Bem, esses são bem casados(Teoria do Maluf, lembram?), e não colaboram em nada… Consciência (em geral, não somente política), eis o que está em falta!

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    • glaucocortez 22 janeiro, 2010 às 9:55 pm

      Obrigado Léo pelo comentário.

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    • rosane Augusta Oliveira de Souza 30 maio, 2010 às 4:39 am

      Léo, precisamos mesmo juntar as nossas forças contra essas arbitrariedades. Vamos aguardar o desfecho do que está acontecendo em Minas com a educação.Esse momento é crítico, mas se positivo pode reativar os ânimos nos outros estados. Infelizmente aqui, tinha um sapo que não sei quem beijou e virou um príncipe. Precisamos quebrar o “encanto” antes que o Brasil todo seja encantado. Essa “figura” foi produzida a partir da sombra do avô, que não governou o país. Que era um político como outro qualquer. Não passava de uma esperança. Não há razão para se transformar em mito.

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  6. rosane Augusta Oliveira de Souza 30 maio, 2010 às 4:19 am

    O que acontece com o professor faz parte de um plano (que infelizmente está dando certo). Com a profissão “sucateada” (leiam trabalhos da professora Eneida Oto Shiroma, da UFSC)a educação de qualidade fica só no discurso. Como criaram artifícos para evitar a reprovação, a escola virou fábrica de “analfabetos funcionais”. Para os neo-liberalistas esse é o objetivo: assim os pobres ignorantes, mais ignorantes que pobres, ficam à mercê dos baixos salários praticados no país. E a justa distribuição de renda continua a ser uma utopia. As leis e a constituição são gravemente desrespeitadas pelo Judicialismo reinante (vide ilegalidade da greve dos professores de São Paulo e Minas, estados que desrespeitam a lei do piso salarial). Os trabalhadores de “turnos” estão escravizados pelo desrespeito à lei e etc.
    Aqui em Minas, a secretária de planejamento, Renata Vilhena disse em entrevista que a greve de São Paulo e Minas é política, usando como argumento o fato de terem governos do PSDB e somente esses estados fizeram greve. Queria ver toda a população devidamente escolarizada devolver o argumento da coincidência: já que possuem as mesmas diretrizes praticam as mesmas arbitrariedades. E ainda mais,”os devidamente escolarizados” entendem que esses são os estados que mais arrecadam no país e deveriam portanto terem antecipado a implantação da Lei do Piso Salarial dos trabalhadores em Educação como previsto e aprovado pelo governo federal, no texto da mesma lei. Entendo que isso estaria de acordo com a propaganda que fazem, da “qualidade” do ensino que praticam. Por aqui, a Débora Falabela fez um comercial com cara de Alice no País das Maravilhas e até hoje não descobri onde é a tal escola. Talvez, uma das “escola-referência”, mas são para poucos, numa clara discriminação. Talvez fosse mais ético, num cenário do PROJAC.
    A educação vai melhorar quando melhorarem os salários dos professores. Isso é tão óbvio como 2 + 2 = 4 . Haverá uma corrida de talentos para a profissão (atualmente desprestigiada pelos vestibulandos)e isso sim, cobrirá o déficit de professores que chega mais de 300.000. Haverá além da motivação, uma competição Honesta e Salutar que levará o professor a aprimorar o seu trabalho e a buscar a formação continuada. Culpar o professor pelo fracasso da educação é no mínimo cruel. Se o professor dobra ou triplica sua carga horária, talvez consiga que sobre um “troquinho” para livros, jornais e revistas… aí falta o tempo para ler.

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  7. ARQUIMEDES DA SILVA 30 maio, 2010 às 10:29 pm

    Na ditadura militar,os maiorais fabricaram décadas de analfabetos no Brasil,quando a ditadura se foi,ai surgiram os ‘salvadores da pátria’, carniceiros que desvirtualizam ideais em prol do poder absoluto, armaram uma ‘guerra campal’ onde os espólios são os votos dos desavisados que infelismente são maioria em nosso país e são eles que muitas vezes decidem afinal quem nos governa. o ensino é peça fundamental nesse processo, foi por isso, somente por isso, que o PSDB reinventou o ensino em nosso país, a progressão continuada,que nada mais é do que: Fábrica de semi analfabetos diplomados. não caiam no discurso do deles, analizem melhor suas opções, e decidam com inteligência “O futuro do Brasil” e que Deus nos ajude.

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