Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 2 maio, 2010

O SEGREDO DE JOE GOULD, DE JOSEPH MITCHELL, É UM LIVRO PARA QUEM AMA O JORNALISMO OU SIMPLESMENTE GOSTA DE UMA GRANDE HISTÓRIA

Joe Gould, um perfil feito por décadas

O livro-reportagem O Segredo de Joe Gould (Companhia das Letras), de Joseph Mitchell é um livro para quem ama o jornalismo e uma boa história. Ele contém dois perfis sobre o seu personagem, Joe Ferdinand Gould, que é definido como “um literato maltrapilho que vivia pelas ruas do bairro boêmio de Greenwich Village carregando lápis, cadernos, guimbas de cigarro e piolhos. Vivia da boa vontade alheia e dizia saber falar a língua das gaivotas”. Essa definição está no pósfácio do livro João Moreira Salles.

O bom jornalismo está no texto de Mitchell, que é limpo, sem exagero, preciso. Veja um dos trechos do livro abaixo:

Gould não tem em alta conta a maioria dos escritores, poetas, pintores e escultores do Village e costuma dizer o que pensa. Por causa de sua franqueza nunca foi aceito em nenhuma organização artística, literária, cultural nem em “ismos” de qualquer natureza. Durante dez anos tentou ingressar no Círculo de Poesia Raven, que todo verão realiza a exposição de poesia na Washington Square e é a organização mais poderosa do gênero no Village, mas sempre foi recusado.

Francis Lambert McCrudden, funcionário aposentado da Companhia Telefônica de Nova York, comanda o Raven. Durante muitos, ele recolheu moedas dos telefones públicos para a companhia telefônica. Autodidata e muito idealista, tem como tema favorito a dignidade do trabalho e sua obra mais importante é o poema autobiográfico “O Catador de níqueis”.

“Deixamos o senhor Gould assistir a nossas leituras e gostaríamos de admiti-lo, mas não podemos”, declarou certa vez. “Ele não leva a poesia a sério. Servimos vinho em nossas leituras, e é só por isso que ele comparece. Às vezes insiste em ler poemas bobos de sua autoria, e é irritante. Em nossa Noite de Poesia Religiosa, pediu licensa para recitar um poema que escrevera intitulado “Minha religião”. Eu lhe disse para ir em frente, e ele recitou o seguinte:

‘No inverno sou budista,
E no verão sou nudista’

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