Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 29 maio, 2010

CRESCIMENTO COM POLUIÇÃO É VANTAGEM PARA ALGUNS E PREJUÍZO PARA TODOS; BRASIL DEVE LIDERAR ECONOMIA VERDE

“Precisamos de um projeto nacional que nos leve para a liderança da economia verde”

Economia verde evita o prejuízo futuro

Do ClickCiência

Cláudio Marettim, Superintendente de Conservação para os programas regionais do WWF-Brasil (Fundo Mundial para a Natureza) desde 2006 e membro do Conselho da União Mundial pela Conservação, defende necessidade de inserir as considerações ambientais nas discussões estratégias sobre o desenvolvimento do País e apresenta como um dos maiores desafios a inclusão do valor dos ecossistemas nas atividades econômicas e, até mesmo, no cálculo do PIB.

CC – Quais os grandes desafios a serem superados para que possamos nos tornar uma sociedade efetivamente sustentável?
Em 2010, Ano Internacional da Biodiversidade, nós propusemos uma reflexão sobre como podemos fazer com que a sociedade entenda a importância da biodiversidade e dê a ela o devido valor. Com a questão climática, nós levamos a preocupação ambiental pro nível geral da sociedade. Se nós consideramos o Rio de Janeiro lá em 1992 (reunião das Nações Unidas que criou a Comissão da Diversidade Biológica) e agora Copenhagen em 2009, nós temos dois eventos internacionais de alta relevância, e embora este último tenha resultado em pouca decisão, foi precedido de um debate intenso, de forma que pouca gente hoje não sabe que estamos discutindo o aquecimento global. Não obstante esse novo nível de debate, na hora em que nós vamos discutir a biodiversidade, pouca gente percebe sua importância. E estamos falando de fato da mesma questão. Porque, no caso do Brasil pelo menos, é pelo desmatamento e pela degradação dos ecossistemas que acontece a maior parte das nossas emissões de gases do efeito estufa. E é através da conservação dos ecossistemas, ou mesmo de fragmentos dos ecossistemas, que nós podemos ter uma ocupação do solo a mais adaptada possível para que soframos menos os danos das mudanças climáticas.
Quando nós discutimos o Código Florestal hoje no Brasil, estamos aí pensando em ganhar um metro para a produção de mais gado, ou mais soja, ou mais cana, e não discutindo os custos e benefícios para a sociedade desse um metro. Essa lógica do Código Florestal não tem mais de ser discutida com base em uma visão do passado, e sim com uma visão do futuro. Mas o que eu quero dizer com isso é que a questão das chamadas externalidades econômicas precisa ser superada. Nós não podemos continuar com esse modelo, no qual uma indústria polui um rio, um agricultor desmata até dentro da água, os carros poluem o ar das cidades, todos juntos poluem gerando gases de efeito estufa, mudando o clima do Planeta. Tudo isso é uma apropriação de vantagens de forma privada e uma externalização, deixando os prejuízos para a sociedade como um todo, sem assumir os custos.
Nos anos que precederam Copenhagen, nós tivemos estudos sobre a questão climática e o relatório externo mostrou que se não fizermos nada nós podemos ter um prejuízo da ordem de 20% do PIB mundial, enquanto que o custo da diminuição das emissões de gases de efeito estufa é caro, mas é da ordem de no máximo 5% do PIB mundial; então, estaríamos economizando 15%!
Este ano lançaremos o estudo da economia da biodiversidade e dos ecossistemas. A ideia é provar o valor econômico que a biodiversidade tem, não só com a descoberta de medicamentos, mas através dos serviços que ela presta retendo carbono, promovendo equilíbrio climático, ar purificado, água de qualidade, a própria possibilidade de descobertas de novas espécies, o lazer humano, funções até místicas, pois algumas religiões usam a Natureza para essa relação de fé que é parte da qualidade de vida. Saiba mais

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