Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 3 setembro, 2010

AÇÃO MOVIDA NA JUSTIÇA BRASILEIRA CONTRA JORNAL DE PORTO ALEGRE COMPLETOU DEZ ANOS NESTE MÊS DE AGOSTO

Enquanto os microfones estiverem voltados para ele tudo bem! Sinal de que a imprensa ainda vive

A ação movida pela família do ex-governador do RS, Germano Rigotto, contra o Jornal Já, publicação mensal de Porto Alegre com tiragem de 5 mil exemplares, que denunciou uma das maiores fraudes da história gaúcha com uma reportagem premiada de título “Caso Rigotto – Um golpe de US$ 65 milhões e duas mortes não esclarecidas”, mostra como é frágil e delicada a liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, como ela é um direito fundamental de todo e qualquer cidadão ou órgão de imprensa que, no entanto, vem sendo insistentemente desrespeitado. É revoltante pensar que, muitas vezes, vive-se em uma democracia de faz de conta, na qual a justiça, como aconteçe desde os tempos do Brasil colonial, existe para prejudicar o suposto beneficiário e, em última instância, fabricar a sua verdade, emudecendo o ser humano e submetendo-o às mais impensadas situações. O ponto a que chegou a ação da justiça brasileira no caso do Jornal Já mostra que é preciso sair em defesa da liberdade de expressão para que exemplos de um jornalismo sério e de qualidade, como o praticado pelo jornal gaúcho, deixem de ser a exceção e se levantem como regra de uma verdadeira democracia; e para que criminosos sejam punidos, como tem que ser!

Como calar e intimidar a imprensa
Luiz Cláudio Cunha / Observatório da Imprensa

Agosto, mês de cachorro louco, marcou o décimo ano da mais longa e infame ação na Justiça brasileira contra a liberdade de expressão.

É movida pela família do ex-governador Germano Rigotto, 60 anos, agora candidato ao Senado pelo PMDB do Rio Grande do Sul e supostamente alheio ao processo aberto em 2001 por sua mãe, dona Julieta, hoje com 89 anos. A família atacou em duas frentes, indignada com uma reportagem de quatro páginas, publicada em maio daquele ano em um pequeno mensário (tiragem de 5 mil exemplares) de Porto Alegre, o JÁ, que jogava luzes sobre a maior fraude da história gaúcha e repercutia o envolvimento de Lindomar Rigotto, filho de Julieta e irmão de Germano.

Uma ação, cível, cobrava indenização da editora por dano moral. A outra, por injúria, calúnia e difamação, punia o editor do JÁ e autor da reportagem, Elmar Bones da Costa, hoje com 66 anos. O jornalista foi absolvido em todas as instâncias, apesar dos recursos da família Rigotto, e o processo pelo Código Penal foi arquivado. Mas, em 2003, Bones acabou sendo condenado na área cível ao pagamento de uma indenização de R$ 17 mil. Em agosto de 2005 a Justiça determinou a penhora dos bens da empresa. O JÁ ofereceu o seu acervo de livros, cerca de 15 mil exemplares, mas o juiz não aceitou. Em agosto de 2009, sempre agosto, quando a pena ascendera a quase R$ 55 mil, a Justiça nomeou um perito para bloquear 20% da receita bruta de um jornal comunitário quase moribundo, sem anúncios e reduzido a uma redação virtual que um dia teve 22 jornalistas e hoje se resume a dois – Bones e Patrícia Marini, sua companheira. Cinco meses depois, o perito foi embora com os bolsos vazios, penalizado diante da flagrante indigência financeira da editora. (Texto Completo)

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PESQUISA REALIZADA DEIXA EVIDENTE O ANTI-JORNALISMO PRATICADO PELA REVISTA VEJA

Obsessiva e mentirosa

Trajetória peculiar e decadente: de paradigma para o jornalismo brasileiro a revista semanal de maior tiragem do Brasil hoje se caracteriza por um anti-jornalismo feito a base de mentiras, manipulações, armações e obsessões, como a ideia fixa de desmoralizar a esquerda e derrubar o presidente Lula.

A Veja e o anti-jornalismo
Por Juliana Sada / O Escrevinhador

Criada em setembro de 1968, a revista “Veja” é a publicação semanal brasileira de maior tiragem, teoricamente com cerca de um milhão e duzentos mil exemplares. Criada por Mino Carta, atualmente diretor de redação da Carta Capital, e Victor Civita – estadunidense filho de italianos, fundador do Grupo Abril – a revista foi por um longo período paradigma para o jornalismo brasileiro. Por sua redação, passaram nomes importantes da profissão; e, por suas páginas, grandes personagens da história – entre seus entrevistados estão Vinícius de Moraes, Yasser Arafat, Salvador Dalí, Tarsila do Amaral e Sérgio Buarque de Holanda.

Mas, em anos recentes, a revista tornou-se alvo de intensas críticas. Na internet, disseminam-se pequenas e grandes iniciativas de informação e contraponto ao tipo de jornalismo feito por lá. Esse mesmo Escrevinhador denunciou a entrevista que nunca existiu, mas que a revista publicou; e mostrou a história do professor que foi alvo de manipulação pelo veículo, além da peculiar análise do semanário sobre a Bolívia .

O jornalista Fábio Jammal Makhoul decidiu debruçar-se sobre a revista Veja para formular sua tese de mestrado em Ciência Política para a PUC de São Paulo. A dissertação analisou a publicação durante o primeiro mandato de Lula , de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. Fábio constatou que houve, de modo deliberado, uma cobertura tendenciosa com o objetivo de desestabilizar o governo. Os números são impressionantes: “40,6% da cobertura de Veja sobre o primeiro governo petista noticiou os escândalos do Planalto e, conseqüentemente, Lula e o PT de forma negativa”. O governo ocupou “54 capas de Veja, das 206 publicadas no período”, destas “32 tratavam de escândalos, segundo classificação da própria Veja, ou seja, 59,3% do total”. (Texto Completo)

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