Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 5 setembro, 2010

GRAFITEIROS FAZEM DOS BUEIROS DE SÃO PAULO BELA TELA PARA SUAS OBRAS DE ARTE

Você já pensou em como os milhares de bueiros espalhados por uma cidade como São Paulo podem de repente se transformar em belas, originais e criativas obras de arte?

Pois é justamente isso que a dupla de grafiteiros conhecida como 6emeia tem feito com os bueiros da capital paulista. De um simples pedaço de concreto sujo e cinza, eles fazem brotar desenhos divertidos, de uma estética e ritmo típicos da modernidade em total harmonia com o movimento e a rapidez frenética de uma metrópole como São Paulo.

Mas o mais impressionante do trabalho de Anderson Augusto, o São, e Leonardo Delafuente – que além dos bueiros também fazem desenhos em tampas de esgoto e postes da cidade de São Paulo – é que a sua arte colorida e bem humorada parece dar vida a uma cidade que, às vezes, em meio a correria do dia-a-dia e à solidão intrínseca à sua multidão, esquece-se de que no prosaico do urbano pode existir toda capacidade imagética da arte.

Para lembrar nosso querido poeta Carlos Drummond de Andrade, os desenhos nos boeiros da cidade de São Paulo são como uma flor que nasce no meio da rua, a flor improvável que resiste ao progresso e devolve ao ser humano o gosto da sensibilidade.

Veja mais fotos no site da dupla:
http://www.6emeia.com/
ou na página da Revista Bravo na internet

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EM LITERA-RUA, O ESCRITOR FERRÉZ EXERCITA A CRIATIVIDADE EM UM BELÍSSIMO JOGO DE PALAVRAS

Litera-rua, do escritor Ferréz vale a pena pelo jogo com as palavras, pelo tom de crítica e reflexão social, pela originalidade, pela leveza do texto, pela belíssima declaração de amor aos livros!

Suas palavras exatas e seu estilo limpo mostram que, se um dia tivermos que ter algum tipo de vício, que esse vício resida nos livros. Enfim, que se disputem Leminskies, Kafkas, Cotázares, que se arrisquem por um Marx, por um Gorki ou Dostoiévski, que poucas vezes tenhamos que aturar um Paulo Coelho ou um Sidney Sheldon. Que todo o prazer venha deles como uma torrente de conhecimento e amadurecimento do indivíduo e que esse prazer esteja na rua, livre, ao alcançe de todos, pois este é o verdadeiro espírito da literatura!

Segue abaixo um trecho de Litera-rua, do escritor Ferréz:

Não entendo o que o senhor oficial representante do estado está falando.
Desculpe, estou fazendo uma reciclagem de Alemão, e por isso as vezes me engano no idioma, eu disse para você parar referente a uma averiguação e possível restrição de liberdade.
Ok, para o senhor ser informado estou indo para a rua João Antônio, voltando da sala de leitura Trindade, esquina com a Plínio Barreto.
Abra as pernas, por favor, o senhor porta alienadores de realidade?
Não, no momento estou somente meio letárgico por causa de Shakespeare.
Tire o boné, por favor, tem alguma pagina de Marx ou algo do gênero?
Não senhor, pode exercer o método de vistoria cerebral.
Ok, cidadão, método de vistoria cerebral não será necessário, vejo pelo seu olhar nunca abaixando as íris e não desviando do contato direto que esta falando a verdade, já foi usuário?
Sim, não vou faltar com a verdade, já li muita L.M e também consumi artigos impróprios nos antigos sarais, mas hoje estou limpo.
Nossa que pena, um menino tão novo, já passou por sarau, mas tudo bem, hoje é outro dia.
Eu aconselho jovens como você a irem a peças de teatro, tem uma em cartaz que da até para ver de perto atores que fazem novela no horário nobre.
É mesmo? Que legal!
Espero que você não se torne um desses que de usar tanto Leminski no banheiro, de injetar Lourenço com nanquim em fundo de praça, que de ficar chapado de Colín e Shimamoto, acaba se desvinculando da realidade.
Não, isso não senhor!
bom, pode ir. (Texto Completo)

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