Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 8 setembro, 2010

ARTE URBANA: TRANSFERÊNCIA E TRANSFORMAÇÃO PARA ALÉM DO GRAFITE

Trabalho do artista MZK, eixo "Mauditos"

Talita Hoffmann, Sem título, 2010

De um cenário bucólico, de formas infantis e retas, pode-se ver um corpo vermelho esculpido em formas geométricas a exalar uma espécie de alma que brota de dentro para fora, mas não se revela, tampouco se mostra. Tudo permanece sutil e levemente insinuado, vive-se uma experiência extracorpórea. Na mais perfeita reedição da catarse, um sair de dentro de si mesmo. Em outra tela, o que se vê são cores fortes, alegres, uma estética bem brasileira, formas simples, a natureza e o homem juntos, trocando experiências, sensações. Um rio corre e parece insinuar o movimento da vida, enquanto pássaros vestem o humano e o sapo apenas espia. A imagem onírica de um sonho lúcido, de uma obra livre.

Essas descrições são de dois trabalhos que compõem a mostra “Transfer” que fica em cartaz no recém-reformado e inaugurado Pavilhão das Culturas Brasileiras (antigo Prodam) no Parque Ibirapuera, em São Paulo, até o próximo dia 12 de setembro.

São 300 trabalhos e mais de 70 artistas nacionais e internacionais ligados a diferentes manifestações culturais como o punk, o hip-hop, o fanzine e o grafite que uniram suas pinturas, desenhos, fotografias, músicas, vídeos e registros de intervenções urbanas para traçar um panorama da arte urbana e contemporânea.

A organização e montagem da exposição está em total harmonia com o espírito inovador e aglutinador da arte popular. Em alguns momentos, há a intervenção de um skatistas profisisonais que passeiam pela exposição o que ajuda a mostra a se aproximar e refletir quase que diretamente o espírito da arte popular que muitas vezes dialoga com a cultura do skate, assim como este dialoga com a arquitetura dos grandes centros.

A exposição no Pavilhão das Culturas Brasileiras parece ser, portanto, uma recriação de um universo que sobrevive em meio às cores cinzentas das grandes cidades, ao barulho de vozes e carros, à pressa urgente e quase existencial, à racionalidade extrema e quase universal.

A arte urbana é um momento de transferência e transformação, como o nome Tranfer sugere, já que ela transfere o seu expectador de uma realidade para outra e nessa transferência faz com que não apenas ele se transforme, como também a realidade e o mundo frenético que a abraça e recebe.

Vem em boa hora essa exposição, um momento onde se discute e se redescobre a arte popular naquilo que ela tem de mais essencial, afinal, é preciso entender que a arte popular vai muito além do grafite, este é apenas uma das suas muitas e originais formas de expressão!

A curadoria da mostra é coletiva o que resultou em uma variedade de trabalhos divididos em quatro eixos:
Intervencionistas, Mauditos, Autoindicados e Beautiful Losers. Todos os grupos, ajudam a pensar na complexidade da arte popular e no seu importante papel dentro do cenário múltiplo e dinâmico da arte contemporânea.

Carla Barth, Sonho Lúcido, 2010

Luciano Scherer, Experiência Extracorpórea, 2010

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ACABOU A FARSA DO PAULISTA PAU-DE-ARARA; SERRA AGORA TEM QUE ENFRENTAR LULA NA TV

Paulista Pau-de-Arara

A campanha do tucano José Serra tentou iludir o eleitor mostrando imagem do presidente Lula no horário eleitoral.

Notem, a imagem não foi usada para criticar Lula e seu governo, o que seria muito normal, mas para mostrar que Lula era um modelo e que Serra, vejam só, era como o presidente, igual ao presidente, com a mesma história de vida.

No subtexto, nas entrelinhas, tentava dizer que José Serra era igual ao presidente, poderia fazer igual, um candidato que daria continuidade ao governo do presidente.

(Alguém ouviu falar de um ex-presidente chamado Fernando Henrique Cardoso no horário eleitoral?) Esqueceram de mim….

Voltando ao raciocínio, a campanha de Serra tentou criar pela primeira vez um paulista pau-de-arara. É um paulista que veio do nordeste, mas nasceu em São Paulo. Serra é o primeiro paulista pau-de-arara. É claro que não deu certo.

Agora, após as acusações sem prova contra Dilma Rousseff, o candidato tucano está sendo desmascarado. Será obrigado a se assumir como oposição ao presidente.

Ele terá que enfrentar Lula. Ontem, Lula veio à televisão e mostrou que Serra é oposição. Veja a fala de Lula contra Serra.

Serra agora terá de fazer o mesmo. Veja matéria da Folha: Serra cancela viagem para gravar resposta ao presidente Lula. O pior, para Serra, é que o PT está poupando Dilma e colocará Lula contra Serra. Inevitável.

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HÁ DEZ ANOS O JORNALISMO BRASILEIRO PERDEU UMA REFERÊNCIA: ALOYSIO BIONDI

Aloysio Biondi: um exemplo de bom jornalismo

Alguns nomes fazem diferença ao longo da história, seja pela postura com que encaram a vida, seja pela forma como escolheram habitar o mundo. Aloysio Biondi é um desses nomes. Ele não foi apenas um jornalista, foi alguém interessado em construir um país e um mundo melhor, servindo-se para isso apenas dos fatos da realidade e de seu talento para olhar o mundo e escrevê-lo.

Conhecido pelas suas análises e comentários – sempre baseados em números e dados, nunca em palpites ou achismos de todo tipo – e pelo texto claro e limpo; a postura profissional e de vida de Aloysio faz falta em um contexto no qual o jornalismo praticado pela grande imprensa simplesmente fabrica fatos, manipula versões, arma entrevistas, oferece apenas uma parte ou versão de determinado acontecimento, ilude a opinião pública e a carrega de um canto a outro feito um simples e mero fantoche.

Dificilmente, em grande parte do jornalismo que se faz por aí, se vê respeito pela realidade e pelo outro, uma característica que sempre esteve presente no pensamento lúcido de Biondi. Se ainda vivesse, ele – que lutou contra muitas das políticas neo-libeirais de FHC – com certeza estaria feliz ao ver os avanços já conseguidos e a superação de um modelo conservador e injusto, mas não deixaria de alertar para muitas mudanças que ainda precisam ser feitas, tanto na velha mídia panfletista e conservadora, quanto no Brasil.

No entanto, em um país governado por uma ideologia menos conservadora que lute pela igualdade social sem ameaçar as liberdades individuais, as mudanças são muito mais sólidas e possíveis, assim como também era sólido e possível o pensamento deste raro jornalista.

Há dez anos, um vazio
Ícone do jornalismo crítico e analítico, Aloysio Biondi se foi sem deixar substitutos

Vitor Nuzzi / Rede Brasil Atual

O texto ao lado foi publicado no jornal paulista Diário Popular em 19 de julho de 2000. Eram comentários a respeito de um incêndio em uma favela. Foi um dos últimos escritos de Aloysio Biondi, que morreria dois dias depois, aos 64 anos, dos quais 44 foram dedicados ao jornalismo. Passados dez anos, as análises e comentários de Biondi, sempre baseados em dados e números, não em palpites, ainda fazem falta.

Especialmente quando se lembra de que, aliado ao rigor técnico, eram textos acessíveis, sem a praga do economês, escritos por alguém que não ficou de braços cruzados.
Em setembro do ano passado, o acervo do jornalista foi doado ao Centro de Documentação Alexandre Eulálio (Cedae), da Universidade de Campinas (Unicamp). Eram 15 estantes de seis prateleiras cada uma, ou mais ou menos 150 caixas de documentos, segundo Antonio Biondi, 32 anos, seu filho do meio, que não resistiu à influência do pai e também trabalha na área de comunicação.

“Ele era muito amigo nosso. E influenciou tanto a gente que eu e o Pedro fomos ser jornalistas, e a Bia pendeu para uma outra faceta dele, que era a música”, conta Antonio, referindo-se aos irmãos, de 34 e 31 anos, respectivamente. O pai gostava de contar anedotas, mas “quando era para dar uma cobrada, vinha uma mais dura”, lembra. (Texto Completo).

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