Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 19 setembro, 2010

POEMA DE SETE FACES, DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

A narração inspirada e intensa de Paulo Autran, o recorte e a inteligente união de fragmentos do cinema, a musicalidade sutil e macia, o toque aveludado, as formas da arte, a representação sublime do prosaico do cotidiano, tudo aquilo que constitui o centro da poesia de Carlos Drummond de Andrade está aqui neste vídeo, semioticamente muito bem representado!

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CRÔNICA DE UMA CABRA

Da Agência Educação Política

Uma crônica para discutir o nosso tempo! Creio que me faço um pouco audaciosa na empreitada! Também acredito que sozinha simplesmente não daria conta de tarefa tão nacionalista quanto humanitária! Por isso, peço aqui ajuda à cabra. Isso mesmo, caro leitor, à velha cabra iniciada na literatura pelo querido José Américo de Almeida em sua lindíssima novela, Reflexões de uma cabra.

E vem a novela de José Américo em momento bastante oportuno. Basta pensar que lá pelos anos de 1922, quando a novela ia publicada, as questões nacionais estavam quase que à flor da pele da nação. Queria-se não apenas construir uma arte genuinamente nacional que pudesse, enfim, adentrar os portões estrangeiros. Discutia-se também a formação de um tipo nacional, a pureza da raça, a superioridade do branco em relação ao negro e ao mestiço, a luta por uma sociedade eugênica, na qual os elementos inferiores fossem simplesmente eliminados para que os tipos robustos, puros e fortes construíssem a nação. E por aí vai. Alguns absurdos, alguns méritos, mais absurdos do que méritos vale dizer! Falava-se em modernidade, como se moderno fosse um conceito novo! De todo, queria-se enterrar um passado, mandar às favas um parnasianismo atrasado, um romantismo por demais lirificado, um realismo muito quadrado.

Esticava-se o pescoço na direção do mundo e para conquistar o mundo, eis que se fazia de extrema urgência construir o nacional. E o nacional se construiria a partir da metrópole com ares provincianos: São Paulo. Era dali que tudo saía, dali brotava o progresso, ali vivia o xadrez das raças, todos muito bem adaptados, abrasileirados. São Paulo era muito mais que café para os modernistas, era progresso, era a imagem do Brasil!

No entanto, vem nesse cenário, a intrometida cabra a dizer que não. Para ela, havia muita diferença entre São Paulo e o restante do Brasil e nessa diferença residia a descaracterização de tipos regionais. Sim, o regionalismo que Mário de Andrade queria compor com o nacional, aparece na novela da cabra por demais explicitado, por demais caracterizado. Transbordam as diferenças e, no fim, tudo aquilo de moderno, tudo aquilo de nacional, vira apenas uma perda de identidade melancólica e arrastada.

A cabra de José Américo viu a descontrução do próprio homem, para citar o novelista dos tempos modernos “se ela soubesse latim, teria dito, simplesmente: ECCE HOMO. E definiria a novela. E interpretaria a psicologia do homem versátil e ambicioso que renunciara à religião, à família, à gleba, ao amor, à gratidão, ao próprio nome e acabava de renunciar à derradeira e profunda impressão de sua infância.

E olho para os tempos atuais. Não sei se conseguimos ser mais nacionais. Continuamos desiguais, muitos continuam a se descaracterizar. Talvez, não haja mais tal problema do nacional, tudo parece uma grande massa inserida dentro de um contexto maior. Mas as lutas continuam. As artes, a política, os tempos de democracia ainda tentam descobrir esse Brasil, ainda tentam encontrar o tipo nacional. Neste ponto, perco-me um pouco. Peço humilde, ajuda à cabra que terminará esse devaneio quase patológico.

Não vou sair neste ponto colocando a cabra a falar, mas creio que todos os animais pensam, e na reflexão a cabra parece dizer, ajudando a dar o tom final desta perdida crônica:

– Se ainda há o nacional, está cada vez mais difícil fazê-lo aflorar. Estamos em tempos decisivos, vejo já o horizonte de mais uma convocação popular para ditar os rumos da nação, digo eleições, como vocês chamam.  Há que se ter cuidado. De uma coisa todos aqueles modernistas tinham razão: a história caminha pra frente, os ideiais devem ser de mudança, de luta e insatisfação, mas saibam distinguir os homens dos próprios homens. Ainda que eu já tenha perdido minha esperança neles, é este o conselho que vos dou!

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