Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

ESCOLA PÚBLICA RESERVA UM TEMPO PARA O APRENDIZADO DA CULTURA POPULAR BRASILEIRA POR MEIO DA TRADIÇÃO ORAL

Em defesa da oralidade!

Da Agência Educação Política

Nos tempos atuais, é um fenômeno comum ver, por parte de alguns pensadores e críticos, certa desqualificação da linguagem oral em detrimento da linguagem escrita. Esta última, passa por um processo de valorização que é muito bem vindo e essencial, no entanto, não pode vir sozinho, esquecendo-se de que tão importante quanto a escrita é a fala, já que ambas, apesar de distintas, se completam, se relacionam, se interpenetram. Uma não vive sem a outra, elas fazem parte de um mesmo movimento de representação e entendimento crítico e artístico da realidade.

Indo na contramão da tendência contemporânea e da maioria das escolas brasileiras que têm como foco de aprendizado a língua escrita e não a língua falada, uma escola da rede pública de São Paulo decidiu reservar um tempo para que os alunos tenham contato com a nosssa cultura popular através das tradições da linguagem oral que estão bastante esquecidas pelos educadores atuais.

O trabalho é realizado pelo Ponto de Cultura Amorim Rima e Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira (Ceaca), que atua dentro da escola. Comandado por Alcides Lima, o ponto de cultura atende cerca de 300 crianças de 1ª a 4ª série. As aulas sobre a cultura popular ministradas pelo ponto de cultura fogem dos padrões do ensino formal das escolas brasileiras e são baseadas na técnica da repetição que faz parte da tradição oral, além de contarem com atividades como capoeira com coco, ciranda, puxada de rede, maculelê e samba de roda.

A valorização da cultura popular brasileira e da tradição oral, sem dúvida alguma, é uma forma de complementar o ensino formal que vigora na maioria das escolas brasileiras e de tornar o aprendizado mais completo e efetivo. Quando as crianças tomam contato com a oralidade, além de falar melhor, elas passam a escrever melhor, uma coisa deriva da outra, uma faz parte da outra e, no caso do modelo adotado por esta escola de SP, elas ainda saem com um conhecimento maior sobre a cultura popular brasileira, que encontra cada vez menos espaço dentro da lógica da indústria cultural.

Na ação deste grupo que faz parte de um projeto maior, a Ação Griô Nacional, uma rede que integra 130 pontos de cultura em todo o país e que, através de seus mestres, busca fortalecer a identidade cultural de crianças e adolescentes, segundo a tradição de cada comunidade, está um importante resgate de uma tradição que nunca deve se perder: a oralidade. São exemplos e ações como essa que fazem com que tal frase que vem logo abaixo, dita por um conhecido escritor latino-americano, não ganhe muita repercussão. É ótimo ver as conquistas de uma sociedade letrada, mas a educação se faz com voz e palavra, na mesma proporção!

“Uma comunidade sem literatura escrita se exprime com menos precisão, riqueza de nuances e clareza do que outra cujo instrumento principal de comunicação, a palavra, foi cultivado e aperfeiçoado graças aos textos literários. Uma humanidade sem romances, não contaminada pela literatura, se pareceria com uma comunidade de tartamudos e afásicos, atormentada por problemas terríveis de comunicação causados por uma linguagem ordinária e rudimentar”. (Mario Vargas Llosa, desmerecendo a oralidade e tomando a escrita como positiva por si própria)

Leia mais sobre essa iniciativa de incorporar a oralidade na educação escolar em reportagem publicada no Brasil de Fato.

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10 Respostas para “ESCOLA PÚBLICA RESERVA UM TEMPO PARA O APRENDIZADO DA CULTURA POPULAR BRASILEIRA POR MEIO DA TRADIÇÃO ORAL

  1. Saile Marques 28 setembro, 2010 às 9:30 am

    O que tem acontecido na Escola Pública de São Paulo tem que ser estudado de forma mais cuidadosa.

    16 anos de aprovação continuada piorou a qualidade de ensino da Escolas Públicas de São Paulo, o que contaminou toda a educação em geral.

    São Paulo é muito grande e tudo que acontece aqui repercute no país inteiro.

    A Aprovação Continuada reduziu o número de alunos, o que fez com que Escolas fossem fechadas, quando isto não aconteceu foram fechados períodos.

    É muito difícil encontrar uma escola que trabalha com o período noturno.

    Falta de professores. Com os baixos salários não se formam mais professores, não temos professores de Química, Física e Matemática.

    Estamos perdendo uma cultura, como o nível baixou muito, você não tem como exigir muito dos alunos e cada dia isso vai ficando cada vez mais claro, é uma cultura que vai se perdendo.

    A ORALIDADE em São Paulo tem aumentado, pois os Alunos não estão sabendo escrever, VIDE OS RESULTADOS DOS TESTES PISA

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  2. Chico Cerrito 28 setembro, 2010 às 3:14 pm

    A aprovação automática somado a idiotização das massas, promovido pelo oligopólio da informação, é devastador para a formação de cidadãos livres e conscientes, pois estes ao invés de conseguir uma educação de qualidade e auto-evolução, permanecerão funcionalmente analfabetos, acríticos, vítimas do desconhecimento e da ignorância, e facilmente manobráveis, tanto politicamente, bem como para o consumo dos produtos que este mesmo cartel de mídia, massivamente, lhes impingir mediante publicidade altamente lucrativa.
    Um negócio e tanto, infelizmente ainda permitido aqui.
    Até a cultura é vista sob o olhar desta mídia apenas como o patrocínio e o financiamento para artistas conhecidos e aninhados nela própria, mesmo que os produtos culturais a serem apresentados sejam de segunda ou terceira categoria, ou nem isso.
    Quando Gilberto Gil no Ministério da Cultura promoveu uma redistribuição e reclassificação das verbas do MinC, privilegiando e incluindo movimentos artísticos e culturais de base, manifestações folclóricas, regionais e populares, democratizando a cultura, sofreu forte campanha contrária do oligopólio midiático, de mercadores da cultura e até de alguns poucos artistas que se perderam na Casa Grande.
    Essa pasteurização cultural em nível extremamente baixo é promovido pela mídia cartelizada, e mantida e reforçada com ações demagógicas de governos neoliberais sem compromisso com a educação da população, como o de São Paulo, que nas escolas públicas impõe a aprovação automática, que lhe serve bem em dois aspectos, melhora as estatísticas de “promoção” escolar, para manipulação e propaganda política e ainda mantém a população mais carente praticamente analfabeta e acrítica, fornecendo matéria prima para o círculo vicioso da desinformação, do clientelismo, e da manipulação.

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  3. Saile Marques 29 setembro, 2010 às 11:42 am

    Para complicar a situação, aqui em São Paulo temos que conviver com os LAs. – LIBERDADE ASSISTIDA.

    Os professores e diretores para evitar o preconceitos não podem saber quais são os Alunos LA.

    Bandidos, traficantes, estrupadores são matriculados juntamente com os outros alunos.

    Sem nenhum tipo de orientação, os professores tem que trabalhos com esse tipo de situação.

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