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ESTADO DA ARTE

UM POUCO DA EXTENSÃO TEOLÓGICA, DA CLARIDADE DA MORTE, DAS PAISAGENS ABERTAS QUE MARCAM A POESIA DO PORTUGUÊS DANIEL FARIA

Belos e iluminados versos, místicos, cuidadosamente colocados entre a tranformação e a revelação, construtores do mundo pela palavra!

Escrevo do lado mais invisível das imagens
Na parede de dentro da escrita e penso
Erguer à altura da visão o candeeiro
Branco das palavras com as mãos

Como a paveia atrás do segador
Vejo os pés descalços dos que correm
E escrevo para os que morrem sem nunca terem provado o pão
Grito-lhes: imaginai o que nunca tivestes nas mãos

Correi. Como o segador seguindo o segador
Numa ceifa terrestre, tombando. Digo:
Imaginai*

Daniel Faria

*Poema incluído no livro Dos Líquidos. Porto, Fundação Manoel Leão, 2000

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AGÊNCIA EP NOTÍCIA

FAVELA DO MOINHO FOI PALCO DE AÇÃO CULTURAL QUE LEVOU FOTOGRAFIA, MÚSICA E GRAFITE AO CENTRO DE SP

 

A vida é um moinho, ela roda, roda, infinita, é ela toda um ciclo!

 

Da Agência Educação Política

A Favela do Moinho, assim como tantas outras favelas espalhadas pelo país, tem tudo que as outras costumam ter: esgoto a céu aberto, barracos de madeira, falta de água e um disseminado estado de violência. A diferença em relação às outras, no entanto, está na localização. A favela do Moinho fica em pleno centro da cidade de São Paulo, a três quilômetros da Praça da Sé e da Prefeitura Municipal, ou seja, bem debaixo do “nariz do poder público” que insiste em se fazer tão próximo e, ao mesmo tempo, tão distante da realidade do local.

Na última semana do mês de julho, uma jornalista de apenas 22 anos reuniu um grupo de artistas e promoveu uma semana cultural na favela com muita música, pintura e arte de forma geral. Foi a oportunidade que muitas crianças tiveram de pintar alguns de seus sonhos com o grafite, de ouvir uma música social que retrata um pouco dos seus problemas, de sentir que existem outras coisas pelas quais a vida vale a pena ser vivida!

Um exemplo de cidadania que mostra como, na realidade, é o povo que se solidariza com o próprio povo. O governo continua ali, a apenas alguns quilômetros de distância física e a um infinito de distância humana e social, fingindo que não vê!

Ação cultural leva fotografia, grafite e rap a uma favela em pleno centro de São Paulo
Rede Brasil Atual
Por Gisele Coutinho

Uma favela com 900 famílias, cerca de 4.500 pessoas. Barracos de madeira em meio a prédios abandonados, espremidos entre duas linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O esgoto é a céu aberto, falta água, energia elétrica, faltam condições básicas de saneamento.

A favela do Moinho tem todos os problemas típicos da periferia da capital paulistana – a diferença é que está em plena região central, no Bom Retiro, embaixo do viaduto Orlando Murgel, a três quilômetros da Praça da Sé e da sede da prefeitura.

Esse foi o palco de uma ação de cidadania que a jornalista e produtora Yara Morais, de 22 anos, produziu na última semana de julho para chamar atenção sobre o problema da falta de água.

Com ingressos na forma de alimentos e roupas, Yara reuniu artistas, jornalistas, fotógrafos, integrantes do movimento hip hop, grafiteiros e rappers como Kamau, Du Bronx, Emicida, Crônica Mendes, Sandrão do RZO, o grupo Consciência Humana e o poeta Sergio Vaz.

Nem o frio, muito frio, atrapalhou as crianças do Moinho. Com ajuda dos grafiteiros, elas desenharam seus sonhos nos muros de um terraço de prédio abandonado, local da festa-protesto. Na escadaria que dava acesso à festa, muita fumaça vinha do prédio inacabado e abandonado, das fogueiras que serviam tanto para cozinhar como para tornar o frio mais suportável. (Texto Completo)

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