Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 16 outubro, 2010

SOM DELICADO E RITMO AGRADÁVEL, ASSIM SE FAZ TULIPA RUIZ

Tulipa Ruiz, desde suas primeiras apresentações como cantora associada ao estilo MPB conquistou elogios da crítica e do público. Sua voz é daquele tipo macia e fácil, que executa as notas com naturalidade e parece estar eternamente cantando para um grupo de amigos.

As letras das músicas também são originais e preservam um sutil tom de poesia que faz do som uma experiência ainda mais agradável. Com naturalidade, equilíbrio e talento, Tulipa Ruiz se faz uma ótima alternativa musical para quem busca sons diferentes e de qualidade. Ela tem força e leveza ao mesmo tempo e é assim, dialogando com seus opostos conciliados, que a cantora vai construindo uma bela trajetória que tem tudo para ser algo mais do que efêmera…

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FOLHA: SHEILA RIBEIRO, QUE É FILHA DE MILITANTE DO PSDB, DIZ QUE SUA EX-PROFESSORA, MÔNICA SERRA, FEZ ABORTO NO CHILE

Serra não tem limites

A máscara caiu

A que nível chegou a campanha de José Serra.

A Folha de S.Paulo traz uma notícia estarrecedora, que também foi publicada no Correio do Brasil e no Conversa Afiada.

A dançarina Sheila Canevacci Ribeiro, ex-aluna de Mônica Serra e filha de uma ex-militante do próprio PSDB,  Majô Ribeiro, ficou indignada com a campanha de Serra e publicou depoimento em que fala sobre o aborto praticado por Mônica Serra, quando morava no Chile.

Seguramos essa informação até que realmente nos parecesse bastante verdadeira. As informações trazidas pela Folha de S.Paulo, inclusive sobre o fato de Sheila ser filha de Majô Ribeiro e casada com o antropólogo, Massimo Canevacci, do qual já li livro, são bastante consistentes.

Que a partir de agora a campanha tome o rumo da discussão política e não religiosa ou espiritual. Serra passou dos limites. A Folha de S.Paulo tenta recuperar a credibilidade.

Veja trechos da reportagem da Folha de S.Paulo:

Monica Serra contou ter feito aborto, diz ex-aluna

Reportagem tentou ouvir mulher de candidato tucano por dois dias, sem sucesso

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O discurso do candidato à Presidência José Serra (PSDB) de que é contra o aborto por “valores cristãos”, que impedem a interrupção da gravidez em quaisquer circunstâncias, é questionado por ex-alunas de sua mulher, Monica Serra.
Num evento no Rio, há um mês, a psicóloga teria dito a um evangélico, segundo a Agência Estado, que a candidata Dilma Rousseff (PT), que já defendeu a descriminalização do aborto, é a favor de “matar criancinhas”.
Segundo relato feito à Folha por ex-alunas de Monica no curso de dança da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a então professora lhes contou em uma aula, em 1992, que fez um aborto quando estava no exílio com o marido.
Depois do golpe militar no Brasil, Serra se mudou para o Chile, onde conheceu a mulher. Em 1973, com o golpe que levou Augusto Pinochet ao poder, o casal se mudou para os Estados Unidos.

OUTRO LADO
A Folha tentou falar com Monica Serra durante dois dias para comentar o relato das ex-alunas, sem sucesso.
Um dia depois do debate da TV Bandeirantes, no domingo, 10, a bailarina Sheila Canevacci Ribeiro, 37, postou uma mensagem em seu Facebook para “deixar a minha indignação pelo posicionamento escorregadio de José Serra” em relação ao tema.
Ela escreveu que Serra não respeitava “tantas mulheres, começando pela sua própria mulher. Sim, Monica Serra já fez um aborto”.
“Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o seu aborto traumático”, escreveu Sheila no Facebook. “Devemos prender Monica Serra caso seu marido fosse [sic] eleito presidente?”

….

Sheila é filha da socióloga Majô Ribeiro, que foi aluna de mestrado na USP de Eva Blay, suplente de Fernando Henrique Cardoso no Senado em 1993. Majô foi pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da USP, fundado pela primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008).  Militante feminista, Majô foi candidata derrotada a vereadora e a vice-prefeita em Osasco pelo PSDB.
A socióloga disse à Folha estar “preocupada” com a filha, mas afirma que a criou para “ser uma mulher livre” e que ela “agiu como cidadã”.
Sheila é casada com o antropólogo italiano Massimo Canevacci, que foi professor de antropologia cultural na Universidade La Sapienza, em Roma, e hoje dirige pesquisas no Brasil.
A Folha localizou uma colega de classe de Sheila pelo Facebook. Professora de dança em Brasília, ela concordou em falar sob a condição de anonimato.
Contou que, nas aulas, as alunas se sentavam em círculos, criando uma situação de intimidade. Enquanto fazia gestos de dança, Monica explicava como marcas e traumas da vida alteram movimentos do corpo e se refletem na vida cotidiana.
Segundo a ex-estudante, as pessoas compartilhavam suas histórias, algo comum em uma aula de psicologia.
Nesse contexto, afirmou, Monica compartilhou sua história com o grupo de alunas. Disse ter feito o aborto por causa da ditadura.
Ainda de acordo com a ex-aluna, Monica disse que o futuro dela e do marido, José Serra, era muito incerto.
Quando engravidou, teria relatado Monica à então aluna, o casal se viu numa situação muito vulnerável. (Texto completo para assinantes)

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PSDB E SEU CANDIDATO JOSÉ SERRA SÃO OS GRANDES RESPONSÁVEIS POR DAR TOM FASCISTÓIDE À CAMPANHA ELEITORAL

Além de fascistóide, outro termo que cairia muito bem à turma do PSDB seria 'privatóide'...

Da Agência Educação Política

Escandalizada com os recentes temas que têm tomado conta da campanha eleitoral pela presidência da república, a psicanalista Maria Rita Kehl que sentiu na pele como é a lógica da velha mídia no Brasil, (fato discutido aqui no Educação Política) concedeu uma entrevista à revista Carta Capital na qual ela efetivamente dá o tom da campanha.

Ao caracterizar a disputa eleitoral como fascistóide, o que sugere uma mistura de fascismo com factóide, a psicanalista expõe, de forma sutil e inteligente, as duas bases que orientam não só o jeito PSDB de fazer campanha, como também o jeito PSDB de governar.

Eles conservam um lado autoritário e mesquinho, que não aceita críticas e sai ironizando ou rindo de tudo e todos que por alguma razão o criticam. Ao mesmo tempo, tentam a todo custo encobrir esse seu peculiar jeito de ser com afirmações vagas e vazias, promessas com praço de validade curto ou já vencido, coisas que desviam a atenção do que realmente é importante para a construção de uma verdadeira democracia. Em outras palavras, eles adoram um factóide!

Além de responsabilizar Serra e o PSDB pelo nível do debate eleitoral, Maria Rita Kehl fala de aborto e corrupção ou ‘os temas da campanha’…

A campanha eleitoral assumiu um tom fascistóide, diz Maria Rita Kehl
Revista Carta Capital
Celso Marcondes

O fim da coluna da psicanalista Maria Rita Kehl no O Estado de S.Paulo foi um dos assuntos da semana, em particular na internet. Seu artigo “Dois Pesos” foi pesado demais para os donos do diário paulista. Neste espaço, publicamos vários artigos a respeito. A repercussão enorme gerou até um abaixo-assinado que corre pela rede em sua defesa. Passado o impacto, Rita Kehl conversou com CartaCapital a respeito das eleições presidenciais, que ela acompanha de perto, com o olhar da profissional conceituada em sua área e também com a visão de cidadã e jornalista, carreira que seguiu nos tempos da ditadura. Ela se diz escandalizada com os temas que tomaram conta do debate eleitoral e responsabilizou a campanha do PSDB por isso.

CartaCapital: Teu artigo no Estadão discutia a disseminação de um grave preconceito através da rede. Essa parece ter sido uma característica do uso do veículo nestas eleições, em particular entre a chamada classe média.Você acredita que a internet, pelas suas especificidades, ajuda a este tipo de comportamento?
Maria Rita Kehl: Ajuda de fato. A internet, pela facilidade de acesso, pelas características que só ela tem, apresenta este potencial terrível de ser lugar da fofoca, de blábláblá. Mesmo quando não é um uso irresponsável, como são os casos destes tuites para dizer ”olha, eu estou aqui”, “eu existo”, “olha a foto do meu filho”, “do aniversário do fulano”. Mas tem também um potencial incrível, como a possibilidade de convocar uma passeata da manhã para a tarde, como aconteceu antes da guerra do Iraque, em vários países do mundo, e reunir milhões de pessoas. Então, eu não condenaria a internet, ela tem grande potencial, é um veiculo que dá justamente a possibilidade de você se incluir, de você escrever, pelo menos para quem é da classe média ou que tem acesso a uma lan house. Ela serve a essas duas coisas. Talvez com o tempo os leitores comecem a criar sua própria capacidade de discriminar.

CC: O preconceito que você identifica no teu artigo, este incomodo com a ascensão dos mais pobres, e por consequência com um governo mais identificado com eles, não é uma marca das nossas elites que aparece muito na rede?
MRK: Veja, a internet divulgou essas correntes preconceituosas, apócrifas, que sempre começavam assim: “uma prima minha”, “um parente meu”, “um amigo da minha empregada”, sempre assim. Mas por outro lado, o que tem de legal, é que, por exemplo, este meu artigo foi mais lido que qualquer outra coisa que eu jamais tenha escrito. Se ele tivesse ficado apenas no Estadão, ele teria sido lido, mas jamais deste jeito. Isso é uma coisa muito legal. (Texto Completo)

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