Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 24 outubro, 2010

POPULAR E CLÁSSICO: GAROTA DE IPANEMA EM UMA BELA EXECUÇÃO

Os acordes inesquecíveis da bela composição de Tom Jobim e Vinicius de Moraes com compasso de praia, ritmo de sol, harmonia de mulher e timbre de verão, Garota de Ipanema, em uma bela apresentação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo!

Para ouvir e fazer ouvir!

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PUNKS NO BRASIL: ELES QUERIAM ABRAÇAR A LIBERDADE!

Da Agência Educação Política

O documentário Botinada, de Gastão Moreira é uma ótima opção para quem quer conhecer um pouco mais sobre a origem do movimento punk no Brasil. O documentário, fruto de quatro anos de pesquisa, é muito bem feito. Traz uma grande riqueza de fontes (77 pessoas entrevistadas), além de imagens raras e inéditas compiladas pela primeira vez que contribuem para contextualizar o documentário e preenchê-lo com inúmeras referências artísticas e culturais.

O vídeo conserva um ritmo dinâmico e, muitas vezes, bem humorado, fruto da habilidade do diretor em relacionar as entrevistas e ir tecendo uma verdadeira trilha documental de uma época.

O registro de depoimentos daqueles que estiveram no centro do movimento punk quando este começou a surgir, dizem alguns, em São Paulo, e também daqueles que ajudaram o movimento acontecer, além de depoimentos inusitados e bastante pertinentes, como o de uma das mães dos líderes do movimento punk, formam uma rede de fatos, história, luta política e social e, principalmente, de memória!

Os braços do "A" rompem o círculo, vencem os limites em que estão inseridos e avançam em direção à liberdade!

É gostoso ver como a geração de 82, a principal retratada pelo vídeo, ainda guarda boas lembranças e fala daquela época com risos e brilho nos olhos. Os depoimentos contagiam quem assiste, pois eles passam um sonho que ainda parece viver em cada um dos entrevistados, uma vontade de ser visto, de ser livre, de fazer música e, com certeza, de fazer a revolução. Mesmo que hoje eles façam outra coisa, tenham se distanciado completamente do punk e até da música, o fato é que a experiência que eles viveram em iniciar o movimento punk no Brasil a partir de São Paulo parece ocupar um lugar privilegiado naquele canto da alma que guarda nossas conquistas, nossas lutas, uma ou outra utopia.

Mas, o grande trunfo do vídeo, é justamente fazer conhecer um outro lado do movimento punk que só poderia ser trazido por aqueles que realmente fizeram o punk acontecer no Brasil. Um lado que vai além do cabelo arrepiado, dos olhos pintados, da postura aparentemente esquiva e agressiva, dos coturnos, das roupas pretas cheias de tachas, das tatuagens a perder de vista e da música caracterizada pelo som forte, pela guitarra intensa e explosiva, pelas letras quase sufocadas pelo grito do vocalista.

O vídeo permite ver que o que realmente sufoca a letra não é o grito do vocalista, mas o grito mudo e perverso que sai da desigualdade social. Ele mostra um movimento formado, principalmente, a partir de garotos da periferia, excluídos pelo estado, esquecidos pelas oportunidades, condenados a serem mais um símbolo do eterno desperdício de talentos que marca o Brasil até hoje. E como marca!

O movimento punk, acima de tudo, foi uma reação a essa injustiça, a essa espinhosa desigualdade social. Foi uma luta social, cultural e política por uma efetiva democracia que pudesse ver a todos e existir de fato para todos. O vídeo ajuda a compreender como a mídia destruiu a essência do movimento punk fazendo com que ele fosse visto apenas como símbolo de violência, truculência e agressividade. Quem era punk passou a ser associado a tudo de ruim que a sociedade poderia produzir ou assimilar e, como mais uma praga, passaram a ser evitados, ignorados, espremidos pelos muros do capitalismo e, por fim, apagados.

Um documentário como o de Gastão Moreira ajuda a resgatar a verdade da história e dos fatos, ajuda a curtir um som, voltar em uma época. Ajuda a provar do gosto de um dos ideias mais bonitos que já se criou: o ideal da liberdade, do anarquismo, da mútua comprensão e do amplo respeito pelo outro que conduz à mais harmônica e livre sociedade.

Não há nada mais bonito e foi exatamente por isso que eles lutaram. Com tachas pelo corpo, olhos pintados, cara de mau, som agressivo, mas, talvez, fosse essa apenas mais uma forma ou a única forma de conseguir ser visto, de conseguir ser ouvido, notado nesse mar em que navega a multidão. Os punks queriam existir, queriam que aqueles que sempre os ignoraram tivessem que vê-los, ouvi-los, suportá-los. Assim como o anarquismo, eles queriam quebrar o círculo de barreiras que prende e condiciona os indivíduos, estourar esse círculo e abraçar a liberdade!

Não há barulho mais belo…

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