Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 28 outubro, 2010

OFF BIENAL REÚNE OBRAS DE 62 ARTISTAS ENTRE PINTURAS, ESCULTURAS, FOTOGRAFIAS E INSTALAÇÕES

Da Agência Educação Política

A Off Bienal foi criada em 1996 pelo crítico de arte Carlos von Schmidt acreditando na ideia de que aqueles artistas que, por um motivo ou outro, não tiveram seus trabalhos expostos na Bienal de Arte também mereciam um lugar de destaque para suas obras e para revelar seu potencial igualmente criativo e esteticamente inovador. De lá pra cá, cerca de 150 artistas já tiveram seus trabalhos expostos no espaço da Off Bienal.

Este ano, a mostra está na sua 4ª edição e reúne diversas manifestações artísticas (pinturas, fotografias, esculturas, instalações) de 62 artistas que ficaram de fora da 29ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo.

"Boquinhas de salvador Dali", obra da artista Cris Campana que será exibida na Off Bienal

A Off Bienal traz uma proposta interessante ao reservar um espaço para aqueles que a priori não teriam um espaço e, em consequência disso, propiciar que o público conheça obras de arte que, não fosse essa iniciativa, permaneceriam sem ser vistas, pelo menos, nos circuitos mais conhecidos aqui do Brasil.

Conserva-se com isso o espírito da arte: inclusivo e diverso! Ninguém fica de fora e a diversidade é a voz que fala mais alto! Muito bom que seja assim!

Aviso aos navegantes:
OFF BIENAL 4
De 27 de outubro a 27 de novembro
Entrada Franca
Segunda a sexta das 11h às 20h. Sábados das 11h às 15h
Galeria de Arte Cidade Jardim
Avenida dos Tajurás, 236 (continuação da Av. Cidade Jardim) – Cidade Jardim – São Paulo
Informações: (11) 2359-1402

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DE BANCO DO BRASIL EU ENTENDO UM POUCO

Por Raimundo Wilson S. D. Morais(*)

Abram aspas. Antes da chuva de pedras, que fique bem claro: nunca pertenci à classe rica, e pobre não fui. Consegui cursar duas excelentes faculdades (públicas, é claro!), onde só entravam os bafejados pela sorte: ou tiveram formação escolar em ótimas escolas públicas (garanto a vocês que existia); ou vieram de famílias que podiam sustentar boas escolas particulares e dois ou três anos nos famigerados cursinhos pré-vestibular; ou, ainda, trabalhavam em regime de seis horas diárias (também não é piada, eu juro que isso existiu!). Os cursos preferidos pela elite exigiam horário integral: Medicina e Engenharia, nem pensar! Havia, como sempre houve, um limite entre o ideal do sonho e o real do pesadelo. Alguns “sortudos” transpunham esse limite.

Continuem entre aspas. Estudei em bons colégios (particulares e públicos), podia pagar cursinho e trabalhava no Banco do Brasil, uma empresa que só admitia funcionários por concurso público e respeitava o expediente legal de 6 horas diárias de trabalho (perdoem-me, leitores incrédulos, no século XX ainda sobrevivia esse respeito). Consegui cursar a Universidade de São Paulo, em uma época de intensa resistência à repressão dos militares. Ao mesmo tempo, eu fazia parte de uma empresa com um quadro funcional de grande competência, onde a regra (com as exceções, é claro!) era trabalhar para o Brasil e não para um governo.

Prossigam entre aspas. Tudo o que aprendi de importante em minha vida partiu de duas fontes: à Universidade de São Paulo eu devo a teoria e ao Banco do Brasil eu devo a prática. Na USP e no BB foram recrutadas “cabeças pensantes” que ajudaram a sustentar tanto a ditadura militar de ontem quanto a democracia que temos hoje. Que ninguém se iluda: dessas duas instituições foram convocados tanto os cérebros do mal (qualquer que seja a posição ideológica adotada) quanto os do bem! Basta olhar a História e seus atores nos últimos 50 anos. Por causa dessas condições que emolduravam minha formação num meio elitista, Lula nunca seria o presidente de meus sonhos. Sempre acreditei que o cargo mais alto do País jamais deveria ser exercido por militar da ativa ou por civil sem formação universitária. Que soubesse pelo menos se expressar com elegância na língua pátria! Tive que jogar fora meu sonho, é claro!

Preparem-se para fechar aspas. No ano de 1989, Lula não era o ideal sonhado, mas o pesadelo real emergia de modo truculento, no cérebro de um tal de Dom Fernando I, o Caçador. Dele se afirmava ser um colorido pavão, espécime rara que surgiu do nada, ou melhor, foi criado num cinescópio que soltava um som irritante: plim-plim!. Não havia tempo a perder: filiei-me ao Partido dos Trabalhadores. Deposto Fernando I, veio o reinado de Fernando II, o Vaidoso. Dele diziam ser mais um pavão, criado com boa alimentação importada; aparecia em preto e branco, pregava a favor da amnésia (para os outros), e foi feito de encomenda para que o Brasil esquecesse todas as suas cores, doadas para estrangeiros. Ah, sim, esqueçam o que escrevi: no ano de 2010, Dilma não era a candidatura que eu queria no PT. Mas foi a escolhida pelo Partido. É o que basta para ter meu apoio. Aprendemos muito nesses anos, diria o poeta. E tenho horror a pesadelos, caçadores, esquecimentos, estradas com pedágio, corrupção, subidas e descidas de serra. Fechem comas.

Tomei posse no Banco do Brasil em plena ditadura, numa cidade do interior do Piauí, para onde foram transferidos alguns funcionários punidos pelo regime militar. Era tradição do BB dar posse a novos funcionários (salvo algumas exceções de bom apadrinhamento) em lugares distantes, antecipando uma política que os militares apelidariam de “Integrar para não entregar” e que foi lema do Projeto Rondon. Se a intenção de alguns militares era fazer do Projeto Rondon uma espécie de lavagem cerebral na juventude, o resultado foi exatamente o contrário. Havia um ponto muito positivo naquela política: criava-se um quadro de soldados que conheciam muito bem as áreas de combate. Só que esses soldados não estavam nos quartéis, mas nas escolas.

Como se sabe, generais são poucos, e dificilmente morrem em combate. Já os soldados rasos são milhares, e só por sucessivos golpes da sorte (e outros golpes) chegam ao generalato. Os recrutas vivem e aprendem no teatro da guerra, pela simples razão de estarem em pé, na frente, enquanto os generais estão atrás, deitados em berço esplêndido. Ao alocar funcionários recém-empossados e funcionários “subversivos” na mesma cidade do interior do Piauí (e de outros estados), o BB aproximou a gasolina da fagulha. Num repente, começaram a nascer sindicatos em lugares “nunca dantes imaginados na História deste país”.

Os leitores já devem ter percebido que, entre comas e mais comas, prestei uma homenagem. A região em que trabalhei, no Piauí, seria a escolhida por Lula, muitos anos depois, para dar início ao combate à miséria. O quadro funcional do Banco do Brasil do meu tempo não existe mais, mas o BB está de volta ao cenário, abarrotado de recursos, como parceiro importante de um governo que tirou da fome e da miséria cerca de 30 milhões de irmãos nossos, cujo defeito maior era a pobreza que não lhes permitiu dar sequer um passo à frente. Em 2010, o perigo está de volta: a privatização do BB, da Petrobrás e da Caixa Econômica Federal não significa apenas o sonho tucano de “fazer caixa” rapidamente: é o pesadelo real da volta da miséria e da exclusão dos “azarados”. Saiba mais

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