Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 7 novembro, 2010

BOLA DE MEIA, BOLA DE GUDE, MILTON NASCIMENTO POR 14 BIS

Música linda. Ritmo que toca além das palavras.
As imagens da infância, a beleza de ter um menino no coração!

Para ouvir e fazer ouvir!

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem prá me dar a mão
Há um passado
No meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão
E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito, caráter,
Bondade, alegria e amor
Pois não posso, não devo, não quero
Viver como toda essa gente insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia
Bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem prá me dar a mão

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MERCEARIA PARAOPEBA OU UM RETRATO DO BRASIL

Em Itabirito, interior de Minas Gerais, há uma daquelas peças que montam o rico e múltiplo quebra-cabeça do Brasil por trazerem um pouco do nosso gosto, do nosso riso, da nossa simpatia, da nossa história. Falo da Mercearia Paraopeba, um daqueles espaços que tem um pouco de tudo e um pouco de todos.

A Mercearia e seus proprietários, pai e filho, são o tema deste belo documentário dirigido por Rusty Marcellini que retrata um pouco da cultura do povo brasileiro. Fala-se de queijo, goiabada, jatobá, marcela de fazer travesseiro…Fala-se dos costumes do brasileiro, do seu gosto pela terra, pela prosa, pela tradição. Há neste vídeo um pedaço do Brasil original, simples e sonhador. Cheio de brilho nos olhos e solidariedade com o outro.

Há nesse vídeo, um Brasil que se perde nos grandes centros, com os grandes prédios, com a distância trazida pelos computadores, celulares e outras eletrônicos diversos. Ao mesmo tempo, há a fotografia de um Brasil feliz, que cresce e ajuda o outro a crescer, e que tem, como gosto primeiro, os produtos da natureza, os milagres gerados pela estética do tempo, o fruto da semente e do trabalho do homem ao lavrar a terra.

É emocionante ver pai e filho falando da sua história, ver como a mercearia é para eles não só o meio a partir do qual garantem o seu sustento, como também o instrumento de existência e perpetuação da família com o passar do tempo. Paraopeba é uma forma de permanecer, de existir, de sonhar…

Quando penso que em outras épocas não tão distantes e que ainda hoje, querem internacionalizar o Brasil, ou descobrir o nacional nas chaminés das grandes metrópoles, sinto vontade de gritar pelo regional, por esse Brasil da diversidade, das culturas, da diversidade social. O que eles não entendiam é que em um país que carrega uma história como a do Brasil, não é possível falar em uma imagem para a nação. O que existe é uma diversidade, uma pluralidade de vozes e coisas.

Por trás dessa diversidade, no entanto, é possível falar de uma unidade, de um mesmo riso e brilho nos olhos, de um amor pela terra, pela natureza, pela vida, de uma alma brasileira que nos interiores dos interiores do Brasil segue a renovar-se em Mercearias, casas e bares e que se perde no anonimato, na invisibilidade das grandes cidades!

Deixo o ritmo e as cores de Paraopeba, um armazém das antigas que guarda o futuro na tradição:

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