Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 9 novembro, 2010

DOCUMENTÁRIO JOSÉ E PILAR MOSTRA O AMOR ENTRE UM HOMEM E UMA MULHER DE FORMA SOLENE E BEM HUMORADA

28 anos os separavam, mas tudo o mais os aproximava

Da Agência Educação Política

O documentário José e Pilar, uma coprodução entre Brasil, Portugal e Espanha, do diretor português Miguel Gonçalves Mendes, já vem sendo tido como um dos mais românticos filmes a que se pode assistir. Mesmo sem ter visto, imagino que o documentário deve ser belo, assim como se mostrou forte e igualmente belo o amor de mais de duas décadas entre Saramago e sua esposa Pilar Del Río.

28 anos mais nova, Pilar revela-se no documentário, muito mais do que a simples “mulher por atrás do grande homem” e demonstra o quanto as mulheres de artistas, pintores, escritores, músicos são, algumas vezes, ainda mais interessantes e geniais do que eles próprios.

Neste retrato íntimo e casual do amor e da vida à dois, Pilar surge como uma mulher de fibra, cheia de opiniões, dotada de um gênio forte, capaz de discutir e argumentar com o marido, sua tradutora oficial para o espanhol e alguém com quem ele falava sobre tudo. Com certeza, alguém que o inspirava, que fazia dele melhor.

Pelos detalhes, pela beleza que já se conheçe da prosa impecável desse grande escritor, algo da sua alma já fica em suspenso para pairar agora, doce e exata, como sua obras, na projeção iluminada das escuras salas de cinema. A beleza anunciada de José e Pilar pode ser pensada como tal a partir das duas grandes personalidades nele representadas que dão o tom dessa esperada narrativa.

Para ver a grandeza de Saramago basta ir à sua obra que não é própria de homens pequenos, com pouca alma, sequer poderia ter saído da mente de um deles. Seu tom histórico, sua linguagem única, seu estilo difícil, sua emoção quase fervente e profunda são produtos de uma alma sensível e pensativa, que escolheu o caminho mais belo, mais largo posto que não poderia percorrer qualquer outro. E sobre Pilar que, mesmo diante de todas as desconfianças em relação ao relacionamento em função da diferença de idade, soube mostrar ser ela apenas Pilar, apenas uma mulher que ama e que construiu um relacionamento entre duas pessoas separadas por quase 30 anos, mas unidas pela curva do destino, quase não resta dúvida.

Pilar é o tom da supresa do documentário, o que já era de se esperar, afinal, diante da grandeza de Saramago, sua mulher não seria menos fascinante. O documentário já conta, neste sentido, com o peso dos protagonistas e com a sinceridade do amor por eles vivido. Além disso, acerta quando resvala na esfera íntima, comum a todos nós, nas questões de amor e casamento de um nome que revestido da aura sagrada dos escritores, muitas vezes, chegou a ser visto como distante demais.

Esse tipo de documentário que atinge a intimidade de personalidades demasiado santificadas pelos rótulos e prêmios sociais, geralmente agradam por que surpreendem e comovem, não só pelos momentos reflexivos e um pouco pessimistas, mas também, e principalmente, pelos momentos engraçados em que se define um pouco do que é amar.

Como garantia de sucesso, o documentário não deixa de ser uma história de amor, do tipo que se gosta por ser real e ter dado certo, o que fica evidente em frases tão belas quanto esta dita por Saramago a Pilar: se eu tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, teria morrido muito mais velho do que quando chegar a minha hora”.

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SOMBRAS QUE GUARDAM A LUZ: A OBRA DE UM FOTÓGRAFO QUE FOTOGRAFA PARA ENXERGAR

Da Agência Educação Política

Fotografar uma realidade que não se vê. Enquadrar uma cena que apenas se imagina. Escolher o melhor ângulo apenas por instinto, por uma incrível sensibilidade. Assim se faz o fotógrafo naturalizado francês Evgen Bavcar que se intitula como “Eros da Fotografia”, baseado no mito grego de Eros, filho de Afrodite, que não podia olhar para sua amada Psiquê e apenas se encontrava com ela ao anoitecer, envolto pela completa escuridão.

Bavcar doutorou-se em Filosofia Estética pela Sorbonne, já realizou mais de 80 exposições em diversos países e teve seus trabalhos como grande inspiração para filmes como Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho.

A técnica de Bavcar foi desenvolvida a partir de suas experiências pessoais com a ajuda da irmã e, aos poucos, ele foi desenvolvendo um estilo bastante peculiar e belo de fotografar. As imagens por ele retratadas sempre saem de um fundo escuro e contrastam com ele por uma composição de luz. O fotógrafo explora em seu trabalho nada mais nada menos do que a alma da fotografia: a luz.

Não é por acaso que muitos dizem que o fotógrafo é um poeta que troca as palavras pela luz. Ao compor seu trabalho sobre a estética da escuridão da qual irradia a luz, Bavcar faz uma espécie de diálogo com a sua própria condição. É como se da escuridão habitada por ele saltassem sopros de luz que correspondem às suas fotografias. A fotografia é, portanto, a luz que o resgata da escuridão.

As descrição feitas por outras pessoas fazem com que o fotógrafo conheça sua obra que é considerada por ele como fruto de suas imagens interiores. O fotógrafo de origem eslovaca se diz um apaixonado pelo Brasil e intenso imaginador das paisagens brasileiras. O livro Memória do Brasil que chega ao Brasil pela Editora Cosac & Naify, reúne justamente textos e imagens produzidos durante suas viagens e experiências pelo país que, segundo ele, precisa ser mais conhecido no seu interior, onde realmente se forma a síntese nacional.

Os trabalhos do fotógrafo trazem uma estética própria, clássica, limpa. Eles trabalham com as situações limites que configuram a pureza do preto e branco. Por isso são tão belos e enigmáticos ao capturar os instantes de uma realidade que pode até parecer rodeada por sombras, mas que, por trás delas, guarda a luz!

Vi no site da Revista Cult

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