Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 14 novembro, 2010

QUANDO A CHUVA FALA NOS DEDOS…

Pra quando o ar estiver abafado, o calor for constante, o vento ser algo distante e a vontade de uma chuva que caia refrescante vir assim de forma alucinante, basta ver esse vídeo e sentir a chuva cair em instantes…

Na bela performance do coral Perpetuum Jazzile, os pingos da chuva começam mansos a brotar do sutil movimento dos dedos. Aos poucos, vão engrossando conforme a agilidade dos movimentos e a manifestação das vozes.

De repente, viram uma enxurrada, trovoada, as palmas tremem, os dedos vibram alucinados em um movimento frêmito e inesperado, e aí os pingos novamente voltam a diminuir, ouvem-se apenas suspiros, os dedos coordenam o tom, marcam o ritmo e tudo volta a silenciar depois de um belo caminho!

Lindo! Lindo! Lindo! Podem aplaudir!

Vi no Blog do Mello

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DEFESA DE MAYARA IGNORA A EXISTÊNCIA DO PRECONCEITO E TRANSFORMA A VÍTIMA NA ETERNA CULPADA

Da Agência Educação Política

Ao ler a absurda defesa feita pela advogada Janaina Conceição Paschoal, publicada na Folha de S.Paulo, fica evidente a sutil lógica da inversão pela qual se rege o direito brasileiro. A advogada ao apelar para emoções pessoais, sentimentos familiares e preconceitos historicamente construídos, simplesmente diz que a culpa pelas declarações irresponsáveis e racistas feitas pela estudante de direito Mayara Petruso são do presidente Lula, da sua forma de governar, do próprio povo brasileiro. Em outras palavras todos aparecem como responsáveis por propiciar a existência de Mayara e a sua forma de pensar e ver a realidade brasileira, menos ela própria.

De forma absurda, a advogada diz que Lula construiu um governo inspirado pela oposição entre as regiões com o claro objetivo de destacar o nordeste e os nordestinos do restante do Brasil, principalmente de São Paulo. Chega ao ponto de dizer que é justamente essa desunião do território brasileiro que faz com que jovens como Mayara pensem em um Brasil fragmentado e tenham atitudes como a da jovem estudante.

A advogada diz, portanto, que Mayara é fruto de um sistema perverso criado pelo presidente Lula e por esses líderes populistas que só servem para criar divisões e governar de fato para os ricos. Ela errou mas não tem culpa, pois o erro está na cultura separatista que a formou. Incrível!

Uma imagem do Brasil na tela da pintora modernista Anita Malfatti

Sobre esta lógica da inversão e sobre a capacidade de negar a existência do preconceito, tornando tudo que acontece mera culpa da vítima, o seguinte depoimento, publicado como carta do leitor na Folha, da Heloísa Fernandes, professora associada de Sociologia da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (São Paulo, SP), a respeito da defesa à Mayara feita pela advogada Janaina é bastante pertinente. Ela diz:

Racismo às avessas

Lendo as absurdas argumentações da professora Janaina Paschoal “Em defesa da estudante Mayara”, lembrei que grandes pesquisadores do racismo e preconceito no Brasil, como Roger Bastide e Florestan Fernandes, denunciaram a lógica da inversão. Graças a ela, não apenas não somos racistas, como, ademais, tudo que acontece é culpa da vítima. Se não fossem os negros, os nordestinos, os pobres, as prostitutas, os homossexuais, se Lula não fosse presidente, a estudante Mayara não teria cometido o destempério de pedir o assassinato de ninguém e tampouco teria sido demonizada. Coitadinha dela!

Realmente, coitadinha da Mayara! A carta da leitora mostra que não dá para negar todo o histórico de preconceito e racismo que fez parte da própria formação do povo brasileiro. O Brasil, pela variedade na sua formação racial (brancos, negros, índios), acabou gerando um povo diverso, e esse povo diverso, formado por mestiços, caboclos, já nasceu inferior ao branco, já nasceu predestinado a se descaracterizar e tornar-se branco para poder enriquecer e ser reconhecido enquanto cidadão.

Para ver exemplos da construção de nosso racismo basta ver textos como Eugenia e Medicina Social, de Renato Kehl, Populações Meridionais do Brasil, de Oliveira Vianna, artigos de Monteiro Lobato como Urupês, textos do próprio Gilberto Freyre anteriores a Casa Grande e Senzala, dentre outros. Estes intelectuais brasileiros pensaram a questão do racismo em uma época onde era até natural falar dessa diferença de raças, da superioridade de uma em relação a outra.

Tudo isso faz parte da construção de um páis que longe de ser um cadinho de raças é sim perpassado por cenas e demonstrações de preconceito que são demonstradas vez ou outra como nesse caso da estudante Mayara. No entanto, longe de inocentá-la isso apenas mostra a sua educação equivocada. Pois se em tempos de um Monteiro Lobato até se entende discussões desse tipo, no contexto atual, onde essas barreiras vêm sendo transpostas não por uma política da desunião, como quer a advogada, mas por uma política da igualdade de oportunidade para todos, a atitude da estudante é caso sério e deve ser visto como tal, pois são atitudes como essa que geram a desunião de um povo e não o contrário.

Vi no Vi o Mundo

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