Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 19 novembro, 2010

PARA LEITOR, DECLARAÇÃO DE PRATES SÓ DEMONSTRA UM JORNALISMO CADA VEZ MAIS ELITISTA E PRECONCEITUOSO

A serviço do anti-jornalismo, do preconceito, da desigualdade!

EDUCAÇÃO POLÍTICA VOCÊ FAZ

Por Bruno Nigro

A opinião dele, embora carregada de um claro preconceito de classes, é válida em alguns pontos sim. Concordo que o sujeito não tem motivo algum para largar seu carro no acostamando, atravessar a via e ir meter o bedelho aonde não foi chamado. Atrasa o trânsito onde não devia e ainda corre o risco de provocar outro acidente. Ok, até aí, ele só foi grosseiro na maneira de se expressar.

E sim, as auto-escolas não estão formando condutores e sim ‘pilotos’. Gente sem o menor preparo mental para assumir o comando de um veículo. Mas não é a condição social que diz isso e sim um histórico médico. O mesmo psicopata que usa o carro como arma pode ser morador de um condomínio na Barra da Tijuca ou morar dentro de um cafofo em Belford Roxo. Ok, até aí, eu vejo esse senhor destilar seu preconceito com a ‘capa’ de denúncia-crime contra imprudência no trânsito.

Porém, me admira um senhor que tenha tido acesso a leitura (como ele faz questão de destacar a falta dessa caraterística da ‘massa de miseráveis beneficiada pelo governo do crédito fácil’) não tenha aprendido o básico sobre respeito aos direitos do cidadão. Pouco importa se o cara vai demorar a vida pra pagar seu Fiat Uno 95, ou se ele mal completou o ensino fundamental. Cabe a pessoas com formação, assim como esse senhor, propor soluções e não destratar e desmerecer o esforço do cidadão de baixa renda.

Ele fala como se pobre não tivesse direito a bens de consumo. Foi infeliz e preconceituoso em seu comentário. Assim como foi Boris Casoy no episódio dos garis. Depois ele veio se retratar, mas aí já era tarde pois todo mundo sabia o que ele tinha em mente. Infelizmente, o jornalismo está cada vez mais elitista e descompromissado com o bem-estar público. De um lado, os tablóides de 0,50 centavos, vendendo notícias de fundo de quintal. Do outro, uma elite formada pela nata do que restou do coronéis, dos barões que não querem perder o luxo para um ex-desdentado.

Lamentável.

* este comentário foi postado em resposta ao seguinte post publicado pelo blog Educação Política:FALA SÉRIO OU É PIADA? VEJA MARCELO ADNET COMO UM TUCANO DE MIAMI E O MEDONHO COMENTÁRIO NA RETRANSMISSORA DA GLOBO. O post trouxe dois vídeos que se distanciam e ao mesmo tempo se aproximam. Distanciam-se, pois enquanto o primeiro faz rir por meio de uma sátira feita à elite brasileira, o segundo choca por meio de um preconceito absurdo e desenfreado, disfarçado de preocupação com a impunidade e segurança no trânsito. E aproximam-se, pois ambos trazem estereótipos construídos, o primeiro do rico, o segundo do pobre e mostram a mesma visão elitista e regada de um perverso preconceito. O que assusta é ver que a ponte entre ficção e realidade é tão próxima que em instantes o que parecia apenas uma mera representação, invade os olhos com toda a força da realidade. Incrível!

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UM VERDADEIRO HORROR NA JUSTIÇA BRASILEIRA: APENAS 10% DOS HOMICIDAS VÃO A JULGAMENTO

Brasil, um país com justicinha.

É inacreditável ver toda aquela pompa do Supremo Tribunal Federal (STF) sentado em cima de um tapete vermelho de sangue.

A justiça (com letra minúscula) no Brasil é coisa de último mundo. É horrenda, empolada, arrogante, cara e cretina.

O crime contra a vida não tem importância no Brasil.

A questão do aborto dominou a eleição presidencial graças a hipocrisia do casal José Serra e Mônica Serra, enquanto no Brasil a justiça funciona apenas para 1 em cada 10 assassinatos. É como se a justiça desse carta branca para matar. É um escândalo sem precedentes.

O sistema judiciário gasta todas as suas energias para crimes contra o patrimônio de particulares, mas abandona o crime contra a vida.

No Brasil, o ladrão de galinha vai para a cadeia e o homicida fica livre. É uma barbárie o sistema judiciário brasileiro. Para comprovar o que digo veja essa notícia na Agência Brasil:

Apenas 10% dos homicídios vão a julgamento no Brasil, calcula ministro da Justiça

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Nove em cada dez homicídios cometidos no Brasil ficam impunes. Apenas 10% desses crimes são devidamente apurados e seguem para o tribunal do júri. A afirmação é do ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que participou na manhã de hoje (18) do programa de rádio Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços.

De acordo com Barreto, há dificuldades no colhimento de provas e no andamento das investigações dos crimes que possam elucidar circunstâncias e a autoria dos homicídios. Para melhorar o trabalho investigativo das polícias de todo o país, o Ministério da Justiça distribuiu 1,1 mil maletas equipadas com computador e microscópio que permitem a busca de fragmentos que possam explicar o crime. O investimento foi de R$ 100 milhões.

“Há um novo patamar de investigação”, disse o ministro ao salientar que a Força Nacional passou, este ano, a atuar também no apoio às secretarias estaduais de Segurança na investigação de delitos. Cento e treze investigadores foram recrutados e treinados pela força para dar apoio às secretarias de Segurança dos estados.

Além dos problemas nos inquéritos policiais, Luiz Paulo Barreto lembrou que a demora dos julgamentos também pode agravar a impunidade e gerar outras distorções. “Justiça lenta é sinônimo de injustiça”, disse no programa ao dar como exemplo o caso de um homem que aos 18 anos furtou o aparelho de som de um carro e que foi condenado dez anos depois, quando tinha família constituída e estava trabalhando. Em sua opinião, a Justiça brasileira “ainda é muito formal”.

O ministro elogiou, no entanto, a reforma do Poder Judiciário que criou o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público. Para Barreto, depois da reforma, a Justiça ficou mais ágil e aberta, as varas de julgamento ficaram mais produtivas, há mais ouvidorias em funcionamento e o Judiciário tem adotado medidas para a diminuição de recursos, como é o caso do mecanismo de repercussão geral que torna a primeira decisão em instância superior como referência a todos os processos semelhantes.

Respondendo a uma pergunta sobre a possibilidade de aumentar as prisões de usuários de drogas como forma de diminuir a demanda por entorpecentes, o ministro da Justiça avaliou que o encarceramento dos dependentes químicos é ineficaz. “Essas pessoas precisam ser tratadas junto com as famílias. Não adianta o isolamento.”

Luiz Paulo Barreto reconheceu que “é difícil” combater o crime organizado internacional de entorpecentes, mas segundo ele, há uma atenção especial para a vigilância dos 16 mil quilômetros de fronteira do Brasil com os países do Continente Sul-Americano. Ele citou como exemplo a criação de onze bases equipadas nessa faixa para a integração da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, das polícias civis e guardas municipais.

O ministro avalia que a segurança pública melhorou durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aponta a redução de 11% no número de delitos. Em áreas escolhidas como Territórios da Paz, a redução da criminalidade chega a 70%, contabiliza o ministro que elogiou a disposição da presidenta eleita, Dilma Rousseff, em aumentar o número de unidades de Polícia Pacificadora (UPP).

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O IPEA, A ARTISTA E O JORNALISTA

A arte está no Mundo. No contorno da paisagem.

FICÇÃO-CONTO

Absurda era aquela sua imagem. Tão mesquinha, pequena, rastejante. Analisava-me no espelho, ansiosa pelo vir a ser de mim e o que eu via não me bastava. Espécie de sombra projetada e ansiosa. Contorno derramado dos teus olhos belos e despudorados. Não, não me agradava. Apenas pulsava! Dançava inerte entre tons cinzas da manhã esculpindo uma natureza morta e aliviada! Queria tua distância, embora te visitasse em meu corpo sem ânsia.
Olhei-te e rasguei a tela jogada no canto da tua pretensão. Fiz dela pedaços de uma muda e descabelada solidão. Joguei tinta, embora não visse as formas. A decisão era esvaziar os sentidos, tornar aquilo tão puro e primitivo que nada ali pudesse ser enfim dicionarizável. Não havia sentidos que pudessem ser percebidos, não havia imanência, no Nada existia a coisa criada.

Que péssimo quadro! Um desgosto.

Você dizia olhando para minha virtuosa e elástica imagem na lâmina transparente, extensão banal da retina desintegrada. E eu apenas descia as escadas. O que era enfim essa minha arte que a ti nunca agradava? O que era então essa minha carne insuficiente, extasiada? O que era aquele vinho sem graça? Eu? Se eu me soubesse…
Você? A rolar feito pedra na limpeza da água. Leitor atento das notícias e dos números da madrugada. Afeito a essa realidade orgulhosa de não ser nada, de não definir nada, de não bastar para nada. Feita de símbolos que significam o que pede para ser significado. Símbolos que deveriam fazer ver o sentido do mundo e não dar sentido ao absurdo do mundo. Quando perceberás o equívoco do teu alheamento? Escreves sobre o real….Ridículo dom de ser banal!

Qual graça vê em teus rabiscos humilhados pelo tempo? Nestas cores que são nada mais do que matérias mal cheirosas?

Bem se vê a palpitação da moral dentro de ti. Esvaziou-se de espírito. Perscrute uma letra que valha a pena nesta tua alma abismadamente pequena. Está oco de espírito, de essências, do místico.

Eu vivo na terra, não suponho fazedores de ar. Salta demais.

Tolo! Salto da terra e faço-me no ar. Não negue tua falta de coragem para a hierofania.

Virou religiosa. Nada mais esvaziante!

Quer dizer isso de você mesmo, tão vazio que não consegue ver a sensibilidade que independe de manifestações religiosas, está brutalmente racionalizado. Estude o conceito, ele também ironizável, antes de vir com teus limitantes defeitos.

Os místicos também morrem. Não há coisa mais crua.

Concordo. Crua, por isso pura. Bela. Habita tua treva mesquinha, essa caverna onde só há sombras projetadas por um sol que a elas é anterior. Habita tua negra cavidade, esquiva-se da verdadeira luz.

A verdadeira luz é o que acontece. O que é e precisa ser. O que foi, o que pode ser.

Nada é. Tudo paira.

Sinceramente, você quer saber a real situação dessa tua arte? Além de fanias e outras ias…Ninguém sabe de arte. Ninguém sabe o que é arte. As pessoas no Brasil não vão a museus, a cinemas. Música? Só a de boteco, o pagode do churrasquinho na laje. A cultura é um processo falido. Uma voz muda que não se escuta e continuará assim se algo não for feito por quem observa a realidade que você despreza. Faz muito bem em rasgar estes teus quadros inúteis. Ninguém os vê. Poucos se interessam. Quando veem não entendem, como você mesmo diz, e aí eu é que te aguento aqui sofrendo. A cultura é ida e você ingênua. Não adianta ficar aqui só pintando e “existencializando” com essas suas crises temperamentais. Enquanto você paira no sagrado, sua arte bóia em uma lagoa esquecida, incapaz de refletir sequer um pólen.

Na lagoa do esquecimento, cíclica. Esqueceu da roda. O que vai, volta. De onde vêm estes ridículos argumentos?

A cultura no Brasil é distante e inacessível. Acabei de publicar uma matéria sobre uma pesquisa do Ipea que diz que 70% da população nunca foi a um museu ou centro cultural e mais da metade nunca vai ao cinema. Se o povo sequer se dá ao trabalho de ver, o que dirá de ler. Portanto, imagina a situação dos afeitos às indomáveis letras. As barreiras são muitas. A arte como já diria Godard, de fato é exceção!

IPEA não, HIPÉRBOLE! Ótimo nome para essa pesquisa. Um exagero!

É a realidade querida.

A realidade não existe. Já disse que o mundo é sombra, sombras e mais sombras a repetirem-se frenéticas, a cheirarem o vazio, a tocarem o deserto das impressões sutis e das vertigens ilusórias. A cultura é mais do que isso. Se eu quiser eu faço ela chegar. Não há nada de novo ou de absurdo nesses seus números mansos. Por isso tua raça limitante.

Você deveria estar preocupada com o problema. Como artista deveria ser a primeira a dizer “que absurdo” e fazer alguma coisa.

Ninguém faz nada. As pessoas apenas fingem. As palavras apenas mentem. A música apenas desafina. A tinta apenas alucina. O sopro é o único que nada faz indiferente. A cultura é um sopro. Como sopro ela se expande, recria-se, tal qual o horizonte geometrizado do mar faz-se grande…

De súbito tomou o quadro recém rasgado e criado. Apoiou-se no parapeito da janela e o atirou. Dançando em pleno ar, o quadro parecia flutuar sem tempo, cheio de graça. Parecia uma fuga harmonizada, uma alma feita de infinita partitura, ondulante e expressiva, um verso velado e amado, parecia um ser que do fundo do ouvido escutava um silêncio que vinha depois de outro e ainda outro. Era a coisa sendo…

No chão derramado, um pequeno estremecer. Barulho do despertar diante de um espaço aberto a desenhar-se para a contemplação. Uma multidão acorreu. Ficaram por alguns instantes a imaginar. Estava a arte no seu devido lugar!

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