Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 21 novembro, 2010

LEITOR ANALISA O TEXTO CONSTITUCIONAL E DEFENDE O CONTROLE REMOTO E AUTONOMIA COMO A MELHOR REGULAÇÃO

A ele a última palavra?

EDUCAÇÃO POLÍTICA VOCÊ FAZ

Por Rodrigo RP.

A regulamentação de um direito fundamental traz à baila a colisão de direitos e a necessidade de, bem pesando-os, equilibrá-los ou ainda elevar um, sem que em detrimento do outro; tal qual disse Rui Barbosa, igualdade é tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, a fim de que estejam em equilíbrio.

Hoje temos a liberdade de expressão consagrada enquanto direito fundamental, na Constituição da República. Do mesmo modo, temos o respeito aos direitos humanos como um todo; aqui, atentando para a evolução natural do direito e necessidades humanas, que por vezes contrapõem-se ao texto estático (cláusulas pétreas) da Constituição, o legislador previu, nos §§ 1º a 3º do art. 5º, que:

§ 1º – As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.
§ 2º – Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.

Assim, qual direito fundamental há de ser valorado de modo mais contundente?
Vale o entendimento proclamado pela OAB/SP (não há limite para a criação de obras, mas há de se ter para a exposição pública, a fim de não ser comprometida a paz social?), quando esta buscou a censura das obras de Gil Vicente, na Bienal de São Paulo?

O pensamento tem seu surgimento livre, mas não a sua manifestação? Em verdade, diz a Constituição: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.

E, ao tratar da comunicação social, estatui:

A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º – Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”., posto

Decerto, pois, que a comunicação tem seus limites. Mas, postos de modo abstrato, o que passa a ser algo perigoso, ficando ao gosto do rei então posto; morto o monarca, o rei então posto terá à sua disposição os meios para que seja divulgado apenas o que lhe seja conveniente, não se podendo olvidar o velho adágio “a história é escrita pelos vencedores”.

Hoje temos veículos de imprensa que, voluntariamente ou não colocam-se a serviço das mais diversas ideologias: Veja, Isto É (que, frente a determinada notícia, houve quem lhe impusesse a pecha de Quanto É), Carta Capital, Caros Amigos, dentre outras e jornais. Todos, em determinados momentos de sua infame explosão política, me causam repulsa, ao mesmo tempo em que trazem notícias úteis; informam e deformam, a depender da conveniência.

Tais veículos representam a pluralidade política, sócio-cultural etc., a exemplo do encontrado em muitas nações. Cada um com seus profissionais, atuando, dentro de sua particular lógica, de modo livre.

Aqui, então, cumpre salientar, com todos os destaques e grifos, que a criação de conselhos ditos reguladores, se dá de forma exógena. Não são os profissionais da imprensa que buscam a criação de um conselho próprio, regulamentador, mas grupos políticos e pessoas singularmente consideradas, movidas pelas suas particulares intenções, boas ou más.

Havia a Lei de Imprensa, com a possibilidade de responsabilização de jornalista, em decorrência de publicação em desconformidade para com as normas. A classe soube se unir (bem como grupos de comunicação) contra ela, tida por inconstitucional e fruto de regime autoritário.

E agora busca-se a criação de algo, no mínimo, paralelo? Vale lembrar, ainda, a opnião de De Sanctis, quando este disse ser, o problema das normas pátrias, a busca pelo paralelo com países sérios, quando este não o é.

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“VERSOS NÃO SE ESCREVEM PARA LEITURA DE OLHOS MUDOS, VERSOS URRAM-SE, CHORAM-SE”, DIZ A PROFESSORA SARA LOPES

A sociedade atual está imersa em ruídos incompreensíveis, não há espaço para a voz!

Por Maura Voltarelli

Ao ler uma poesia, inicialmente o movimento que se faz é de contemplação da palavra escrita. Observa-se as letras, a rima, o ritmo, a combinação entre um verso e outro. Na maioria das vezes, isso é feito em silêncio, dando a impressão de que a poesia não é dotada de voz. A professora de interpretação teatral do IA (Instituto de Artes da Unicamp), Sara Lopes, parafraseia Mário de Andrade e reafirma que versos existem para serem ditos e não divisidados por olhos mudos.

Essa relação com a voz na arte vem da própria trajetória de vida de Sara que formou-se em Ciências Sociais pela PUC-Campinas e durante a graduação passou a integrar um grupo de teatro amador de Campinas, o META, e também a estudar canto,trabalhando com a soprano Niza Tank, conhecida do público campineiro pela sua emocionada e intensa interpretação de O Guarani, do maestro e compositor Carlos Gomes.

A partir daí teatro e canto passaram a fazer parte da sua vida. Sara profissionalizou-se como atriz em 1978 e participou de diversas montagens teatrais, entre elas O Circo Portobello, de Domingos de Oliveira,
Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues, Dona Flor e seus dois Maridos, de Jorge Amado e
A Dança da Morte, de Strindberg. Também aventurou-se na direção cênica montando óperas como A Flauta Mágica e O Empresário, de Mozart, Cavalleria Rusticana, de Mascagni e A Moreninha, de Ernst Mahle. Sua direção para o espetáculo A Vida em Jogo, de Guy Boley,  foi premiada na Campanha de Popularização do Teatro de Campinas, em 2001.

A paixão pelo canto levou-a a integrar Madrigal Decasom, dirigido por Niza Tank, e também corais de algumas óperas. Como vocalista, optou pelo estudo da Canção Popular Brasileira. Unindo as duas paixões, canto e teatro, Sara passou a estudar a Expressão Vocal no teatro, desenvolvendo estudos e técnicas que atuam na preparação vocal do ator.

Agora, a convite do blog Educação Política, Sara discute a materialidade da voz no texto poético e mostra que a poesia, assim como todas as formas de arte, não existe apenas para ser lida e descontruída em seus sentidos dicionarizáveis, e sim para ser dita, vivida, e por que não, cantada! Na entrevista, Sara também passeia pelo teatro e fala sobre a essência da arte teatral na qual se encontra uma voz dionisíaca que lhe confere o tom característico de embriaguez e paixão. E falando da voz como expressão e forma de existência, Sara expõe a voz da sociedade, refletindo sobre a mudez dos tempos modernos cheios de ditos que às vezes soam como não ditos.

Agência Educação Política: A poesia é definida por alguns autores como sendo, acima de tudo, um exercício de linguagem no qual a escrita fala por si só. Você acredita que apenas o texto basta para a poesia ou outros elementos são importantes para definir o todo da sua composição como ritmo, musicalidade, dos versos e a própria voz de quem escreve e de quem lê?
Sara Lopes: Da mesma forma, outros tantos autores defendem a materialização sonora da poesia. Houve um movimento chamado Poesia Sonora, defendido pelo Marinetti, por exemplo, e o próprio Mário de Andrade afirma que “versos não se escrevem para leitura de olhos mudos. Versos cantam-se, urram-se, choram-se. Quem não souber cantar não leia Paisagem n° 1. Quem não souber urrar não leia Ode ao Burguês…”
E por aí vai. Pessoalmente, acho muito difícil entender sonoridade e ritmo (elementos do poema) sem a concretude dos sons e rimos.

AEP: Em que medida a voz contém o silêncio?
Sara: Costuma-se dizer que, quando em cena, o corpo dá forma ao espaço e a voz dá forma ao silêncio. Sem a pausa silenciosa, como dizer a próxima palavra?

AEP: Falando de arte, de forma geral, é possível dizer que há algo comum a todas as artes? Algo que está na poesia, no teatro, nas artes plásticas, na música?
Sara: A arte, como a ciência, é um meio de assimilação do mundo, um instrumento para conhecê-lo ao longo da jornada do homem em direção ao que é chamado de “verdade absoluta”.(Andrei Tarkovski)

AEP: Muitas vezes uma poesia ou até uma peça de teatro provocam apenas silêncio. Esse silêncio não pode ser visto como um nada que também significa?
Sara: Depende se o silêncio advém de uma epifania ou da mais pura decepção…

AEP: De forma geral, como você vê o teatro na atualidade? As representações têm levado ao palco a essência do teatro, ou seja, a ação pincelada pela emoção?
Sara: O teatro, na atualidade, é como a atualidade: está aberto a todas as experimentações, aceita todas as possibilidades. E não poderia ser diferente, não é?

AEP: A voz diz o que quer, como quer e quando quer, de quantas maneiras quiser?
Sara: Ela pode…

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