Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 22 novembro, 2010

PARA LEITOR, BRASIL É PAÍS DE UMA JUSTIÇA CARTORIAL QUE PRIVILEGIA A FORMA EM DETRIMENTO DO CONTEÚDO

A cartorial e cega justiça brasileira age em prejuízo do suposto beneficiário

EDUCAÇÃO POLÍTICA VOCÊ FAZ

Por Chico Cerrito

É o país da justiça cartorial, feita para isolar marginais pobres em depósitos imundos e superlotados que chamam de penitenciárias, e para deixar qualquer um que tenha mais que três tostões no bolso e possa pagar um advogado razoável, em liberdade, cometa o crime que cometer.

A justiça é extremamente formal, apega-se demasiadamente a forma em detrimento do conteúdo, é uma justiça de procedimentos burocráticos, utiliza esse arcabouço atrasado e uma legislação inadequada a um país tão heterogêneo com instituições pouco desenvolvidas, como o Brasil, para apenas fazer uma alegoria de justiça, que nem simbólica pode-se afirmar.

Se numa ação qualquer, o advogado de A citar, instruir ou basear-se no artigo equivocado de um determinado código, mesmo que notoriamente seu pleito tenha toda e absoluta razão, a justiça dará o ganho de causa a B, ou seja o conteúdo, que em última análise é a noção de justiça, fica em segundo plano, derrotado.

Até em crimes de morte se a autoridade policial instruir equivocada ou inadequadamente a denúncia, por falta de treinamento ou incompetência, o que é o padrão no país, o assassino (que se for confesso alegará, instruído por algum advogado sem caráter, que a confissão foi obtida sob constrangimento ilegal, mesmo que a tenha feito espontaneamente) provavelmente nem será levado a julgamento, será posto em liberdade imediata.

A justiça brasileira tem artifícios legais em demasia, é engessada, é burocrática, qualquer juiz de primeira ou até de segunda instância vive abarrotado de processos, incapaz de dar vazão à enorme burocracia.
Fora isso tem instâncias demais a recorrer, tem tribunais superiores demais, TSE, TST, STM, STF, STJ, por aí vão palácios e mais palácios de justiça país a fora, burocracia paralisante, milhares e milhares de funcionários, os mais bem pagos da nação, com pouca serventia ao efetivo interesse público.

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ALTERCOM DIZ QUE MÍDIA FAZ UMA CAMPANHA ARDILOSA COM BASE NOS ARQUIVOS DA DITADURA PARA ATINGIR DILMA

Nem Dilma esperava por um terceiro turno

A velha mídia não desiste. Ao ver que sua estratégia para levar ao segundo turno as eleições desse ano deu certo, o oligopólio midiático conservador brasileiro agora parece estar fazendo campanha para um terceiro turno. A estratégia usada para tal feito já vem sendo colocada em prática e se baseia, principalmente, em desestabilizar a candidata eleita Dilma Rousseff, colocando em cheque a sua credibilidade e caráter enquanto cidadã brasileira.

Para tanto, a velha mídia vem transformando cada fato em uma tempestade, cada problema localizado em uma infecção generalizada, haja vista caso recente envolvendo o ENEM, e baseando-se em arquivos da ditadura militar para impor uma biografia de Dilma que não pode ser tida como a mais crua realidade.

Ao expor os arquivos da ditadura militar que tomam Dilma como terrorista e assaltante de bancos, encarando-os como prova credível da verdade dos fatos, a velha mídia não faz outra coisa que não seja legitimar o discurso autoritário e mesquinho de um dos períodos mais negros da história brasileira. Legitimando esse discurso, ela se aproxima dele e se faz ela também autoritária, leviana e totalmente alheia ao real interesse público.

Em uma espécie de reedição da tortura sofrida por Dilma Rousseff durante os anos de chumbo, a velha mídia brasileira apenas contribui para trazer ainda mais à tona a verdade escura e nefasta de um país governado por homens que torturaram uma menina de apenas 19 anos por dias seguidos, e repetiram o mesmo procedimento em milhares de outras pessoas.

Não se trata de redimir Dilma de qualquer erro que todos estão sujeitos a cometer ao longo da vida, trata-se de fazer justiça com a própria história e circunstância dos fatos. Nenhum veículo em sã consciência tomaria como prova irrefutável da verdade informações reveladas sob intensa e contínua tortura. Esta constitui uma situação de exceção em que o indivíduo é submetido ao nível mais degradante da condição humana por outro indivíduo.

Usar deste tipo de argumento e situação para atingir a candidata eleita não se justifica de forma alguma e apenas mostra em que bases se sustentam as opiniões e alegações da velha mídia. Ao fazê-lo a mídia conservadora e distante do real exercício da informação além de desrespeitar a história e a memória de muitas pessoas que sofreram as consequências do autoritarismo e cerceamento de todas as liberdades coletivas e individuais, iguala-se aos antigos torturadores, escondendo-se sob o manto da liberdade de expressão enquanto na verdade torturam a opinião pública.

Veja texto publicado no site da AlterCOM (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação):

“Mídia tortura Dilma mais uma vez”, diz Altercom
A Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação (Altercom) reunida nesta sexta-feira (19), em São Paulo, além de tratar de interesses da entidade, decidiu divulgar uma nota oficial criticando a campanha ardilosa da grande mídia comercial em torno dos arquivos da ditadura militar sobre a presidente eleita Dilma Rousseff. A nota afirma:

“MAIS UMA VEZ, A MÍDIA HEGEMÔNICA TORTURA DILMA”

Passados 19 dias desde a vitória de Dilma Rousseff sobre Serra, por uma vantagem de 12 milhões de votos, a oposição e seu dispositivo midiático não recolheram as garras um só minuto.

Cinco dias após o revés nas urnas, o candidato derrotado estava em Biarritz levando um ‘por que no te callas’, em resposta a tentativa de armar o palanque da oposição em território francês.

O jornalismo que lhe dá apoio irrestrito não deixa por menos e cumpre escancaradamente uma agenda de terceiro turno. Dia sim, dia não, uma crise produzida e maquiada ganha as manchetes da mídia conservadora numa escalada ao mesmo tempo sôfrega e frívola.

Não escapa ao observador mais criterioso que os temas são apenas um ornamento do estandarte antecipadamente empunhado. A intenção, clara, é minar a autoridade da Presidente eleita antes mesmo de sua posse.

Agora, o dispositivo midiático da oposição reedita o “pau-de-arara” e empenha-se em dar legitimidade ‘jornalística’ a um relatório produzido pela ditadura militar sobre a militância revolucionária de Dilma Rousseff nos anos 70.

O que se promove nessa espiral é a reprodução simbólica das sessões de tortura perpetradas durante 22 dias seguidos contra uma jovem de 19 anos pelo regime de fato.

É aberrante do ponto de vista do fazer jornalístico emprestar credibilidade ao que foi transcrito por um Estado terrorista, concedendo força de prova ao que uma mulher declarou sob tortura.

Ademais, é um agravo à ética jornalística que uma mídia comercial ainda atue como aliada do extinto regime ditatorial, ao tomar seus documentos como válidos e legais. (Texto Completo)

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