Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 27 novembro, 2010

A FLOR MAIS GRANDE DO MUNDO, POR SARAMAGO

Único conto infantil escrito por Saramago, A flor mais grande do mundo reúne um conjunto de signos e símbolos que falam diretamente à infância e ao sentimento de estar em mundo cada vez mais individualista e marcado pela resignação, pela falta de sonhos e ideais.

Esse aspecto seco do mundo, onde nada mais parece ser capaz de nascer e brotar é retratado na história de Saramago por um jardim quase morto que fica próximo à casa de um menino de sete anos, protagonista da história. Um dia ele decide sair e explorar o mundo que lhe é próximo, mas no qual ele nunca prestou atenção. Chega ao jardim e lá encontra uma flor murcha, aparentemente sem qualquer sombra de vida.

Decide cuidar da flor e assim que dá início aos seus cuidados, ela volta a nascer e o faz de maneira incrível e surpreendente, tornando-se a maior flor do mundo. Nada mais sugestivo para dizer do poder da infância com suas imagens ainda novas, com seus sentimentos ainda preservados que não se deixam contaminar pela secura do jardim (ou do mundo) e por isso mesmo conseguem divisar vida onde, aparentemente, ela não existe.

Para quem se diz um autor que não sabe contar e escrever histórias para crianças, Saramago o faz de forma bela, como lhe é próprio, e simples, conservando ele também uma atitude de descobrir o que lhe é próximo e fazendo brotar, de onde ele diz não sair nada de bom, uma sublime narrativa literária!

Neste vídeo, uma animação referente ao conto com narração do próprio Saramago:

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NA CELEBRAÇÃO DO CENTENÁRIO DE RACHEL DE QUEIROZ, PÚBLICO GANHA LIVRO COM POEMAS INÉDITOS DA ESCRITORA

Uma escritora que soube ler e escrever o Brasil!

Aos 17 anos, a cearense Rachel de Queiroz já escrevia seus primeiros poemas e neles prenunciava alguns temas e personagens que fariam parte da sua obra literária. O lirismo de menina vinha rico de referências e forte em sensibilidade. Rachel formou sua alma em meio às ameaças da seca nordestina, às dificuldades da vida no sertão, à animalização do homem que sempre viu sua história ser ditada pelos ciclos da natureza.

Natureza que moldava os tons da paisagem, que secava o chão, que arranhava o homem. Um meio tão próximo do ser humano capaz de inspirar muitos escritores, pintores, artistas de forma geral que viam nele uma espécie de vibração contida e invisível da existência. Rachel foi uma das almas tocadas pela terra na qual ela nasceu. Ícone do regionalismo brasileiro dos anos 30, ao lado de nomes como Graciliano Ramos, José Américo de Almeida, Guimarães Rosa, José Lins do Rego, as páginas vertidas por Raquel trazem a cor da paisagem, o olhar e a alma seca do sertanejo, a vontade de vida onde já não há mais vida aliadas há uma linguagem exata, a  metáforas bem construídas, a retratos bem desenhados em letras vibrantes e cadenciadas pelo ritmo da narrativa.

Este ano, celebra-se o centenário da escritora, nascida em 17 de novembro de 1910, que já tão nova escrevia de forma bela, densa e apaixonada. Rachel é uma daquelas pessoas que nasceu pra ser escritora. Embora grande parte do que somos se deva ao que contruímos e buscamos ao longo da vida, uma boa parte já nasce conosco, aquela paixão que não se epxlica, aquele pulsar que não se controla, aquele coçar nos dedos que pede a palavra, que suspirar e sonha com ela, dia e noite, em sóis e luas.

Rachel não poderia ser outra coisa a não ser escritora. O mundo de Rachel não poderia ser outro que não fosse o daquelas terras fortes e tristes do Brasil. Aquele canto que ri, enquanto chora, que é forte, tão forte como a vida, mais corajoso do que a morte. O flagelo da seca e a prosa inovadora de Raquel vieram em O Quinze (1930), escrito quando a autora tinha apenas 20 anos. Com o romance denso e fascinante, de extrema beleza literária e relevância social, Rachel inscreveu seu nome na literatura brasileira de forma definitiva. A menina de jeito doce e olhos emocionados, mostrava a que venho.

Agora, em ocasião do centenário de nascimento da escritora, aqueles primeiros poemas escritos por Rachel aos 17 anos chegam ao público em uma edição organizada pelo Instituto Moreira Salles. O lançamento destes textos inéditos além de prestar uma merecida homenagem a Rachel, também oferece a oportunidade para que os leitores mais atentos divisem características da sua obra logo na face inicial da sua atividade como escritora e a partir daí delimitem decisões linguísticas e estéticas verbais que voltam a aparecer em toda sua obra.

160 págs. R$36,00

Os dez poemas que fazem parte do livro vêm sob o interessante e sugestivo título de Mandacaru e o seu lançamento faz parte de uma série de eventos que homenageiam o centenário de Rachel também organizados pelo Instituto Moreira Sales. Serão palestras, discussões sobre a obra da escritora, leitura, filmes e exposições. Uma boa dose de Raquel para os que gostam de ler e viver um bom retrato do Brasil que se traduz em um todo harmônico, expressivo e literariamente belo.

Vi no site da Revista Cult

Neste vídeo, uma bela animação baseada no romance O Quinze, de Rachel de Queiroz:

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