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ENTREVISTA

EM UM CONTEXTO ONDE A CULTURA ESTÁ DISTANTE DA POPULAÇÃO, SUMARÉ CONCENTRA INVESTIMENTOS EM BIBLIOTECAS E EM PROJETOS DE INCENTIVO À LEITURA

Por Maura Voltarelli

Um país se faz com homens e livros, já dizia o escritor Monteiro Lobato. Esta frase, apesar de bastante conhecida, acabou se tornando muito mais objeto de discursos e promessas do que sendo incorporada na realidade da nação, das pessoas, dos homens públicos, como queria Monteiro Lobato. O Brasil ainda é um país de poucos livros, pouca leitura, poucos leitores. Lê-se pouco e quando se lê, lê-se mal.

Felizmente, em algumas cidades do Brasil, o sonho do escritor modernista de fato transformou-se em realidade e nelas é o próprio poder público quem se preocupa com livros, bibliotecas, rodas literárias, dentre outros temas que sequer passam perto da maioria das discussões da cena política nacional.

Uma dessas cidades é Sumaré, localizada na Região Metropolitana de Campinas, interior de São Paulo. A cidade conta com uma Rede de Bibliotecas Públicas, composta por 27 funcionários e dividida em quatro unidades, a Biblioteca Central “Prof. Plínio Machado da Silva” e três ramais, a Biblioteca Ramal do Centro Cultural do Matão, a Biblioteca Ramal do Bom Retiro e a Biblioteca do Professor e Infantil “Myrella Rossi Mobilon”.

Atividades envolvendo música são constantes no espaço das bibliotecas

A Rede tem diversos projetos que contribuem para incentivar a leitura e melhorar a qualidade das bibliotecas. Entre eles, estão atividades envolvendo música, como coral, apresentação de Orquestras, saraus, além de teatro, Roda de Histórias, vinda de personalidades interessantes do mundo artístico e literário para debate com os leitores, oficinas, exibição de filmes e até o evento “Viagem Literária”, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura em parceria com os municípios que têm como objetivo promover encontros entre os leitores e escritores de diferentes gerações, criando a oportunidade de conhecer ou ampliar o que já se sabe sobre um autor e sua obra.

Todos esses projetos partem da iniciativa do poder público municipal, especificamente, da Secretaria de Cultura do Município que se  preocupa em propiciar aos cidadãos o acesso à cultura, informação e conhecimento presentes na página de um livro. Em um país onde a cultura é algo considerado supérfluo pela maioria dos governantes, Sumaré  parece dar  um exemplo não só de preocupação social, como também de cidadania ao acreditar no poder da educação em mudar a realidade do município, por meio das mudanças que ela promove no interior de cada cidadão.

Em entrevista ao blog Educação Política, o bibliotecário responsável pela administração da Rede de Bibliotecas Públicas de Sumaré, Wellington Correia de Oliveira, reafirma o compromisso da administração pública com a promoção do acesso ao conhecimento e incentivo à leitura junto à população, fala dos efeitos práticos que os projetos existentes até agora já geraram e também conta quais serão os próximos passos para que o município continue caminhando em direção ao verdadeiro desenvolvimento, ou seja, aquele que vem junto com cultura e educação!

Agência Educação Política: Além dos projetos tradicionais desenvolvidos pela Rede de Bibliotecas, há outros projetos em vista para o futuro e alguns que já estão em andamento?
Wellington: Para o ano de 2011, a Rede de Bibliotecas Públicas de Sumaré pretende dar continuidade às atividades existentes, mas pretende continuar a priorizar três dimensões: divulgar, modernizar e promover. O eixo divulgar está no fato de transparecer e divulgar todas as atividades realizadas ou de apoio feita pela Rede de Bibliotecas Públicas de Sumaré. No ano de 2011, pretendemos colocar no ar o site da Sociedade Amigos da Bibliotecas e divulgar todas as atividades e serviços de ambas instituições (Sociedade Amigos da Biblioteca e Rede de Bibliotecas Públicas de Sumaré).

O eixo modernizar é concretizar a revitalização dos espaços das bibliotecas e com isso oferecer um local convidativo para a leitura, o estudo e o lazer. Nossa metas:

Incentivo começa desde cedo!

1.Implantar o sistema de automação de bibliotecas e com isso concretizar a ideia de usuário da Rede de Bibliotecas Públicas de Sumaré, desta forma o usuário poderá pegar livros em qualquer uma das quatro unidades.
2.Conseguir através do Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo a aquisição de novos mobiliários e material de informática. Esta meta é uma parceria com a Sociedade Amigos da Biblioteca Municipal de Sumaré
O eixo promover é a concretização de ações sociais para o incentivo à leitura, temos as atividades:
1.Contar histórias: concurso de contos e atividades de leitura mensalmente.
2.Campanha doação de livros;
3.Campanha “Amigo da Biblioteca”: Atividade em parceria com a Sociedade Amigos da Biblioteca Municipal de Sumaré que busca conseguir novos sócios com a doação de kits de livros.
A administração acredita que a partir destes três eixos podemos alcançar nosso objetivo que é fazer com que as crianças, adolescentes e adultos do Município de Sumaré frequentem as Bibliotecas Públicas, tomem gosto pela leitura e também participem da vida cultural da cidade. Sendo protagonista de uma cultura de geração de conhecimento, as bibliotecas têm por objetivo atrair o público de modo geral e interagir na sociedade como agente condutor de cultura, oferecendo e estimulando um ambiente de qualidade, tanto para os funcionários como para os usuários, propiciando um clima de acolhimento e de incentivo à leitura.

AEP: Como a Secretaria de Cultura de Sumaré avalia a importância de projetos como esses? Há de fato uma vontade do poder público municipal em incentivar a leitura, vendo-a como peça fundamental para promover a cultura junto aos moradores da cidade?
Wellington: A Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer juntamente com a Rede de Biblioteca Públicas de Sumaré tem consciência da importância do incentivo à leitura e do acesso gratuito a cultura como estímulo para melhorar a vida dos cidadãos de Sumaré. Sem uma boa biblioteca, com bons livros, sem projetos que façam com que as pessoas cheguem de fato até os livros, dificilmente teremos cidadãos mais conscientes prontos para construir uma sociedade melhor. Pode parecer apenas discurso, mas aqui em Sumaré nós estamos colocando essas questões em prática.

AEP: Como você disse, os projetos para fazer com que o hábito de leitura chegue até a maior parte das pessoas estão sendo colocados em prática. Esses projetos já têm tido resultados? Em outras palavras, o movimento das bibliotecas aumentou, as pessoas têm se mostrado mais interessadas na prática da leitura? Quais são os dados referentes ao índice de leitura e movimento nas bibliotecas, bem como à receptividade por parte da população?
Wellington:O processo de revitalização das bibliotecas públicas de Sumaré tem melhorado muito, mas ainda há muito o que fazer. A Rede recebe por mês uma faixa de 5 mil usuários para utilizar os serviços das Bibliotecas. Em empréstimos, temos em média 900 empréstimos nas bibliotecas. Acreditamos que com a modernização do sistema de empréstimo, o catálogo online e a compra de novos livros conseguiremos duplicar esta estatística. Providenciando as melhorias nas instalações, mobiliário e nos serviços de empréstimo englobamos, de maneira imediata, pontos chaves fundamentais para incentivar a leitura. Outro índice que nos felicita muito é a presença do público em nossos eventos. Em média, contamos com a presença de 50 pessoas nas oficinas, saraus, momentos de leitura, rodas de debates, lançamentos de livros e etc.