Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

SÃO PAULO: A CIDADE DOS MORADORES DE RUA E DAS CASAS VAZIAS

Recente ocupação de prédio vazio no centro de São Paulo por pessoas sem moradia!

De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação cerca de 130 mil famílias da cidade de São Paulo não têm onde morar, esse número inclui as pessoas que, literalmente, estão na rua, ou seja, excluiu aquelas que vivem em habitações irregulares como favelas e cortiços. Já a última pesquisa feita pelo IBGE constatou 290 mil residências vazias, isto é, sem moradores. Em outras palavras, na cidade de São Paulo há mais casas vazias do que gente precisando de um lugar pra morar!

Essa contradição na realidade urbana e social do país já tinha sido detectado no Censo de 2000, quando a comparação entre o número de moradias e o déficit habitacional era ainda maior. O fato é que se os dados parecem absurdos, o poder público prontamente já discorda e diz que a situação não se restringe a distribuir os imóveis vazios para aqueles que não têm onde morar, já que, na realidade, há um certo tempo em que o imóvel fica vazio até ser negociado e os dados do censo compreendem essa ‘vacância de equilíbrio’, como ele chama, por isso, não correspondem à realidade.

Questões imobiliárias à parte, o que se vê é uma situação absurda onde milhares de pessoas não têm onde morar, enquanto metros e mais metros quadrados seguem vazios. De forma alguma isso pode ser lógico ou visto como algo normal, espécie de ciclo do mercado imobiliário. Além dessas questões, há problemas de segurança, de saúde pública, de desigualdade social, dentre outros quando se trata de falar da cidade com mais espaço construído e mais gente sem espaço pra morar.

O fato é que os imóveis vazios de São Paulo, segundo relata Osmar Borges, coordenador-geral da FLM (Frente de Luta por Moradia) já ajudariam a resolver 40% do problema das pessoas que não têm onde morar, além de chamar a atenção para a necessidade do poder público estabelecer uma efetiva política habitacional que funcione e pense em estratégias e ações para ocupar esses espaços vagos sem que o mercado imobiliário e, principalmente, a população saiam prejudicados.

Esses são os retratos curiosos e denunciadores da nossa peculiar realidade!

Veja texto sobre o assunto publicado no Jornal da Tarde e reproduzido pelo site da Carta Capital:

Há mais imóveis vazios do que famílias sem moradia em São Paulo
Raquel Rolnik

O Jornal da Tarde publicou ontem uma interessante notícia sobre a relação entre o déficit habitacional e o número de imóveis vazios em São Paulo. A reportagem traz números atualizados do IBGE que só confirmam o que o instituto já apontava em 2000: que há mais casas vazias do que famílias sem moradia em São Paulo.
Leia a matéria abaixo:
Há mais casa vazia que famílias sem lar em SP
Tiago Dantas

O número de domicílios vagos na cidade de São Paulo seria suficiente para resolver o atual déficit de moradia. E ainda sobrariam casas. Existem, na capital, cerca de 290 mil imóveis que não são habitados, segundo dados preliminares do Censo 2010. Atualmente, 130 mil famílias não têm onde morar, de acordo com a Secretaria Municipal de Habitação – quem vive em habitações irregulares ou precárias, como favelas ou cortiços, não entra nessa conta.

Os recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) encontraram 3.933.448 domicílios residenciais na capital, onde vivem 11.244.369 pessoas. “Foram contabilizadas 107 mil casas fechadas, que são aquelas em que alguém vive lá e não foi encontrado para responder ao questionário”, explicou a coordenadora técnica do Censo, Rosemary Utida. Já as 290 mil residências classificadas como vazias não têm moradores, diz Rosemary. (Texto Completo)

 

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