Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 14 dezembro, 2010

BATUCADA DE BAMBA, CADÊNCIA BONITA DOS NOVOS BAIANOS

Impossível não ficar de alma lavada ou de corpo virado diante do ritmo, do swing, da alegria e da pulsante harmonia que sai de qualquer uma das músicas do conjunto musical da Bahia, conhecido como Novos Baianos. Ativo no período de 1969 até 1979, o grupo marcou a música popular brasileira e até o rock dos anos 70, passeando com naturalidade e charme por diversos ritmos brasileiros desde Bossa Nova, frevo, choro, baião, afoxé até as batidas do rock n’ roll.

Dessa mistura brasileira e diversificada nasceu uma melodia afinada, sofisticada e, para ficar nas rimas, eternizada. Os Novos Baianos foram influenciados tanto pela contracultura, quanto pela tropicália, dois dos mais importantes movimentos que marcaram os anos 60 e 70, e entraram para a história da música e da sociedade brasileira no que diz respeito aos seus estilos, condutas, modos de pensar, comportamento, estéticas, invenções, rupturas, crenças e o que mais dissesse respeito ao homem, à arte e ao mundo ao seu redor.

Nomes como Moraes Moreira, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, dentre outros, fizeram a história do Grupo e garantiram presença entre os grandes nomes da MPB. Vale lembrar que o segundo disco da banda, Acabou Chorare, que combina guitarra elétrica com cavaquinho foi eleito em 2009 pela Revista Rolling Stones como o maior disco da história da música brasileira.

Sem dúvida, Os Novos Baianos têm a cara do Brasil. A cara de um Brasil múltiplo, diverso, cheio de cores, ritmos, vozes, ares e lugares. Do samba ao rock, de norte a sul, com belas melodias e vertiginosas vozes eles cantam o Brasil! E segura que o som é de bamba!

Neste vídeo, A Cadência do Samba:

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KASSAB PROÍBE DOAÇÕES DO PÚBLICO A ARTISTAS DE RUA, É O PÚBLICO CAMINHANDO EM DIREÇÃO AO PRIVADO

Artistas de rua na mira de Kassab

Os artistas de rua são aquelas pessoas que, na maioria das vezes, vivem de sua arte. Eles pintam o corpo, fazem malabarismos, tentam chamar a atenção de quem passa apressado na correria do dia-a-dia. Tentam impressionar pelo seu talento e criatividade, tocando a sensibilidade ou evocando lembranças naqueles que passam. De forma alguma, os artistas de rua obrigam o outro a contribuir com o seu trabalho. A contribuição é voluntária e vale o quanto aquela manifestação artística representa para quem vê.

Além de não atrapalhar a ordem pública, o artista de rua dá um colorido a mais para a paisagem, deixando-a mais alegre, divertida, sutilmente artística e renovada. Às vezes, as pessoas podem até se sentir incomodadas, o fato é que o artista de rua não as incomoda, ele pede indiretamente por meio da arte, mas não interpela ninguém, as pessoas são livres para olhar se quiserem, para contribuir se acharem que ele merece, para passar sem sequer inclinar a cabeça. O artista é livre e respeita a liberdade do outro.

Já o prefeito de São Paulo. Gilberto Kassab, parece desconhecer o significado da palavra liberdade. Em recente decisão, ele disse estar proibida a contribuição dada pelo público aos artistas de rua. O argumento para tal intromissão é de que o artista está usando a via pública para benefício privado, lucrando sem sequer pedir autorização.

Trata-se de um tipo de alegação sem o menor sentido. Os artistas de rua sempre existiram desde as civilizações mais antigas e as pessoas sempre contribuíram da forma que lhes fosse mais atraente. A rua é um espaço público por excelência, assim, o argumento da prefeitura de São Paulo não se sustenta, afinal, ela se baseia no caráter público de um espaço para perseguir o artista de rua, mas ela mesma ameaça esse caráter público quando tenta estabelecer ordens e leis que o tornam cada vez mais de domínio privado.

O artista não privatiza nada. Ele precisa ganhar para sobreviver. Já o poder público quer controlar a tudo e a todos, nas ruas e, daqui a pouco, dentro de nossas próprias casas!

Veja texto sobre o assunto na Rede Brasil Atual:

Proibidos de receber doações, artistas de rua de SP se dizem perseguidos por Kassab

São Paulo – Em pé, em cima de um caixote, em ruas e praças da capital paulista, a estátua viva do homem prateado tem movimentos leves e calmos. O silêncio é outra de suas características. Ele trabalha quase sem fazer barulho. Os sons só mesmo os que a plateia de passantes produz, admirada e surpresa. “É uma arte tão sutil, tão elevada”, diz Carmen Lúcia, que mesmo carregando várias sacolas parou para apreciar o trabalho.

Trocar de posição, só quando cansa ou um expectador generoso deixa uma doação na ânfora. Grato pela contribuição, o homem vestido de cowboy, com o corpo coberto por tinta prata e lentes verdes claríssimas, se move lentamente – para não destoar da função, nem assustar – e solta um chiado baixinho, de robô enguiçado. Estende a mão e oferece uma pedrinha ao passante gentil.

Nos últimos meses, o silêncio do trabalho, antes só quebrado pelo barulho das moedas ao caírem em sua ânfora, foi substituído por constantes avisos de policiais militares de que artistas de rua, como o Homem Prateado, cantores, repentistas, entre outros, não podem mais se apresentar no centro de São Paulo se receberem contribuições do público. “O coronel disse que posso trabalhar sem ânfora”, revela o Cowboy Prateado, contrariado com a deliberação da prefeitura de São Paulo. “Ele (o coronel) trabalha de graça? Ele tem conta para pagar, nós também temos”, reclama o artista. (Texto Completo)

 

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