Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 4 janeiro, 2011

O ANÚNCIO DE CORTE DE GASTOS PELO GOVERNO APONTA PARA A NECESSIDADE DE TOMAR MEDIDAS MAIS OUSADAS E EFICIENTES

Para economista, ajuste fiscal não resolve o problema

Depois do governo federal ter anunciado um corte de gastos para equilibrar as contas públicas e estabilizar até certo ponto a situação monetária, logo começaram a surgir algumas críticas visando aperfeiçoar a ação do governo e já pensando em resultados a longo prazo.

Uma dessas críticas partiu do presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o economista Marcio Pochmann. Para ele, chegou a hora de tomar medidas internas mais ousadas como a redução da taxa de juros que, segundo o economista, provocaria um alívio muito maior sobre as contas públicas sem risco de produzir retração econômica.

Cortar gastos públicos pode parecer a saída mais fácil para equilibrar as contas, no entanto, além de impopular, a medida pode afetar os projetos sociais e diversos programas de investimentos do governo federal, embora o governo declare que isso não irá acontecer. Já a redução de juros é algo que o povo e o investidor brasileiro espera há muito tempo. Todos sabem que com os juros mais baixos, a economia cresce muito mais, as pessoas se sentem mais seguras para investir, cria-se empregos e na ponta da cadeia, equilibra-se as contas com geração de receita.

No entanto, mexer nos juros é algo complexo, sempre evitado pela maioria dos governantes. É uma medida ousada que parece contar com inimigos ocultos, o que sempre a deixa para segundo plano. O mesmo acontece com as urgentes reformas políticas (da previdência, tributária) que seguem sempre adiadas. O governo Dilma deve ser o governo que enfrentará essas questões de frente. Elas não podem mais esperar.

Veja trecho da entrevista com Marcio Pochmann publicada pela Rede Brasil Atual:

Rede Brasil Atual – Como o sr. vê a decisão anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de se promover cortes de gastos públicos?

Marcio Pochmann – O Brasil fez uma escolha nesta década de colocar como tema central o desenvolvimento nacional, substituindo a monotemática que perdurou nos anos 1990 do arrocho fiscal – ou ajuste fiscal. E demonstrou, a nosso modo de ver, que a busca do crescimento econômico foi fundamental para a reversão das fragilidades em termos de financas públicas. Quando o crescimento tornou-se um compromisso político, houve melhoras generalizadas, sobretudo no quadro fiscal de endividamento do setor público. Ao mesmo tempo, houve um fortalecimento dos investimentos públicos. Isso não encerra as dificuldades de arrecadação e de gasto públicos. De um lado, pode-se melhorar a arrecadação, porque infelizmente a tributação é regressiva, são os pobres que mais impostos pagam imposto no país. De outro lado, há espaço permanente para melhorar o gasto, porque há ineficiências. Mas não me parece o mais acertado colocar o ajuste fiscal como questão central do Brasil.

Rede Brasil Atual – Qual seria a questão central?

Marcio Pochmann – A questão central do Brasil diz respeito a enfrentar os nós do desenvolvimento que não são apenas de ordem fiscal. Questões importantes são os riscos da situação cambial e monetária que fazem o Brasil perder competitividade em setores de maior valor agregado. Assim, empurra o país para ser cada vez mais uma economia de bens primários, ancorada em produtos de menor valor agregado. (Texto Completo)

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