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BANCADA DA DESTRUIÇÃO: RURALISTAS ESTÃO QUIETINHOS DEPOIS DA TRAGÉDIA NO RIO DE JANEIRO

Código Florestal precisa ser mais rígido e ampliar áreas de proteção

Quem ainda não falou nada sobre a tragédia no Rio de Janeiro foram os  ruralistas, que defendem a ocupação no topo de morros, na beira dos rios e em qualquer lugar que exista e se possa lucrar.

A bancada ruralista, uma das maiores do Congresso Nacional, foi durante os últimos anos a ferrenha defensora da revisão do Código Florestal no sentido de diminuir a proteção ambiental.

As grandes empresas de comunicação poderiam ouvir a senadora Kátia Abreu (DEM), líder dos ruralistas, para que ela comentasse sobre a plantação em morros e margens de rios e também sobre a tragédia no Rio.

A tragédia do Rio de Janeiro mostra que é preciso rever as alterações no projeto de código florestal que está no Congresso Nacional e aumentar as garantias ambientais, principalmente às margens de rios e nos topos de morros.

Veja trecho de matéria da Folha de ontem:

As mudanças propostas pelo projeto de alteração do Código Florestal -pensadas para o ambiente rural e florestas- ampliam as ocupações de áreas sujeitas a tragédias em zonas urbanas.
O texto em tramitação no Congresso deixa de considerar topos de morros como áreas de preservação permanente e libera a construção de habitações em encostas.
Locais como esses foram os mais afetados por deslizamentos de terra na semana passada na região serrana do Rio, que mataram mais de cinco centenas de pessoas.
O projeto ainda reduz a faixa de preservação ambiental nas margens de rios, o que criaria brecha, por exemplo, para que parte da região do Jardim Pantanal, área alagada no extremo leste de São Paulo, seja legalizada.
A legislação atual proíbe a ocupação em áreas de encostas a partir de 45 de inclinação, em topo de morro e 30 metros a partir das margens dos rios -a distância varia de acordo com a largura do rio.
A proposta já foi aprovada por uma comissão especial e deve ser votada pelo plenário da Câmara em março. Se aprovada, vai para o Senado. (Texto integral, para assinante)

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AGÊNCIA EP NOTÍCIA

TRAGÉDIA NO RIO DE JANEIRO EXPÕE FRAGILIDADE DA COBERTURA JORNALÍSTICA REALIZADA PELA GRANDE MÍDIA

Deslizamento de terra em Nova Friburgo (RJ) que totaliza maior número de mortos

A recente tragédia que atingiu cidades da região serrana do Rio de Janeiro, transformando a paisagem em um quase eterno desmanchar de terra e lama encoberto por inacreditáveis volumes de água, tem sensibilizado a opinião pública e, como não poderia deixar de ser, servido de prato cheio para as coberturas especiais da grande mídia.

É visível para qualquer um a gravidade do ocorrido. Pessoas perdendo tudo o que têm, vendo parentes soterrados ou simplesmente levados pela água sem que elas possam fazer nada. Poucas coisas devem ser mais doloridas, é quase um perder-se de si mesmo, sentimento que acompanha a violência intrínseca às tragédias. No entanto, essas situações em que o humano é exposto em toda sua íncrível limitação diante da natureza e diante das suas próprias certezas, representa um grande desafio à cobertura jornalística. Desafio não no sentido da dificuldade inerente a qualquer cobertura de catástrofes por parte dos jornalistas, mas no sentido de realizar uma cobertura com menos demagogia, sensacionalismo, feita com mais naturalidade, realismo e inteligência.

A grande mídia explora em demasia o assunto, afoga os olhos e ouvidos do leitor com cenas que parecem não ter fim e depoimentos fortes de pessoas que parecem apenas soltar palavras aleatórias, posto que o sofrimento quando é grande provoca uma espécie de anestesiamento que faz dizer, mas não faz falar de fato. É quase como um dizer mudo acompanhado por olhos vazios e perdidos.

Acontecimentos como as enchentes e mortes na região serrana do Rio, demonstram como a cobertura jornalística de eventos dramáticos ainda tem muito o que evoluir. Recente texto, reproduzido pelo site da revista Carta Capital e publicado originalmente no site da Envolverde, aborda justamente essa questão e lembra o público da importância que existe em buscar as reais causas de tragédias como essa e pensar nas efetivas e possíveis soluções e prevenções desse tipo de problema. Temas que passaram ao largo das espetaculares coberturas midiáticas!

Veja trecho:

Menos demagogia para alcançar as causas do desastre
Por Aspásia Camargo

O pesadelo retorna, e redobrado, com as chuvas de verão. Sempre as mesmas desgraças. E tratadas com a mesma negligência. Em geral, existe um grande interesse pelas vítimas e suas perdas e nenhuma atenção às causas de tais calamidades. Mas agora parece que a opinião pública acordou de seu longo torpor e começa a se interessar por uma solução mais racional e adequada. Vamos ter que levar a sério o aumento de frequência e intensificação das chuvas, provocado pelas mudanças climáticas.

As recomendações da Conferência das Partes da ONU são claras: aplicar o princípio da “mitigação” para eliminar as causas do aquecimento global; e o da “adaptação” para fortalecer a proteção física das áreas vulneráveis, já identificadas pelo meteorologista Carlos Nobre. Tese de mestrado defendida na UFF pela médica bombeira Edna Maria de Queiroz revela que 60% das catástrofes naturais são de origem hídrica – enchentes e deslizamentos -, mas até agora nada fizemos para planejar ações de controle e prevenção nas bacias hidrográficas, evitando o assoreamento e protegendo as matas ciliares dos rios.

A urbe se expandiu aprisionando e desprezando a natureza – precisamos nos reconciliar com ela. As cidades sustentáveis são hoje parte de uma nova agenda civilizatória, exigindo mais segurança, melhor circulação, menos desperdício e mais qualidade de vida. A impermeabilização do solo tem efeitos nefastos que podem ser mitigados com a multiplicação das áreas verdes e garantia de vegetação nas encostas. (Texto Completo)

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