Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 23 janeiro, 2011

LIVRO REÚNE OBRAS ARTÍSTICAS QUE RETRATAM O ABSINTO EM DIFERENTES ÉPOCAS

O Absinto, Degas (1876)

O absinto, destilado de altíssimo teor alcoólico, que pode causar alucinações sendo por isso proibido em diversos países passou a ser incorporado pelas artes entre o fim do século 19 e o início do século 20. Diversas telas, esculturas e passagens literárias passaram a citar a bebida revestindo-a de certa relevância estética e artística. O livro “Absinto – Uma História Cultural”, do pesquisador Phil Baker reúne essas obras artísticas que escolheram ou foram escolhidas pela bebida.

O absinto, por causar delírios e vertigens, era a grande peça inspiradora de muitos artistas e por fazê-los criar, a bebida ganhava presença no seus objetos de criação. Tal como o vinho de Dionísio responsável pelo delírio desenfreado das bacantes, pela sua alegria farta e eterna, pela experiência cósmica de sua existência, o absinto também fazia com o homem saísse dos trilhos normais, enveredando por um caminho onde distante da racionalidade, ele encontrava o território vasto dos sentidos, a força criadora e renovadora do espírito.

Foi com alguns goles de Absinto que Van Gogh pintou Natureza Morta com Absinto (1887). Na tela, uma garrafa e um copo de absinto representados com toda cor e traços fortes peculiares ao estilo do pintor. Estudiosos dizem que um dos distúrbios de Van Gogh, a psicose tóxica, teria se manifestado por causa do uso excessivo de absinto e seria o responsável, ao lado de outros distúrbios psíquicos do pintor, pelo seu estilo único ao pintar a realidade.

Vicent Van Gogh, Natureza Morta com Absinto (1887)

Picasso também rendeu homenagem ao absinto, retratando-o em uma escultura cubista de 1914, com suas formas geométricas e seu efeito estético suspreendente. A escultura é tida como o último trabalho significativo a retratar a “fada verde”, como a bebida era conhecida. Depois, seu uso foi definitivamente proibido na França. Vale dizer que, por volta de 1910, consumia-se 36 milhões de litros anuais da bebida no país, ou seja, o absinto, antes de ser abolido, já havia sido bebido pela cultura social e pela arte inspirando formas, cores e devaneios!

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