Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 1 março, 2011

A REVOLUÇÃO NO MUNDO ÁRABE ESTÁ SÓ COMEÇANDO, DEPOIS DOS PROTESTOS É HORA DE MATERIALIZAR A MUDANÇA

Manifestações na Líbia contra o ditador Gaddafi, no poder há mais de 40 anos!

Em reportagem publicada pela revista Carta Capital, os bastidores das manifestações no Egito e em outros países da região são revelados de forma detalhada e inicia-se uma discussão a respeito dos desafios que ainda estão pela frente em um mundo árabe que tem, hoje, duas ditaduras a menos (do Egito e da Tunísia), mas muitas divergências internas a serem conciliadas e superadas.

Como diz a reportagem, “É muito mais fácil unir movimentos políticos e sociais em torno de um “não” ao status quo do que em torno do “sim” a qualquer projeto alternativo. O enfrentamento entre as forças que concorrem por dar um sentido ao “não” costuma ser mais longo e amargo do que a inicial, e está apenas começando”.

No entanto, o texto reconhece que o povo do oriente já não é mais o mesmo. A onda de manifestações em diversos países da região, inspirada na queda das ditaduras do Egito e da Líbia, fez com que a voz da população fosse ouvida e, mais do que isso, mostrou aos líderes autoritários locais que a vontade dos povos não pode mais ser ignorada ou subjugada, que a população conserva a força das massas e esta última é capaz de derrubar e levantar governos, basta vontade e organização política. Os líderes autoritários já sabem disso e sabem também que as mudanças são iminentes e inevitáveis, uma nova ordem já começa a se articular na região e as consequências serão de alcançe mundial.

A reportagem aponta também algumas mudanças prováveis e próximas como o isolamento de Israel e maior liberdade do Irã e, a médio prazo, um fortalecimento do antigo sonho do Pan-arabismo com a criação de associações fundadas em instituições democráticas e não no carisma de líderes passageiros. Como diz o texto, o mundo árabe será mais um bloco relativamente autônomo em um mundo cada vez mais multilateral, dentre outras coisas mais.

Veja trecho:

Feliz Oriente Novo
Antonio Luiz M. C. Costa

Com hosni mubarak, o Egito tinha uma ditadura de fato sob as aparências de um Estado de Direito, com presidente eleito (em eleições fraudadas), Parlamento (monopolizado pelo governista Partido Nacional Democrático) e Constituição (ditada por Anuar Sadat e Mubarak). Agora, tem uma democracia em gestação sob as aparências de uma ditadura militar que, pressionada pelo povo nas ruas, expulsou o presidente, dissolveu o Parlamento e suspendeu a Constituição. Ou seria essa uma descrição excessivamente otimista dos fatos?

As primeiras fissuras já aparecem no movimento. É muito mais fácil unir movimentos políticos e sociais em torno de um “não” ao status quo do que em torno do “sim” a qualquer projeto alternativo. O enfrentamento entre as forças que concorrem por dar um sentido ao “não” costuma ser mais longo e amargo do que a inicial, e está apenas começando.

Por que a luta da Praça Tahrir foi vitoriosa quando as da Praça Tiananmen (Pequim, 1989) e da Praça Enghelab (Teerã, 2009) deram em nada? Segundo o soció-logo Michael Schwarcz, porque conseguiu de fato parar o Egito. Travou de imediato o turismo, vital para o país, e espalhou-se para todas as principais cidades, onde instituições públicas, a começar pela polícia, foram sitiadas, queimadas ou ocupa-das. Nos últimos dias do regime, trabalhadores das indústrias e serviços – inclusive o vital Canal de Suez – também começaram a parar, o que parece ter sido o golpe de misericórdia no velho ditador. (Texto Completo)

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