Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

ENQUANTO AVIÕES AMERICANOS ATACAM FORÇAS DE KHADAFI NA LÍBIA, OBAMA DEFENDE NO BRASIL A SOBERANIA DOS POVOS

Como os discursos são sempre mais bonitos!

A situação na Líbia vem se agravando cada dia mais. Depois da onda de protestos contra o regime do ditador Muammar Khadafi, no poder há quase 42 anos – que praticamente evoluiu para uma guerra civil, devido à intensa repressão por parte das forças de segurança do governo – protestos de diversos países do ocidente surgiram exigindo a saída imediata do ditador que, no entanto, recusa-se a deixar o posto, dizendo que dali só sai morto, como um mártir.

A situação saiu do controle e o Conselho de Segurança da ONU autorizou a invasão do país por tropas estrangeiras para tentar controlar a situação. As operações militares, com EUA, Reino Unido, França, Itália e Canadá à frente, começaram logo depois. Ontem, 20 de março, novo ataque de aviões americanos contra as forças do ditador líbio foi detectado e, enquanto isso, o regime de Muammar Khadafi resiste e declara que a guerra será longa e extensa, sem limites. “Vamos lutar palmo a palmo”, declarou o líder líbio.

Diante dessa realidade em que nenhum dos lados cede e sequer vê interesses em fazê-lo, quem sai perdendo é sempre a população que se surpreende mergulhada em um clima de medo, morte e insegurança constante. Se o que ela queria no início dos protestos era paz e democracia, agora assiste a uma realidade bem distante disso.

No entanto, se a situação vai mal na Líbia, o presidente Obama, em visita ao Brasil, declarou também ontem, em discurso realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que a democracia deve ser defendida e preservada sempre, incluindo neste ponto a soberania dos países e o direito destes últimos em não sofrer qualquer tipo de intervenção. O presidente citou o Brasil e alguns aspectos da cultura brasileira como um exemplo de democracia consolidada.

O interessante é analisar o discurso do presidente americano tendo como referência o contexto dos acontecimentos que vêm se desenrolando na atualidade. A onda de protestos no mundo árabe por liberdade e maior dignidade social e humana é o maior exemplo concreto que se pode ter do que vai pela essência da democracia. É o povo lutando por essa soberania que Obama diz ser preciso preservar e respeitar.

Entretanto, o recente caos na Líbia leva a pensar se os fins de fato justificam os meios. É possível lutar por um fim que antes de ser atingido já está sendo sacrificado pelos próprios meios? A situação na Líbia estava de fato insustentável, mesmo assim, é preciso pensar em quais são os limites desta intervenção? Quais as estratégias para realmente garantir a paz sem sacrificar tantas vidas, sem afastar de forma tão amarga o sonho da democracia e da verdadeira revolução, aquela que vem com ideias e não com bombas e sangue? Boa pauta para um próximo discurso de Obama em terras brasileiras!

Veja trecho de duas notícias sobre o assunto publicadas pela Agência Brasil:

Coalizão volta a atacar forças de Khadafi na Líbia
Da BBC Brasil

Brasília – Aviões americanos voltaram a lançar ataques hoje (20) contra posições das forças de segurança de Muammar Khadafi na Líbia, após uma noite de ofensivas por terra e ar. Um porta-voz das Forças Armadas americanas disse que 18 aeronaves, incluindo aviões “invisíveis” B-2, conduziram a operação.

Durante a noite, os B-2 lançaram 40 bombas convencionais em alvos em território líbio, enquanto navios de guerra americanos e britânicos dispararam pelo menos 110 mísseis teleguiados contra a defesa aérea líbia. Pelo menos 20 posições de defesa aérea foram alvejadas na capital, Trípoli, e na cidade de Misrata, no Oeste do país.

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, almirante Mike Mullen, disse que a zona de exclusão aérea autorizada na quinta-feira (17) por uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) está de fato em vigor na Líbia. (Texto Completo)

Obama cita Brasil como exemplo de democracia e diz que países são soberanos
Por Renata Giraldi

Brasília – No momento em que uma coalizão internacional lança mísseis sobre a Líbia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje (20), em discurso no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que os países são soberanos e não podem sofrer intervenções. Ele defendeu a democracia como princípio e direito de todos os cidadãos do mundo. Obama mencionou vários aspectos da cultura brasileira e o Brasil como exemplo de democracia consolidada.

“Nenhuma nação poderá se impor sobre outra nação”, afirmou Obama, sendo aplaudido pela plateia. “Onde a luz da liberdade estiver acesa, o mundo estará mais iluminado, este é o exemplo do Brasil”, disse ele. “A democracia é a maior parceira do progresso humano. A democracia oferece oportunidades para que todos os cidadãos sejam tratados com respeito”, acrescentou.

Em seguida, o presidente reiterou que os Estados Unidos têm condições de falar sobre as conquistas a partir da consolidação dos sistemas democráticos. “Sabemos, por meio da nossa experiência nos Estados Unidos, que é importante trabalhar juntos até mesmo quando discordamos. Pode ser que o nosso modo de trabalhar seja lento e meio devagar, meio bagunçado, mas é preciso.” (Texto Completo)

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4 Respostas para “ENQUANTO AVIÕES AMERICANOS ATACAM FORÇAS DE KHADAFI NA LÍBIA, OBAMA DEFENDE NO BRASIL A SOBERANIA DOS POVOS

  1. basílio 21 março, 2011 às 11:00 am

    Como é possivel uma nação aceitar que agentes de outro país exerçam funções policiais, decidam e implementem esquemas de segurança, possam agir e revistar pessoas, nem falo nem de ministros, mas de simples cidadãos brasileiros mesmo, em nosso(?) próprio país?
    Existisse um mínimo de dignidade nacional, de vergonha na cara de nossos políticos e autoridades, fatos como esse jamais ocorreriam.
    Ficou provada nossa condição de colônia, a completa e humilhante subalternidade e submissão a uma potência estrangeira.
    Manifesto meu repúdio total a essa situação inaceitável e ao comportamento bajulatório, próximo ao de auditórios de programas de baixo nível, como o das autoridades do RJ e muitos dos jornalistas televisivos, confirmando suas condições de viras latas, de meras bocas de repercussão dos interesses de seus amos e senhores.

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