Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 30 março, 2011

DEPOIS DE OFENDER OS BRASILEIROS E A HISTÓRIA POLÍTICA DO PAÍS, BOLSONARO PODE SER PROCESSADO PELA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Em recente vídeo mostrando uma entrevista dada pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) ao programa CQC, o deputado, sem o menor constrangimento e com a maior naturalidade do mundo, diz ter como exemplo político os militares que torturam a nação durante a Ditadura Militar, manifestou claro preconceito contra os negros e contra os homosexuais e usou a autoridade do seu cargo para manifestar opiniões infundadas e sem qualquer sombra de dignidade e respeito pelo Brasil e pelos brasileiros.

O vídeo fala por si só e dispensa maiores comentários. Logo após a enorme repercussão causada pela entrevista de Bolsonaro, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados se reuniu na última terça-feira e decidiu que entrará com uma representação contra ele. Ainda não se sabe se será uma representação parlamentar na Câmara ou se uma ação judicial.

E agora Bolsonaro?

Independente do tipo de represália que agora será tomada, e é bom que algo seja feito, a exposição do conservadorismo, da arrogância, da imbecilidade, para não usar de outra palavra, que marca boa parte da opinião pública brasileira já deixou o canto escuro da hipocrisia e decidiu se aventurar um pouco pelas salas amplas da sinceridade. Sim! Sinceridade, porque no vídeo percebe-se claramente que o deputado fala com convicção. E quanto a isso tudo bem. As pessoas podem ter opiniões diferentes, se quiséssemos controlar a opinião alheia estaríamos nos aproximando de tipos como ele. Longe disso!

No entanto, deve existir respeito. Respeito com a história e com o povo do seu país! Respeito não tem nada a ver com opinião. Está mais próximo de educação, discernimento e bom senso. Palavras que o deputado não conhece, como aliás seus modelos de inspiração, os militares, também não conheciam.

Muito esperto o deputado, agora, diz não ter escutado direito a pergunta da cantora Preta Gil sobre sua reação caso seu filho namorasse uma negra. Que ótima desculpa! Ao dizer ter entendido se seu filho namoraria com um gay, o deputado claramente tenta se livrar da acusação de racismo considerada crime e capaz até de levar à sua expulsão da Câmara. Levaria com certeza se o sistema judiciário desse país fosse sério. Mesmo assim, suas declarações em relação aos homossexuais não deixam de configurar uma atitude racista.

Episódios como esse mostram que já passou da hora do Brasil olhar pra si mesmo com um olhar mais realista. Ao invés de idealizar um país igualitário, alegre, sem preconceitos, é preciso ver quais são nossos reais problemas e, de fato, buscar algum tipo de solução que passa, sem dúvida, por um fortalecimento de nossas instituições democráticas, afinal, alguém só se sente tão à vontade para falar assim dos outros, porque sabe que nada de mais grave acontecerá com ele.

Veja trecho de reportagem publicada na revista Carta Capital sobre o caso:

Deputado carioca será processado por homofobia e racismo
Bruno Huberman

Conselho de Direitos Humanos da Câmara se reúne para decidir como irá agir em relação à entrevista concedida por Jair Bolsonaro (PP) ao programa CQC

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, reunida nesta terça-feira 29, irá entrar com uma representação contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Só resta decidir qual: se uma representação parlamentar na Câmara ou se uma ação judicial. O pepista virou alvo de críticas nas últimas horas após a entrevista à cantora Preta Gil durante o programa CQC, da rede Bandeirantes, na noite da segunda-feira 28, quando ao ser questionado se deixaria o seu filho namorar uma negra, respondeu: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu.”

“Eu acho lamentável. Isso é um abuso da representatividade parlamentar. Ele se utiliza do seu cargo para ofender. Eu fiquei chocado. Independente de filiação partidária, ele é um deputado e tudo tem um limite”, afirma o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), que ao lado dos deputados Manoela D’Avilla (PCdoB-RS) e Brizola Neto (PDT-RJ), decide como a Comissão irá agir. “Ele ataca a comunidade LGBT há muito tempo, mas só agora que ofendeu os negros é que caíram em cima dele.” (Texto Completo)

Leia mais em Educação Política:

JAIR BOLSONARO, DO PP, E ALI KAMEL, DA REDE GLOBO, PROVAM QUE NÃO SOMOS RACISTAS; VEJA ENTREVISTA DO DEPUTADO AO CQC
CÉLULAS-TRONCO JÁ PODEM SER CRIADAS A PARTIR DE CÉLULAS EXTRAÍDAS DO DENTE DE LEITE
LEITOR PROPÕE DISCUSSÃO A RESPEITO DA LEI MARIA DA PENHA QUE PASSA PELA NECESSIDADE DE UMA REFORMA GERAL NO PODER JUDICIÁRIO
DESCOBERTA DE AGROTÓXICO NO LEITE MATERNO LEVANTA DISCUSSÃO SOBRE A NECESSIDADE DE UMA POLÍTICA DE ALIMENTAÇÃO NO BRASIL

%d blogueiros gostam disto: