Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 9 maio, 2011

A MEDIOCRIDADE TUCANA: PEDAGOGIA É EMPRESARIAL E ADMINISTRAÇÃO DE OBRAS É A CASA DA MÃE JOANA

Teto de escola estadual aos pedaços: visão empresarial

Uma recente reportagem da revista Carta Capital mostra de forma evidente porque a oposição está perdida.

Achava-se que o PSDB tinha algum conteúdo, mas é oco por dentro. Vejam os discursos do Aécio Neves no Senado, relembre a campanha suja de José Serra. É o vazio político.

A educação e a saúde continuam péssimas no Brasil, com o sistema público sendo privatizado, e o PSDB não consegue fazer uma crítica consistente.

Na verdade, a oposição está perdida porque nunca foi oposição, nunca teve utopia. Sempre comandou, ou melhor, mandou. Quando precisou falar em nome da população, ficou perdida. Não tem o que dizer.

Mas voltemos à reportagem da Carta Capital sobre a educação em São Paulo, estado governado há 16 anos pelo PSDB.

A matéria mostra que a prática pedagógica foi privatizada e transformada numa relação empresarial, com bônus para “professores aprovadores”. É como se a escola fosse uma fábrica, uma pequena empresa.

Ao mesmo tempo, as construções e reformas de escolas são uma bandalheira, não há nada de empresarial, a não ser a corrupção. As escolas são construídas ou reformadas e depois de um ou dois anos já estão deploráveis. É incrível: pedagogia empresarial para professor e aluno e capitalismo da mãe Joana para empresários do partido. Esse é o PSDB, o vazio.

Veja trecho da reportagem da Carta Capital:

Especialista em avaliação, Luiz Carlos de Freitas, professor de Educação da Unicamp, contesta a própria existência da bonificação na educação pública. “Os reformadores empresariais acreditam que a educação é uma atividade como qualquer outra, passível de ser administrada pelos critérios da iniciativa privada. Ocorre que, no mercado, há ganhadores e perdedores, e os ganhadores não têm de se preocupar com os perdedores”, afirma. “No sistema de bônus, os testes ganham relevância extraordinária e acabam por corromper o processo social que tentam monitorar. Recentemente, Beverly Hall, superintendente do sistema educacional de Atlanta, na Geórgia (EUA), foi demitida após uma investigação que identificou fraude na avaliação de 58 escolas públicas. Em Nova York, John Klein deixou o cargo de superintendente, em junho de 2010, quando se descobriu que as altas notas que os alunos tiravam nas escolas estavam infladas. A escola não é uma pequena empresa.” (Texto Integral)

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PROJETO DE LEI NO RS REVELA OBSESSÃO POR UMA LÍNGUA PURA

Vivas e, se vivas, múltiplas

Recentemente, um projeto de lei foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul prevendo a obrigatoriedade de tradução de toda e qualquer palavra estrangeira incorporada à lingua portuguesa em qualquer tipo de comunicação que use a palavra escrita (publicidade, anúncios, outdoors, documentos, etc.) O projeto espera apenas pela sanção do governador Tarso Genro para começar a valer no âmbito do RS.

O primeiro argumento utilizado pelos que são contrários à proposta é de que a língua é um organismo vivo, em constante transformação, ela incorpora novos termos, assim como abandona o uso de antigos. A língua segue uma dinâmica natural e essa dinâmica é influenciada pela história, segundo algumas correntes, ou pelo próprio homem, segundo outras.

Mas além desse argumento de que a língua é um organismo vivo, poderíamos recorrer a outras ideias que ajudam a demonstrar o equívoco e até uma certa dose de pretensão que projetos de leis como esse contêm. Imaginem, caros leitores, se tivéssemos que traduzir delivery, mc donalds, fast food, email, sale, shopping, enfim, palavras que fazem parte do cotidiano de cada um de nós, estão praticamente em todos os lugares e, praticamente, já foram incorporadas ao português? Soaria no mínimo estranho que ao lado de delivery tivesse que vir escrito “entrega”, por exemplo.

Esse tipo de lei apenas resgata uma certa obsessão infundada por uma língua pura. Assim como, alguns homens já estiveram um dia obcecados por uma raça pura, outros se esforçam em construir uma língua pura, como se isso fosse possível. Experiências em busca da pureza só suscitaram morte, destruição e nos presentearam com algumas das piores cenas da história.

O fato é que no país onde se luta contra o preconceito em relação a raça e opção sexual, isso quando se admite a existência desse preconceito, o que se quer agora é transferir um preconceito cada vez mais vigiado para a língua. Se eu não posso resguardar a pureza da minha identidade e opção, se eu tenho que aceitar o outro correndo o risco de ser preso se não o fizer, que ao menos a minha língua seja pura, soberana, limpa.

De fato, a tendência é que todos os demais preconceitos sejam, senão eliminados, ignorados ao longo do tempo. As pessoas tendem a aceitar o outro, a diferença ou, ainda que não aceitem, dirão que é assim mesmo e que não é com elas. No entanto, a obsessão em conservar a identidade humana por meio da língua, essa parece que não nos abandonará tão cedo!

Veja trecho de carta endereçada a Tarso Genro, publicada na revista Forum, pedindo a não aprovação do projeto de lei pelo governador do RS:

Carta aberta a Tarso Genro: Sobre a língua viva não se legisla. Vete a lei, Governador
A Linguística, como qualquer outra disciplina, possui diversas correntes e debates internos. Mas há um postulado do qual nenhum linguista discordaria: a língua é organismo vivo, em constante transformação.
Por Idelber Avelar

Excelentíssimo Governador Tarso Genro:

Eu e uma legião de eleitores de esquerda fomos surpreendidos, no dia 19 de abril, com a aprovação, pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, do projeto de lei 156/2009, de autoria do Deputado Raul Carrion (PCdoB), que “institui a obrigatoriedade da tradução de expressões ou palavras estrangeiras para a língua portuguesa, em todo documento, material informativo, propaganda, publicidade ou meio de comunicação através da palavra escrita no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul”. Foi o estranho dia em que a direita representou a voz da sensatez. Apesar de que, felizmente, não está claro que o Sr. sancionará essa nociva e inútil lei, o Sr. condenou as chacotas e declarou que só as pessoas “muito caipiras” podem se opor às tentativas de defesa do vernáculo. Começo esta carta aberta atendendo o seu pedido de que a matéria seja tratada com seriedade, embora, que fique dito, para quem conhece algo acerca de como funciona o idioma, é meio irresistível dar algumas risadas de uma lei como esta. Noto, no entanto, minha discordância com seu uso do termo “caipira”. Em seu sentido pejorativo—que eu costumo evitar, aliás–, “caipira” é, segundo Houaiss, o “acanhado, pouco sociável”, enfim, justamente aquele que constrói cercas em volta de si mesmo. Caipiras são, portanto, os defensores da lei. (Texto completo)

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