Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

NA SOCIEDADE DO CULTO AO DESCARTÁVEL, QUANTIDADE DE LIXO AUMENTA MAIS QUE CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO

Segundo dados divulgados em matéria recente publicada no site da revista Carta Capital, “em 2010, o Brasil produziu 60,8 milhões de toneladas dos chamados resíduos sólidos urbanos. Essa quantidade foi 6,8% mais alta que a registrada em 2009 e seis vezes maior que o crescimento populacional que, no mesmo período, ficou em pouco mais de 1%”, ou seja, o Brasil está, aos poucos, tornando-se o país do desperdício, se já não se tornou.

A sociedade finge que não vê

Essa situação é reflexo de uma sociedade na qual o culto ao descartável tornou-se uma espécie de palavra de ordem. A sociedade capitalista é aquela onde o descartável de fato assume um papel principal já que o capitalismo vive justamente do descartável, do produto que logo tem que ser susbstituído, das comidas rápidas que são vendidas em embalagens descartáveis e andam no compasso do tempo cada vez mais reduzido pela lógica de funcionamento dessa mesma sociedade.

Enfim, para o capitalismo não é interessante guardar, reutilizar, reciclar, separar e dar um destino adequado ao lixo. O capitalismo é feito de troca, rapidez, e é aí que se gera o lucro, motor do sistema. Mas não joguemos toda a culpa no capitalismo. A população sem dúvida tem a sua parcela de responsabilidade. E a previsão apontada pelos dados e pesquisas é de que a quantidade de lixo aumente cada vez mais.

Parte da solução para o problema é conhecida pela maioria das pessoas. A questão do lixo se resolve com reciclagem, reutilização dos materiais e não meros descartes e, principalmente, com a garantia de que o lixo produzido terá um destino adequado, no entanto, falta incentivo do setor público e também privado para que esse tipo de política pública – que se relaciona diretamente com a qualidade de vida e com o equilíbrio social e ambiental – seja de fato colocada em prática.

Diante do lixo que se acumula e cria até um mercado paralelo movimentado por pessoas que se beneficiam das coisas que os outros jogam fora, não se pode deixar de perguntar: será que o homem precisa mesmo de tanta coisa assim pra viver?

Veja trecho de notícia publicada pela Carta Capital com mais detalhes sobre o assunto:

Brasil: sociedade do desperdício
Reinaldo Canto

Em 2010, o Brasil produziu 60,8 milhões de toneladas dos chamados resíduos sólidos urbanos. Essa quantidade foi 6,8% mais alta que a registrada em 2009 e seis vezes maior que o crescimento populacional que, no mesmo período, ficou em pouco mais de 1%. De todo esse resíduo, cerca de 6,5 milhões de toneladas foram parar em rios, córregos e terrenos baldios. Ainda 42,4%, ou seja, 22,9 milhões de toneladas foram depositados em lixões e aterros controlados e que não fazem o tratamento adequado dos resíduos. Estas conclusões fazem parte do estudo Panorama dos Resíduos Sólidos divulgado na semana passada pela Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).

Detalhes do mesmo relatório demonstram que estamos muito, mas muito distantes de tornar o consumo consciente uma prática cotidiana na vida das pessoas em nosso país. Um bom exemplo é que no ano passado, a média de lixo gerado por brasileiro ficou em 378 quilos, o que é 5,3% superior aos 359 quilos de lixo per capita computados em 2009.

O que esperar do futuro
Em uma sociedade de consumo que vem se caracterizando pelo culto ao descartável, a quantidade de lixo é proporcional a falta de consciência e ações que passam por todos os setores, sejam eles públicos ou privados, até chegar ao próprio cidadão.

Se por um lado podemos registrar com orgulho que no Brasil temos o mais alto nível de reciclagem de latinhas de alumínio do mundo, por outro, também é fácil afirmar que existem materiais tão diversos como papel, papelão, vidro, isopor, garrafas PET, sacolas plásticas e tantos outros que são perfeitamente recicláveis e que simplesmente não o são, por falta de apoio a coleta e comercialização. Pelo menos 30% dos lixos domiciliares são compostos de materiais recicláveis, mas apenas 1% acaba sendo, efetivamente, recuperado pela coleta seletiva. (Texto completo)

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