Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 20 maio, 2011

FURO DE REPORTAGEM: PEDIDO DE IMPEACHMENT DE GILMAR MENDES, MINISTRO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, NÃO É NOTÍCIA

Palocci tudo, Gilmar, nada

Esse é um furo de reportagem. A mídia brasileira fica em silêncio diante de um pedido de impeachment de um ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e ex-presidente. É inacreditável.

Isso mostra a que serve o jornalismo da grande mídia no Brasil. É impressionante como são os valores da notícia quando se tem um oligopólio na comunicação. Impeachment do ministro da suprema corte não é notícia! É o novo jornalismo. É uma nova teoria para a reflexão de sociólogos.

Juntando esse silêncio à história do enriquecimento do ministro Antônio Palocci, estampado em rede nacional, tem-se a receita para o jornalismo brasileiro.

Dilma, acorda, é hora de democratizar a mídia. Palocci, pede para sair. Quando Palloci saiu, o governo Lula melhorou.

Veja o furo de reportagem do blog do Mello
Pedido de impeachment de Gilmar Mendes não é notícia para a “grande imprensa”

Nas versões nas bancas, nos telejornais e portais de notícias da chamada “grande imprensa” não há uma linha, uma frase, uma palavra sobre o pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes protocolado no Senado e na OAB pelo advogado Alberto de Oliveira Piovesan.

A “grande imprensa” que diz que tem o dever de informar, que se diz defensora ardente da liberdade de expressão, de imprensa, não dá informação alguma a seus leitores, telespectadores sobre o pedido. Para quem só se (des)informa por eles, não existe.

Não é possível que não haja uma estratégia por trás disso, uma combinação entre eles. Afinal, é um pedido de impeachment do homem que até há pouco tempo era o presidente do STF, do homem que percorreu o país emitindo opinião sobre os principais assuntos da vida brasileira, como um Simão Bacamarte a defender a sanidade do Judiciário.

Mas, o pedido de impeachment é uma das pontas da informação. A outra é o que há nele, as sérias acusações contra Gilmar Mendes que também não são levadas ao conhecimento da população, a quem a “grande imprensa” (e, mais importante que ela, a Constituição do país) diz ter o direito à informação:

(…) A referida reportagem informou, dentre outros fatos, que o Advogado Sergio Bermudes hospeda o Ministro Gilmar Ferreira Mendes quando este vem ao Rio de Janeiro, e que já hospedou-o em outras localidades, além de fornecer-lhe automóvel Mercedes Benz com motorista.

A citada reportagem informou também que o Ministro Gilmar Ferreira Mendes recebeu de presente, do mesmo Advogado Sergio Bermudes, uma viagem a Buenos Aires, Argentina, quando deixou a presidência do Supremo Tribunal Federal no ano passado (2010). E que o presente foi extensivo à mulher do Ministro, acompanhando-os o Advogado nessa viagem.

A citada reportagem informou ainda que o referido Advogado emprega e assalaria, acima do padrão, a mulher do Ministro. Evidente que no recesso do lar pode ela interferir junto ao marido a favor dos interesses do escritório onde trabalha,
e de cujo titular é amiga intima (sempre segundo a citada reportagem). É o canal de voz, direto e sem interferências, entre o Ministro e o Advogado.

Se comprovados estes fatos, notadamente a viagem de presente, ficará configurada violação de dever funcional, com consequente inabilitação para o cargo, eis que
vedado o recebimento de benefícios ao menos pelo Código de Ética da Magistratura, precisamente seu artigo 17.

Será que nada disso é notícia? Por que o silêncio cúmplice?

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MUDANÇA NA AUTORREGULAMENTAÇÃO DA PROPAGANDA DEVE EQUILIBRAR LIBERDADE DE COMUNICAÇÃO E DIREITOS DA INFÂNCIA

Uma relação pra se pensar!

O poder que a propaganda tem em influenciar o comportamento e conduzir a vontade das crianças já está sendo constantemente debatido. O que se discute é a necessidade de repensar a autorregulamentação do setor de publicidade infantil que, segundo entidades que defendem os direitos da infância, simplesmente induz as crianças a certos comportamentos e desejos que à priori elas não têm e que, devido ao fato de que estas ainda não possuem discernimento suficiente para se defender dos apelos da publicidade, são automaticamente assimilados por elas.

De forma geral, a publicidade sem limites direcionada ao público infantil acaba por afetar a criança de alguma forma. Ainda que ela seja uma criança saudável e goste da vida que leva, a propaganda, infantil ou qualquer outra, atinge uma área da mente ainda desconhecida por grande parte dos estudiosos da psicologia humana. As imagens, vozes e apelos da propaganda agem no inconsciente de cada um e, mesmo que tenhamos uma boa formação ou, no caso das crianças, um bom ambiente de crescimento, essas vozes do desejo acabam falando mais alto quando menos se espera e de forma nem sempre previsível.

Daí a necessidade de cuidar das informações que são repassadas à infância. O mundo hoje já pede muito de nós, não contente, ele agora quer fazer com que as crianças percam a sensação de plenitude que experimentam no tempo presente e vivam, assim como nós adultos, em função de desejos e projeções futuras que anulam nossa existência na dimensão do atual.

No entanto, talvez não seja o caso de proibir de todo a propaganda infantil, como vem sendo proposto, a proibição nunca é o melhor dos caminhos. A propaganda pode sim ser benéfica em alguns aspectos se o sistema de valores no qual ela se estrutura for revisto. Portanto, o ideal mesmo é repensar a regulamentação do setor e encontrar o tão desejado ponto de equilíbrio entre a proibição e os direitos da infância. Não é preciso deixar de falar às crianças, elas são ávidas por ouvir, mas é preciso saber falar a elas, preservando a peculiaridade de seu tempo, para que o diálogo aconteça de fato.

Veja trecho de notícia publicada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) sobre a discussão em torno do assunto:

Entidades questionam publicidade infantil e autorregulamentação do setor
Por Marcello Larcher
Câmara dos Deputados

Vinte entidades discutiram nesta terça-feira na Câmara o Projeto de Lei 5921/01, que proíbe publicidade direcionada ao público infantil. No seminário promovido pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, 11 entidades posicionaram-se contrárias ao projeto, a maioria ligada ao mercado de anúncios e de mídia, enquanto 9 foram favoráveis à medida, ligadas à defesa do consumidor e dos direitos da infância.

O vice-presidente Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), Rafael Sampaio, assinalou que nenhum país tem essa questão bem resolvida, mas reconheceu que há uma tendência à autorregulamentação, que são normas levadas a cabo pelo próprio mercado publicitário. “Em normas gerais, todos concordam que a infância precisa ser protegida, o problema é operacional, como fazer com que a propaganda do bem possa ser feita, e a que exacerbada seja cassada. Se você proíbe previamente, acaba impedindo muita coisa positiva”, disse. Sampaio citou campanhas de higiene e de alimentos saudáveis, entre as publicidades feitas por empresas e que são úteis para os pais e as crianças.

O presidente o Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar – entidade que cuida do setor no Brasil), Gilberto Leifert, lembrou que as regras para a publicidade de produtos infantis foram atualizadas em 2006. Segundo informou, em 2009 foram registradas 78 intervenções para retirar do ar propagandas consideradas nocivas; e em 2010, foram 46. “Conseguimos agir mais rápido que o Judiciário para retirar do ar uma propaganda considerada abusiva”, disse. (Texto completo)

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