Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 21 maio, 2011

POLÊMICA DO LIVRO DIDÁTICO É ABORDADA DE FORMA COERENTE E LÚCIDA EM REPORTAGEM DA REVISTA CARTA CAPITAL

O Educação Política se manifestou em post recente sobre a polêmica envolvendo o livro didátido aprovado pelo MEC e crucificado por boa parte da imprensa nacional. O jornalismo e os jornalistas brasileiros novamente demonstraram falta de responsabilidade ao falar sobre o que não sabem e, algo ainda mais grave, o quanto quem escreve no Brasil deseja perpetuar um discurso de poder conservador e autoritário.

A polêmica envolvendo o livro didático e a onda de opiniões conservadoras que se viu serviu para demonstrar o quanto o Brasil precisa evoluir em termos de educação e o quanto o jornalismo brasileiro precisa evoluir em termos de qualidade e inteligência. Sim, porque o que faltou na abordagem da questão foi inteligência e o mínimmo de responsabilidade. Afinal, como mostra reportagem publicada pela Carta Capital, a grande imprensa brasileira, como é de seu feitio, pincou trechos do livro didático e tirou conclusões a respeito deles de forma totalmente descontextualizada. Ou seja, jornalistas escreveram o que quiseram sem ao menos ler o livro.

Já a população infelizmente é refém de todo um sistema de ensino que começou errado. É impossível exigir dela uma abordagem lúcida da questão quando a vida inteira lhe ensinaram que ninguém sabe falar português a não ser os manuais e professores de gramática.

A imprensa discutiu o óbvio em toda essa questão. Afinal, é óbvio que as pessoas devem aprender a falar de acordo com a norma culta e consagrada da língua, isso nem se discute, o problema é que eles disseram tanto que agora a educação vai ser jogada no lixo que não perceberam que agora é que pode se começar a ensinar de fato. É muito mais interessante e enriquecedor mostrar as diferentes formas da língua do que fazer de conta que elas não existem!

Segue trecho da reportagem publicada pela Carta Capital sobre o assunto. Uma doce brisa em meio à tempestade:

Falsa questão
Por Lívia Perozim

Mais uma vez um livro didático foi alvo de polêmica. Uma notícia divulgada pelo portal IG, por meio do blog Poder On Line, afirmou: o MEC comprou e distribuiu um livro que “ensina a falar errado”. Em jornais, emissoras de tevê e meios eletrônicos o livro, seus autores e o próprio MEC foram crucificados. Colunistas renomados esbravejaram. É um livro “criminoso”, atestou Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo. Dora Kramer, no Estadão de terça-feira, aproveitou para atacar Lula: “Tal deformação tem origem na plena aceitação do uso impróprio do idioma por parte do ex-presidente Lula, cujos erros de português se tornaram inimputáveis, por supostamente simbolizarem a mobilidade social brasileira.” Poderíamos nos perguntar o que Glorinha Kalil pensa do assunto, mas vamos nos ater aos fatos.

O livro em questão é o Por Uma Vida Melhor e faz parte da coleção Viver, Aprender, organizada pela Ação Educativa, uma ONG que há 16 anos promove debates e atua em projeto de melhoria educação e políticas para a juventude. Foi distribuído para 4.236 escolas e é destinado, frise, para alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) – mais para frente ficará claro o porquê. Seus autores são Heloísa Ramos, Cláudio Bazzoni e Mirella Cleto. Os três, professores de língua portuguesa, autores de livros didáticos e estudiosos do tema variação linguística.

A polêmica midiática partiu da reprodução de trechos como: “Você pode estar se perguntando: ‘Mas eu posso falar os livro?’. Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico”. Reproduzidos assim, descolados de um contexto, parece mesmo que a orientação era mandar às favas a língua portuguesa. Mas não é bem isso. Faltou uma leitura mais atenta, ou, pior, faltou ler a obra. O capítulo em questão, ao menos (clique aqui para ler). (Texto completo)

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