Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 1 junho, 2011

KIT CERTO OU ERRADO NÃO MUDA A NATUREZA DA DECISÃO TOMADA PELA PRESIDENTE DILMA

Para Dilma, kit faz propaganda de opção sexual

A decisão da presidente Dilma Rousseff em vetar o kit anti-homofobia destinado às escolas de todo país foi acertada em vários aspectos, independente do fato de o kit visto por ela ser o elaborado pelo Ministério da Educação ou pelo Ministério da Saúde. Dilma soube distinguir muito bem o papel da escola na formação das crianças e jovens e o papel da família em esclarecê-los sobre os mais diferentes assuntos. A escola não precisa, explicitamente, ensinar as crianças a não terem preconceito e aceitarem as diversas opções sexuais.

Esse aprendizado é paralelo a toda formação que a escola oferece. Se a escola fornece à criança e ao jovem liberdade de pensamento, de escolha, se mostra todos os lados da questão, se privilegia um ensino livre e completo, o aluno sem dúvida crescerá primando pelo direito à liberdade. Todo conhecimento por ele adquirido durante uma boa formação escolar fará com que as suas preocupações e sua visão de mundo seja muito mais ampla de modo que a questão do preconceito contra opção sexual, cor ou raça, sequer fará parte de seu horizonte de possibilidade.

E pra isso não é preciso cartilhas para ensinar isso ou aquilo, a escola deve ensinar bem as disciplinas que lhe cabem, incluindo filosofia, sociologia, atualidades, estas sim muito mais importantes e de potencial civilizatório infinitamente maior do que um kit anti qualquer coisa. Como a presidente bem colocou, questões relativas a costume e hábitos culturais, fazem parte da esfera íntima, mais particular das pessoas, por isso estão bem mais próximas de um ambiente íntimo como é a família, do que de um ambiente social e coletivo, como é a escola.

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pela revista Carta Capital:

Dilma vetou ‘kit gay’ errado?
Redação Carta Capital

Após o polêmico veto da presidenta Dilma Rousseff à distribuição de um kit anti-homofobia pelas escolas públicas do país, supostamente em troca de apoio da bancada religiosa do Congresso aos temas de interesse do Planalto, ao menos três versões sobre as razões que motivaram a decisão foram anunciadas publicamente.

A própria presidenta – que veio a público dizer, na quinta-feira 26, que não concordava com o kit – admitiu que não havia assistido ao vídeo completo, e sim a “um pedaço” do material exibido em reportagens na tevê. Ao justificar o veto, Dilma afirmou que o governo não poderia fazer “propaganda de opções sexuais”.

O discurso repetiu o argumento usado pela bancada religiosa, que bombardeou durante dias o projeto que estava em gestação no Ministério da Educação.

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), integrante da Frente Parlamentar Evangélica e um dos mais exaltados opositores do kit, defendeu o veto de Dilma dizendo que ele tinha embasamento: segundo ele, o próprio Ministério da Educação se encarregou de mostrar os vídeos originais para a presidenta.

Só que o próprio ministro da Educação, Fernando Haddad, disse no mesmo dia que nem a presidenta soube precisar se o vídeo que ela havia assistido fazia parte ou não do material destinado às escolas. Haddad disse saber ainda que circulavam pelo Congresso filmes que nem sequer faziam parte do kit anti-homofobia original. (Texto completo)

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