Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 10 junho, 2011

DIFERENTE DO EGITO E DA TUNÍSIA, REVOLTA NA SÍRIA SE APROXIMA DA LUTA ARMADA E MERGULHA O PAÍS NO CAOS

As armas censuram a liberdade...

A onda de rebeliões que acontece atualmente no mundo árabe já reservou ao cenário mundial e aos governantes ditadoriais dos países islâmicos muitas suspresas. A luta pela democracia, a expressão da vontade e da força popular, o papel das redes sociais como mediadores, tudo isso veio à tona em diversos protestos que sem dúvida escrevem a história naquela região do mundo.

No entanto, no caso da Síria, um aspecto do movimento deve ser destacado. A revolta popular tem se transformado em uma verdadeira insurreição armada, onde os manifestantes não hesitam em pegar em armas para se defender já que os métodos utilizados pelos soldados do governo para reprimir as manifestações são os mais violentos possíveis. Assim, ao contrário das manifestações pacíficas do Egito e da Tunísia, na Síria o cenário é explosivo, literalmente falando.

A história ensina que quando uma manifestação popular cede à tentação das armas, seus métodos, bem como seu objetivo final já estão sensivelmente prejudicados, sem dizer que, o custo que se paga é sempre muito alto, seja para o lado da ditadura síria, seja para o sonho da democracia e liberdade. A realidade é que a Síria vive um verdadeiro massacre e o inferno nesse caso não são os outros, a ameaça e a onda de destruição vêm de dentro, e esse sem dúvida é o pior dos infernos.

Veja texto sobre o assunto publicado pela Carta Maior:

Síria em turbulência: a resistência se transforma em insurreição
Por Robert Fisk – The Independent

A revolta síria contra o governo do presidente Assad está virando uma insurreição armada, com manifestantes civis pegando em armas para lutar contra o exército e milicianos matando e torturando os que se opõem ao regime. Há cada vez mais evidências de que alguns soldados sírios estão se rebelando. A estrutura da ditadura alauita de Assad está correndo o mais grave dos perigos. A revolta armada que está espalhando-se pela Síria, é muito mais poderosa e muito mais dificil de suprimir. O artigo é de Robert Fisk.

A revolta síria contra o governo do presidente Bashar al-Assad está virando uma insurreição armada, com manifestantes anteriormente pacíficos se voltando às armas para lutar contra exército e “shabiha” – fantasmas, em português – dos milicianos que vem matando e torturando os que se opõem ao regime.

Ainda mais grave para os poderosos apoiadores de Assad: há cada vez mais evidências de que alguns soldados sírios estão se rebelando. A estrutura da ditadura alauita de Assad está correndo o mais grave dos perigos.

Em 1980, o pai de Assad, Hafez, enfrentou uma rebelião armada na cidade de Hama, que foi suprimida pelas forças especiais do irmão de Hafez, Rifaat, ao custo de 20 mil vidas. Mas a revolta armada de hoje está espalhando-se pela Síria, é muito mais poderosa e muito mais dificil de suprimir. Não surpreende que a televisão estatal venha mostrando funerais de até 120 membros das forças de segurança de apenas um lugar, a cidade de Jisr al-Shughour.

A primeira evidência de que civis estavam se armando para defender suas famílias veio de Deraa, a cidade onde a sangrenta história da revolução síria começou quando membros do serviço de inteligência prenderam e torturaram até a morte um menino de 13 anos. Sírios chegando em Beirute me disseram que os homens de Deraa haviam se cansado de seguir o exemplo das manifestações pacíficas dos descontentes de Tunísia e Egito – algo compreensível já que nenhum desses países sofreu algo comparado à supressão brutal dos soldados e milícias de Assad – e agora, por vezes, “atiram de volta” em nome da “dignidade” e para proteger suas mulheres e crianças. (Texto completo)

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